35ª Mostra Internacional de Cinema

“A cultura cinematográfica do norte-americano é muito limitada”, diz autor de livro sobre Scorsese

Alysson Oliveira

“Martin Scorsese é bom de ser entrevistado. Ele gosta de falar”. É assim que o crítico,jornalista e documentarista norte-americano Richard Schickel define o cineasta que é opersonagem de seu livro “Conversas com Scorsese”, lançado durante a 35ª Mostra de Cinema em parceria com a editora Cosac Naify.
 
“No fundo, todos sabemos algumas coisas sobre Scorsese. Acompanhamos seus filmes e a visão de mundo dele, suas ideias estão muito presentes em toda sua obra”, disse o autor em entrevista ao Cineweb. Ainda assim, é possível descobrir várias coisas nas entrevistas do livro, que se debruça na carreira do cineasta, abordando não apenas sua infância, a relação com os pais e Nova York, mas também investigando filme a filme sua obra.
 
Schickel conta que o diretor de Taxi Driver empolgou-se com a ideia de fazer um livro sobre sua vida e carreira desde quando fizeram o primeiro contato por meio de um amigo em comum. “Eu senti que ele tinha confiança em mim, por isso se abria ao falar de sua vida, suas influências”.
 
Para o cinéfilo, o livro é uma porta para inúmeras descobertas, trazendo também fotos e
imagens de storyboards feitos pelo diretor para filmes como Kundun, e até filmes que ele elaborou em forma de desenho quando criança. “A ideia é enriquecer a experiência de assistir a um filme de Scorsese. Ao falarmos do processo de criação, do resultado, da recepção do filme, podemos dar chance ao público de encarar a obra por outros ângulos”.
 
Ao todo, foram cerca de quatro anos de pesquisa e conversas com Scorsese, em Nova York. “Ele não se importava de dar entrevistas, contanto que não tivesse de sair de sua cidade. Ao longo desse tempo, também pude acompanhá-lo no processo de produção de alguns filmes”. Agora, Schickel prepara um livro na mesma linha sobre Steven Spielberg, que deve ser lançado nos EUA no começo do próximo ano. “Não vai ser tão volumoso quanto o de Scorsese. Spielberg não gosta tanto de falar”.
 
Schickel começou na crítica de cinema em meados da década de 1960 e já escreveu para as revistas “Time” e “Life”. Hoje, confessa, não encontra mais tanto prazer em escrever sobre filmes – embora, eventualmente, faça alguma resenha para um site. Ele diz preferir fazer livros sobre filmes e cineastas. “Não me atrai a ideia de fazer uma entrevista de meia hora para publicar numa revista. Eu prefiro conversas longas, que possam resultar em algo mais aprofundado”.
 
Quando perguntado sobre seus gostos cinematográficos, o escritor explica ser variado e diz ser impossível citar algum filme como seu favorito. E também confessa não conhecer muito sobre cinema brasileiro. “Chegam muito poucos filmes estrangeiros aos cinemas norte-americanos. A cultura cinematográfica do norte-americano é bem limitada. Os filmes estrangeiros que chegam até nós ficam em cartaz por uma semana e estreiam apenas nas grandes cidades. É um problema que não parece próximo de se reverter em breve”.
 
Conversas Com Scorsese
Richard Schickel
Cosac Naify
528 páginas
R$ 89,00

Deixe seu comentário:

Imagem de segurança