Olhar de Cinema 2017

Mostra Outros Olhares em Curitiba apresenta raro filme do Butão

Neusa Barbosa

 Curitiba - Dentro da mostra Outros Olhares, chama a atenção Hema Hema: Cante para Mim Enquanto Eu Espero, um raríssimo filme do Butão, em coprodução com Hong Kong, dirigido por Khyente Norbu Rimpoche.
Assistir a um filme de um país tão distante da realidade brasileira é sempre próximo de uma experiência antropológica. Especialmente por uma história que evoca um universo fantástico, como neste caso. O enredo acompanha a aventura de um camponês que se embrenha num bosque, levando consigo uma máscara e uma flauta. Depois de cobrir seu rosto com a máscara, ele usa a flauta para atrair o que realmente o levou até ali: outros homens mascarados, integrantes de uma espécie de sociedade secreta.
 
 Depois disso, o homem é introduzido numa comunidade oculta nas montanhas, que se dedica a uma série de rituais bem específicos, envolvendo uma narrativa cheia de episódios fantásticos e também cantos, danças, tambores. Há regras muito rígidas: todos devem usar as máscaras o tempo todo e em hipótese alguma podem deixar o local antes que chegue um dia sem lua.
 Nesta comunidade, há homens e mulheres que se seduzem – por ali, o sexo acontece livremente. Aparentemente, todos ali querem passar um tempo longe da vida convencional, mas não se trata de uma meditação, propriamente. Há uma espécie de suspensão das regras e leis da vida lá fora. E crimes acontecem, como um estupro e um assassinato.
Um paralelo, no começo e no final do filme, remete a um país moderno, mostrando uma balada – e uma personagem ali tem ligação direta com acontecimentos havidos na floresta. Mas, no geral, o filme é um tanto cifrado, de um simbolismo de difícil acesso. 

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