35ª Mostra Internacional de Cinema

Documentário de Carolina Sá resgata memórias familiares em busca da identidade pessoal

Alysson Oliveira

“Às vezes, para um diretor estreante, um produtor pode mostrar coisas que estão debaixo dos seus olhos, que são óbvias. Mas você não consegue ver”. É assim que a documentarista Carolina Sá define a parceria com os dois produtores de seu primeiro longa, Construção, que são nada menos do que o consagrado diretor Walter Salles (“Central do Brasil”) e a atriz e cineasta Patrícia Pillar.
Carolina, que já dirigiu documentários para a televisão, inicialmente faria um filme sobre sua filha Branca, que em 2009 iria conhecer o país de seu pai, Cuba. A razão era simples: “Ela tinha apenas 3 anos e a Revolução estava completando meio século, em dezembro de 2009”. Alguns anos antes, Carolina pretendia ter feito um filme sobre seu próprio pai, o arquiteto, escritor e compositor Marcos Vasconcellos. O projeto não vingou, e ela acabou abandonando-o. “Foi o Walter [Salles] quem me disse para fazer um único filme sobre os dois, juntar as duas pontas. Olhando Construção pronto hoje, isto me parece tão óbvio. O trânsito entre a história da minha filha e a do meu pai é natural”.
 
Carolina resgatou vários filmes em Super-8 que seu pai fez durante a infância dela e dos irmãos. Ela própria, por sua vez, registra momentos da vida de sua filha no mesmo formato. “Fui perceber que o tema do meu documentário é a família e a pátria. Tudo isso, muito permeado pelos pensamentos do meu pai, sobre o romance dele com a minha mãe”. Para contar essa história de amor, a diretora usa cartas que seus pais trocaram ao longo dos anos. “Li toda a troca de correspondência deles e, com a ajuda de um corroteirista, Frederico Coelho, selecionei trechos para o filme”.
 
A diretora confessa que Construção teve um quê de catártico, pois seu pai morreu quando ela tinha 13 anos, mas eles não se falavam havia três anos. “Eu tinha muita mágoa disso tudo. Fazer o filme foi importante para eu rever o meu passado, entender quem sou hoje. Quando se entende a memória de seu pai, você entende de onde vem”.
A própria Carolina admite que até foi bom não ter feito na época o filme pretendido sobre o pai: “Seria algo mais careta. Poder fazer o diálogo entre o passado e o presente adicionou um ganho muito grande ao projeto”. Ela também comenta que a presença de Coelho, no roteiro, e da montadora Marília Moraes foram fundamentais para chegar a um filme que pudesse dialogar com o público. “Eu não sou nada apegada ao material, sabia muito bem quando deixar algo de fora. Mesmo assim, tinha muito medo de estar fazendo um filme sobre meu umbigo. Eles trouxeram um fôlego novo.”
 
Quem também foi fundamental para a produção foi a atriz Patrícia Pillar, que no ano passado lançou em cinema seu primeiro longa como diretora, o documentário Waldick, Sempre no meu Coração. As duas se conheceram quando Carolina foi assistente de direção de Patrícia na gravação do DVD de um show do cantor.
Quando faltavam dez dias para o aniversário da Revolução Cubana, e Carolina não tinha dinheiro para ir a Cuba, foi Patrícia quem a estimulou. “Ela prometeu que me arrumaria material, mas o mais importante foi o apoio moral que ela me deu”.
Patrícia conta que se entusiasmou com Construção porque incorpora temas universais. “O filme é algo muito pessoal da Carolina. Mas ao falar de família e pátria, dialoga com o mundo todo”. A atriz conta que as duas – que estreavam na direção de documentários para cinema – conversaram muito e aprenderam juntas. "Dirigir um documentário é uma experiência muito rica. A gente se aprofunda num tema, pesquisa à exaustão, e é importante ter uma equipe para discutir muito o filme”.
 
CONSTRUÇÃO
UNIBANCO ARTEPLEX 3 -                                             28/10/2011 - 18:10 - Sessão: 613 (Sexta)
CINE LIVRARIA CULTURA 2 -                                        30/10/2011 - 19:30 - Sessão: 811 (Domingo)

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