"Febre do rato", de Claudio Assis", é o grande vencedor de Paulínia

“A gente espalha nossa cumplicidade para todos”, diz Bruna Lombardi sobre trabalhar com o marido

Alysson Oliveira

“A gente espalha nossa cumplicidade para todos”, diz Bruna Lombardi sobre trabalhar com o marido
As últimas 24 horas tem sido intensas para Bruna Lombardi. Na noite de domingo, ela apresentou Onde está a felicidade?, que estreou no 4º Paulínia Festival de Cinema. Ela assina o roteiro e protagoniza o longa. Ao lado do marido e diretor do filme, Carlos Alberto Riccelli, ela apresentou as duas sessões do filme. Na manhã de segunda, participou de uma coletiva com a imprensa, depois de um debate promovido pela AC – Autores de Cinema. Na sequência, participou de uma série de entrevistas, posou  para fotos com fãs e sequer percebeu  que não havia almoçado. “Minha vida não me pertence mais”, se diverte. Tudo está por conta do longa, que chega aos cinemas em agosto.
 
 O filme é a terceira parceria cinematográfica entre o casal – depois de SOS – Sex, Stress and Orgasm (inédito no Brasil) e O signo da cidade – e, segundo Bruna, o resultado é tão positivo que  ainda devem vir muitas outras. No set, ela confessa, não dá para esquecer que é a mulher do diretor e ser apenas a atriz do filme. “Mas isso não tem problema, pois espalhamos nossa cumplicidade que contamina a todos. Acabamos nos tornando uma grande família”, disse em entrevista ao Cineweb.
 
 Com cenas rodadas no Brasil e na Espanha, Onde está a felicidade? é a primeira comédia do casal feita no Brasil – e um roteiro pelo qual Bruna tem muito carinho. “O fato de ser atriz me ajuda muito na hora de construir os personagens. Isso me auxilia a enxergar o que há de humano neles e evitar os estereótipos. Eu escrevo baseada na observação, sentimento, emoção”. Mas ela conta que quando termina um roteiro, a atriz vem à tona e a escritora é deixada de lado. “Quando pego o roteiro para começar a pensar nas filmagens, é como se eu estivesse descobrindo a personagem.”
 
 Para Bruna, o bom roteiro é aquele que parece ter sido escrito por cada ator que interpreta seu personagem. “O bom diálogo é aquele do qual os atores se apropriam e ninguém percebe. Nesse filme tem muito disso”. 
 
Ao contrário de O signo da cidade, um drama mais intimista, rodado em São Paulo,  Onde está a felicidade? é uma comédia filmada em São Paulo, no Polo de Cinema em Paulínia e na Espanha. O objetivo da personagem de Bruna é percorrer o mítico Caminho de Santiago de Compostela. Ela sai em viagem depois de descobrir que o marido (Bruno Garcia), tem uma amante na internet. A atriz confessa que preferiu nem pensar no tamanho da produção quando se deu conta de que teria uma equipe gigantesca e filmaria em dois países.  “É melhor se jogar no trabalho, porque se a gente parar para pensar dá medo, fica assustada. Era muita gente, muito investimento, uma logística gigantesca”, explica.
 
 O filme, obviamente, é falado em português e espanhol e conta com atores dos dois países. A atriz escreveu os diálogos na língua dos personagens.  “Não precisei nem pedir ajuda para os atores espanhóis, acho que eles corrigiram só um errinho ou outro”. Diversos atores espanhóis, como Marta Larralde (Mar adentro), María Pujalte (Minha mãe gosta de mulher) e Berta Ojea (A espinha do diabo).
 
 Bruna confessa que é bastante aberta a sugestões de sua equipe, mas em um único caso ela foi impositiva: o porquinho Tito, que participa do longa. “Eu não sei o que me deu quando escrevia o filme, mas eu queria um porco andando com esse grupo de pessoas pela Espanha. Muita gente tentou me dissuadir, disse que seria complicado, daria muito trabalho. E eu disse que limpava a sujeira dele se fosse preciso, mas o porco ia ficar. Não é um luxo ter um porco espanhol? Eu queria poder trazer o bicho para o Brasil”.
 
 Agora, enquanto aguarda o lançamento de Onde está a felicidade?, Bruna espera a cerimônia de premiação do Festival, que acontece na quinta, mas já comemora a boa recepção do longa no evento. “Meu filme anterior era muito denso, triste. Eu fiz muita gente chorar. Agora, para equilibrar o mundo, preciso fazer as pessoas rirem. Mas acho que quase matei uma mulher na sessão de tanto que ela riu durante o filme. Era essa recepção que eu esperava”.

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