35ª Mostra Internacional de Cinema

Mostra de SP recupera a beleza e complexidade do cinema de Paradjanov

Alysson Oliveira

Há uma fala no documentário Sergei Paradjanov, O Rebelde, que é muito elucidativa, dita pelo próprio biografado: “Nem eu entendo meus filmes”. “Entender”, portanto, é o que menos importa e pode ser dispensado em favor de embarcar nas magnéticas imagens dos nove filmes do cineasta georgiano, que passou vários períodos na prisão e foi impedido de filmar por ser tido como dissidente pelo governo soviético.
 
É melhor mesmo mergulhar na beleza visual e no mundo estranho em que seus filmes se ambientam – mundo de realidades e pessoas tão distantes de nós, e ao mesmo tempo tão próximas, universais. A cor da romã, seu filme mais famoso, é construído sobre imagens estáticas que remetem a ícones religiosos. Mas não tome por um filme religioso esse longa sobre a vida do poeta armênio Sayat Nova ( o cineasta era também de origem armênia).
 
A lenda da fortaleza de Suran foi o grande vencedor da 11ª Mostra e é o penúltimo filme do diretor – que morreu em 1990. Baseada na história de seu país, a Geórgia (que por muitos anos foi parte da URSS), retrata a luta de moradores de um vilarejo que constroem uma fortaleza para defender-se de invasores. Mas, para que a proteção funcione, é preciso que o homem mais bonito do lugar seja emparedado nela. O último filme do diretor, O trovador Kerib, é um dos mais famosos e acessíveis, se comparado aos outros de sua filmografia.
 
Além destes, a Mostra também traz as raridades Hagop Hovnatanian, Arabescos Pirosmani, Sombra dos Ancestrais Esquecidos, Rapsódia Ucraniana, O primeiro rapaz e Flor sobre pedra.
 
Os filmes de Paradjanov, com seu colorido rebuscado de encher os olhos iam contra as diretrizes do cinema de cunho socialista da URSS – o que trouxe muitos inimigos ao diretor. No começo dos anos de 1970 ele foi preso sob falsas acusações e condenado por cinco anos. Mesmo na prisão, não abandonou seus impulsos criativos, realizando desenhos, colagens e escrevendo roteiros de filmes. Ele foi preso outras duas vezes, por ser visto com suspeita pelas autoridades por sua independência e apego a culturas regionais.
 
 
Além dos filmes da retrospectiva e do documentário Sergei Paradjanov, O rebelde, de Patrick Cazals, a 35ª Mostra apresenta uma exposição com desenhos e colagens feitas pelo cineasta. A exibição está em cartaz no MIS – Museu da Imagem e do Som (Avenida Europa, 158 – Jardim Europa – SP - Tel.:(11) 2117-4777), com entrada gratuita e permanece até 20 de novembro.
 
Confira os destaques do Cineweb
 
Para a programação completa da Retrospectiva Sergei Paradjanov, confira horários e salas de exibição no site da Mostra:  http://35.mostra.org/

Deixe seu comentário:

Imagem de segurança