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“Quero contribuir mais com o cinema brasileiro”, diz Camila Pitanga

Alysson Oliveira

 “Quero contribuir mais com o cinema brasileiro”, diz Camila Pitanga
por Alysson Oliveira
Foto Daniela Nader/Divulgação
O melhor acontecimento da segunda noite do 15º CinePE não foi o longa em competição, a comédia paulista Família vende tudo, de Alain Fresnot. A atriz carioca Camila Pitanga, esbanjando simpatia e talento, recebeu uma homenagem entregue por seu pai, Antonio Pitanga, que faz parte do júri do festival. “Essa é a primeira homenagem que eu recebo na minha carreira”, explicou emocionada com o troféu Calunga de Ouro. Minutos depois, a atriz recebeu a imprensa para uma coletiva.
Recordando sua carreira, que inclui 10 longas, diversas novelas e peças, Camila lembrou que seu primeiro trabalho foi num filme de Rogério Sganzerla, O Signo do Caos. “Foi uma coisa muito diferente. Não tinha roteiro, não tive preparação, ficava brincando com uma bola e usando um vestido branco. Confesso que na hora eu não sabia muito bem da importância do diretor, só depois fui entender quem era ele”.
Em sua lista de cineastas marcantes, Camila inclui Jorge Furtado, com quem fez  Saneamento Básico, e Claudio Torres, com quem trabalhou em Redentor. Mas quem parece ter um lugar de destaque na carreira – e no coração – da atriz é a dupla Beto Brant e Renato Ciasca, com quem rodou Eu receberia as piores notícias dos seus lindos lábios, que está em fase de finalização. “Foi uma experiência única trabalhar com eles. Rodamos por dois meses no Pará e conheci muito sobre a cultura local”.
Para o futuro, Camila quer trabalhar com Luiz Fernando Carvalho (“O trabalho dele é maravilhoso, completamente autoral”) e Breno Silveira (“me encantei tanto com 2 Filhos de Francisco”). “Eu quero mesmo é me tornar atriz da Drama [empresa produtora de Brant e Ciasca] e fazer mais filmes com eles”.
Assim, Camila quer cumprir com a promessa que havia feito há pouco: “Quero contribuir mais com o cinema brasileiro. Eu comecei a trabalhar como atriz sem ter sido uma escolha. Hoje é uma paixão que me renova como ser humano”.
Curtas melhores do que longa
Na segunda noite de festival , a seleção de curtas foi bastante superior ao primeiro longa de competição. Céu, Inferno e Outras Partes do Corpo (RS),de Rodrigo John; Tempo de Criança, de Wagner Novais; Braxília (DF), de Danyella Proença; Cachoeira (AM), de Sérgio José Andrade e Café Aurora (PE), de Pablo Polo, trouxeram para a tela a qualidade e sensibilidade que tanto faltam ao filme de Fresnot, no qual uma família força a filha menor de idade (Marisol Ribeiro) a engravidar de um cantor brega (Caco Ciocler) para dar um golpe.
Vera Holtz e Lima Duarte são os pais dessa garota e arquitetam o plano para conseguir dinheiro e se livrar das dívidas. O filme tem um olhar estranho para a classe C, que trata com desdém e não pouco preconceito.
Na coletiva de imprensa, na manhã de segunda, Fresnot defendeu seu filme, dizendo que na trama há "picardia e humor que lembra a literatura de cordel nordestina", embora a história se passe na periferia de São Paulo. “É um filme muito autoral, que se afasta das comédias de sucesso. E não há um cinismo, não, é uma realidade as mães oferecendo as filhas para cantores famosos”.
 Nesse retrato de uma família amoral, como define o diretor, ele explica que espera a identificação do público com esses personagens. Para a atriz Marisol, este é "um filme é muito sincero, e pontua bem o amor e o desamor daquela família. Vender  a filha é quase um instinto de sobrevivência”.
Fresnot promete lançar seu longa em 24 de junho com distribuição da Playarte e apoio da Globo Filmes, que quer estrear em 250 cópias. Mas o diretor acredita que esse número é baixo: “Acho que o filme deve chegar a cerca de 400 salas. Creio que tem potencial para isso”.
Já os curtas, muitos deles exibidos e premiados no Festival de Brasília do ano passado, mostraram uma diversidade de temas e abordagens – que iam desde suicídio indígena, a poesia de Nicolas Behr, passando por um romance entre uma cega e um surdo e uma animação muito bem feita.
No debate hoje, Daniella, diretora de Braxília, ressaltou a importância dos festivais para a formação de público, cineastas e exibição de curtas. “Desde criança eu acompanho o Festival de Brasília. Isso me fez entrar em contato com vários tipos de cinema.”

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