Toni Venturi é o grande vencedor do CinePE

Cine PE: A noite da monga, da tromba e da meia sessão

Alysson Oliveira

Recife - A noite de quarta-feira, no Cine PE foi uma atípica para qualquer festival. Desde antes do começo das sessões, os organizadores foram avisados pelas autoridades de que estava prevista uma tromba d’água para o início da madrugada e que choveria cerca de 90mm. Além das chuvas incessantes, somou-se a isso um trauma de mais de 35 anos, quando Recife ficou praticamente submersa pelo transbordamento do Rio Capibaribe.
Na noite de ontem, esse trauma deve ter tomado conta da população, que em massa abandonou o Cine Teatro Guararapes – depois de ter sido avisada da possível chuva. A falta de tato dos organizadores contribuiu para debandada entre a sessão de seis curtas e o longa. As luzes foram acesas antes do final dos créditos do único filme pernambucano da noite, Corra, Monga, corra, de Petrônio de Lorena, o que causou uma justificável indignação do público, com vaias contra a apresentadora do festival, Graça Araújo.
Após o incidente, boa parte da platéia revoltada abandonou o cinema. Quando o diretor do longa da noite, Toni Venturi, e sua equipe subiram ao palco para apresentar Estamos juntos, a sala estava quase vazia - especialmente se comparada à lotação de poucos minutos antes.
A sessão estava prevista para acabar em torno de 23h15, mas um problema no projetor atrasou ainda mais o início, e, por fim, foi cancelada. A projeção de Estamos juntos deve acontecer na noite de hoje, além de outro seis curtas, e do longa Casamento Brasileiro, além de uma homenagem à montadora Vânia Debs. A programação completa do último dia de competição do Cine PE gira em torno de 5 horas – e deve acontecer com ou sem uma possível tromba d’água. E quanto à de ontem: uma chuva, não mais forte daquelas dos outros dias, caiu por volta das 2h da madrugada.
A meia sessão
A meia sessão de ontem exibiu seis curtas, e o melhor deles era exatamente o pernambucano Corra, Monga, corra, uma história intrigante sobre uma mulher-macaca que persegue homens, comete crimes sexuais contra eles e os mata. Num misto de filme trash e noir, o curta de Petrônio de Lorena é divertido e criativo, com ótimas soluções visuais e diálogos bem sacados.
O belo O som e o tempo, de Petrus Cariry, faz um retrato de contrastes sobre uma vida tranquila, mas solitária e melancólica, em contrapartida  ao caos de concreto da cidade. O diretor, que tem em seu currículo o longa O Grão, faz um filme perspicaz e relevante, pontuado por uma poética.
A competição contou também com os paulistas Flash, de Alison Zago; Tempestade, de César Cabral; o brasiliense Falta de Ar, de  Ércio Monnerat; e o paraense Matinta, de Fernando Segtowick.

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