Toni Venturi é o grande vencedor do CinePE

"Estamos Juntos" destaca-se como favorito no Cine PE

Alysson Oliveira

"Estamos Juntos" destaca-se como favorito no Cine PE
Recife - Depois da confusão da noite de quarta-feira, Estamos juntos, novo longa de Toni Venturi, foi apresentado na quinta, numa longuíssima sessão que incluiu seis curtas e outro filme em competição, Casamento Brasileiro, de Fauzi Mansur. O filme do cineasta paulista se destaca como o favorito a diversos prêmios no festival – como filme e atriz, para Leandra Leal.
 
Em Estamos juntos, Leandra é uma médica residente que se descobre com um câncer no cérebro. Ao mesmo tempo, é convidada a fazer um trabalho voluntário preventivo com ocupantes de um prédio no centro da cidade de São Paulo. Roteirizado por Hilton Lacerda, o longa coloca lado a lado o drama pessoal da personagem e o drama coletivo daquelas pessoas que procuram não apenas um lugar para morar, mas também uma vida mais digna.
 
É só com essas pessoas, lideradas pela personagem de Dira Paes, que a médica vai encontrar amizades verdadeiras. Cauã Reymond faz o melhor amigo da moça, um gay, e os dois disputam o amor e atenção de um músico, interpretado pelo argentino Nazareno Casero.
 
Na coletiva do filme, na manhã seguinte, Venturi contou que começou o projeto do filme quando fez o documentário Dia de Festa, sobre a ocupação de prédios abandonados em SP pelo Movimento dos Sem-Teto do Centro (MSTC). “Utilizamos até imagens do Dia de Festa em algumas cenas deste filme, o que acaba embaralhando o real e ficcional”. O longa será distribuído pela Imagem Filmes e deve chegar aos cinemas em 17 de junho.
 
Quando escalou seu elenco, Venturi explica ter procurado "atores que tivessem atitude e talento". “Era um desafio enorme para Leandra Leal construir uma personagem contida, mas cheia de humanismo. "O ator preferido para mim é aquele que se arrisca.” A atriz não pode participar do festival, pois está estudando em Nova York.  
 
O pernambucano Hilton Lacerda assina o roteiro, o que marca a primeira colaboração com Venturi. Para ele, foi uma experiência diferente em sua carreira que inclui filmes como Amarelo Manga e A festa da menina morta. “Não era um filme de micronarrativas, como os outros que fiz até agora, nele tudo era macro. O nosso desejo era fazer um filme com apelo para o público, sem deixar de ser reflexivo”.
 
Se Estamos juntos teve uma boa acolhida no festival, Um Casamento Brasileiro, do veterano Fauzi Mansur, não teve a mesma recepção. Este diretor veteranos, que não filma há duas décadas, apresentou uma comédia rural ingênua, cuja exibição foi marcada pela falta de qualidade de imagem – não por conta do festival, mas pela baixa definição da cópia digital enviada para o evento.
 
Esse, no entanto, não é o problema do filme que, para alguns críticos após a sessão, parece ser bom "para passar no rádio", por conta do seu excesso de narração reiterativa. Uma corrente vê isso, porém, como qualidade, e a ingenuidade visual e narrativa seria um retorno ao cinema da década de 50 e 60. O longa é baseado numa história real que mostra um homem que viaja de lambreta por cidades do interior, promovendo casamentos coletivos.  Ele se chama Alan Pierrot é interpretado pelo comediante Nelson Freitas, que participa do humorístico Zorra total.
 
Numa dessas viagens, ele conhece uma jovem (Nivea Stellman) por quem se apaixona, mas acaba obrigada a se casar com um sujeito escolhido pelo pai. A história é desvendada por Dario (Sidney Sampaio), um jovem que recebe rolos de filmes feitos por seu pai, cinegrafista do casamenteiro. Com a ajuda de uma médica (Barbara Borges), o rapaz tenta reencontrar Pierrot e reunir o casal.
 
Segundo Mansur, que nas últimas décadas viveu dos lucros de sua pousada em Ubatuba, ele pretende lançar o longa no segundo semestre. “Estamos esperando um apoio de um edital para lançar em 400 ou 500 cópias, e deve fazer um público em torno de 3 ou 6 milhões de ingressos. Se não tivermos esse recurso, contamos apenas com a distribuidora, a California Filmes, e vamos lançar com umas 100 cópias. Mas daí deve fazer apenas algo entre 800 mil e 1 milhão de ingressos”, acredita.
 
Quando recebeu o convite de Mansur para atuar no filme, Nivea Stelmann, presente no festival , disse ter ficado apreensiva por conta dos filmes que fizeram a fama do diretor – pornochanchadas, como O inseto do amor. Já Barbara Borges disse que teve de pesquisar no Google para descobrir quem é Mansur. “Antigamente a gente ia à biblioteca, mas hoje usa a internet”.

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