35ª Mostra Internacional de Cinema

Minha família serviu como base para criar personagens de Late Bloomers, diz filha de Costa-Gavras

Alysson Oliveira

Quando começou a planejar seu segundo longa, a francesa Julie Gavras (A culpa é do Fidel) queria fazer uma comédia romântica. Viu  tudo que encontrou no gênero, mas descobriu algo com certo espanto. “Todos são filmes sobre jovens, sobre gente de no máximo 30 anos. Onde estão as comédias românticas com personagens maduros?”, comentou em entrevista ao Cineweb.

A resposta vem com o novo filme da diretora – que faz parte da programação da 35ª Mostra Internacional de Cinema, e estreia no país no próximo dia 11 – Late Bloomers – O Amor não tem fim, que coloca em cena um casal em torno dos 60 anos e em crise. “O tema é importante para a Europa, pois a população está envelhecendo. É diferente do Brasil, onde ainda há muitos jovens. Por isso, meu filme é uma comédia romântica, mas com um subtexto político”.
 
O tom político, aliás, vai ao encontro da obra de seu pai, o consagrado diretor grego Costa-Gravas que, nos anos de 1970 e 1980, ficou conhecido por trabalhos como Z, Estado de Sítio e Desaparecido (que venceu a Palma de Ouro em Cannes em 1982 e um Oscar de roteiro adaptado em 1983). Não é apenas o interesses por questões políticas que o pai forneceu como inspiração para Julie nesse filme. “Minha família serviu como base para eu criar a família de personagens. O pai fica numa espécie de pedestal, inatingível e idolatrado, enquanto a mãe é quem tem de cuidar de tudo, da casa, dos filhos, para que ele possa brilhar”, conta com um risinho.
 
Ao centro da trama estão os personagens de William Hurt e Isabella Rossellini. Ele, um arquiteto famoso; ela, uma professora aposentada que procura algo com o que ocupar seu tempo e acaba descobrindo trabalhos voluntários. “Quando as pessoas chegam aos 60 anos estão diante da possibilidade da última grande virada da vida deles. Para meus personagens, é disso que nasce uma crise, que afeta o casamento, o lado profissional e os filhos.” Julie conta que a sua família acompanhou o filme de perto o tempo todo. Por isso, não foi uma surpresa se identificarem em vários momentos na tela, ao verem o longa pronto.
 
A escolha dos atores também foi fundamental. Julie explica que nunca pensou em outra intérprete para o papel de Isabella Rossellini. “Eu precisava de uma atriz que aparentasse a idade que tem. Na França seria impossível encontrar uma. Primeiro, porque nenhuma admite ter mais de 60 anos. Além disso, não consigo pensar em nenhuma que não tenha feito alguma plástica no rosto”. Já a escolha de Hurt para o patriarca veio de quando Julie era jovem e o viu em O Beijo da Mulher Aranha, rodado inteiramente em São Paulo. Por isso, para ela estar aqui também tem um gosto especial: “De certa forma esta cidade é responsável por algo no meu filme”.
 
A entrada de Isabella no filme, aliás, implicou numa mudança: trocar o cenário da França para a Inglaterra, o que, segundo a diretora, não afeta em nada, pois o filme podia passar-se em qualquer grande cidade da Europa. E também trouxe ideias para um novo filme da diretora, que deverá abordar a rivalidade entre ingleses e franceses. “Os ingleses têm um ódio muito grande dos franceses. Pude perceber isso claramente enquanto trabalhava na Inglaterra. Agora, isto será tema de meu próximo filme”.
 
LATE BLOOMERS - O AMOR NÃO TEM FIM
UNIBANCO ARTEPLEX 3 -                                   03/11/2011 - 16:20 - Sessão: 1108 (Quinta)

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