O Oscar da diversidade e do constrangimento


Oscar da diversidade vive momento tenso com descontrole de Will Smith

Neusa Barbosa
Afinal, a noite de premiação da 94ª edição do Oscar revelou poucas surpresas em termos das estatuetas, mas teve seu momento mais constrangedor numa altercação envolvendo Will Smith e o comediante Chris Rock. Rock levou um tapa na cara de um furioso Smith, que levantou de sua cadeira e partiu para cima do palco do Dolby Theater por não gostar da brincadeira de Rock envolvendo sua mulher, Jada Pinkett Smith - ela sofre de alopecia e Chris ironizou que ela poderia estrelar Até o Limite da Honra II, filme de 1997 em que Demi Moore interpretava uma fuzileira naval que raspava os cabelos. 

Will Smith chora ao receber o Oscar de Melhor Ator, após cena de agressão contra Chris Rock
 
Quando Smith subiu ao palco de novo, pouco depois, para colher sua estatueta como melhor ator em King Richard: Criando Campeãs, ele se esforçou para desfazer o clima, pedindo desculpas. Mas o mal estava feito. A cena viralizou nas redes e certamente não será esquecida tão cedo.
 
Vitórias da diversidade
Será totalmente injusto, porém, se se lembrar da cerimônia da 94ª edição apenas por isso. Porque o que mais saltou à vista foram premiações que colocaram em evidência a procurada diversidade que a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood tanto tem alardeado. Ao final da noite, foram premiados dois atores negros (além de Smith, Ariana DeBose colheu o de atriz coadjuvante, por Amor, Sublime Amor, com um discurso que lembrou que ela era a
 

Ariana DeBose recebe o Oscar de atriz coadjuvante

primeira afro-americana abertamente gay a ganhar uma estatueta), um ator surdo (Troy Kotsur, por No Ritmo do Coração, na categoria principal, também um feito inédito) e a terceira mulher a vencer na direção, a neozelandesa Jane Campion por seu potente Ataque dos Cães, fazendo história também por se tratar de uma vitória feminina nesta categoria em dois anos consecutivos (ano passado, Chloe Zhao venceu por Nomadland). O fato de o grande vencedor da noite, um drama sobre uma família de surdos, No ritmo do coração, também dirigido por uma mulher, Sian Heder, dono dos troféus de melhor filme e roteiro adaptado, encaixa-se também dentro desta percepção de uma sintonia com um mundo mais diverso e plural.

Se se esperavam mais discursos mencionando a guerra da Ucrânia, isto não aconteceu. A menção ao tema limitou-se à aparição da atriz Mila Kunis, nascida naquele país, e que pediu um minuto de silêncio em apoio à sua pátria. 
 
Omissões 
Na análise das habituais omissões, causa estranheza que um filme extraordinário como Ataque dos Cães, um dos campeões em indicações, com 12, tenha colhido apenas uma, embora importantíssima, premiação, comparando-se com outro campeão, Duna, de Denis Villeneuve, que conquistou nada menos do que seis de suas dez (todas técnicas, é verdade): som, fotografia, trilha original, montagem, desenho de produção e efeitos visuais. Outro filme bem
 

Jane Campion vence na categoria de melhor direção

indicado, Belfast, de Kenneth Branagh, que tinha sete, teve que contentar-se com apenas uma, roteiro original - um prêmio que cairia melhor ao delicioso Licorice Pizza, de Paul Thomas Anderson (que mereceria outras indicações), Não Olhe para Cima, de Adam McKay ou A Pior Pessoa do Mundo, de Joachim Trier.

Por outro lado, caiu muito bem ao esplêndido drama japonês Drive my Car, de Ryusuke Hamaguchi, o Oscar de filme internacional, embora caísse melhor ainda se acumulasse o de roteiro adaptado, dada a extraordinária ampliação feita por Hamaguchi e Takamasa Oe de um conto do compatriota Haruki Murakami. 
 
Vencedor de dois Oscars, melhor atriz para Jessica Chastain - em sua terceira indicação - e maquiagem e cabelos, o drama Os Olhos de Tammy Faye, de Michael Showalter, finalmente poderá ser conferido no Brasil a partir de 6 de abril, quando será lançado no streaming pela Star+. Jessica interpreta uma famosa televangelista, Tammy Faye Bakker, famosa nos EUA nas décadas de 1970 e 1980. 
 
Abaixo, a lista dos premiados:
 
Atriz coadjuvante
Ariana DeBose, por Amor, Sublime Amor
 
Som
Duna
 
Fotografia
Duna (Greig Fraser)
 
Curta documental
The Queen of Basketball, de Ben Proudfoot
 
Efeitos Visuais
Duna
 
Longa de animação
Encanto, de Jared Bush, Byron Howard e Charise Castro Smith
 
Curta de animação
The Windshield Wiper, de Alberto Mielgo
 
Ator coadjuvante
Troy Kotsur, por No Ritmo do Coração
 
Filme Internacional
Drive my Car, de Ryusuke Hamaguchi (Japão)
 
Curta Live Action
The Long Goodbye, de Aneil Karia
 
Figurino
Cruella (Jenny Beavan)
 
Roteiro Original
Belfast (Kenneth Branagh)
 
Roteiro Adaptado
No Ritmo do Coração (Sian Heder)
 
Trilha Original
Duna
 
Montagem
Duna (Joe Walker)
 
Documentário (longa)
Summer of Soul (ou Quando a Revolução não Pode ser Televisionada), de Questlove
 
Maquiagem e Cabelos
Os Olhos de Tammy Faye
 
Desenho de Produção
Duna
 
Canção Original
No Time to Die (Billie Eilish e Finneas)
 
Atriz
Jessica Chastain, por Os Olhos de Tammy Faye
 
Ator
Will Smith, por King Richard - Criando Campeãs
 
Direção
Jane Campion, por Ataque dos Cães
 
Filme
No Ritmo do Coração, de Sian Heder

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