A consagração de "Nomadland"


Oscar consagra "Nomadland"

Neusa Barbosa
Neste ano pandêmico, com uma cerimônia dividida em três cidades e marcada por diversos protocolos sanitários - o que encurtou a cerimônia -, o Oscar consagrou o franco favorito, o drama Nomadland, de Chloé Zhao, fazendo história pela premiação de uma diretora, pela segunda vez nos 93 anos do Oscar e pela primeira para uma chinesa. O filme também premiou Frances McDormand com seu terceiro Oscar de melhor atriz, aqui no papel de uma viúva que percorre os EUA para assumir empregos temporários, assim como outros sexagenários, num retrato vívido e pungente da contemporaneidade do trabalho precário. O filme, que teve sua estreia em abril adiada pela pandemia, continua inédito no circuito de cinema e streaming no Brasil.
 
Frances havia vencido antes como melhor atriz em Fargo e Três anúncios para um crime e assim iguala o número de estatuetas de um seleto grupo de atores triplamente premiados, como Meryl Streep, Jack Nicholson, Daniel Day-Lewis, Ingrid Bergman e Walter Brennan, embora a campeã absoluta continue sendo Katharine Hepburn, com quatro, todos de melhor atriz (Meryl, na verdade, tem só um como atriz principal e dois como coadjuvante). Frances, afinal, conquistou um quarto Oscar, mas por ser produtora de Nomadland, vencedor como melhor filme.
 
No mais, a premiação 2021 distribuiu bem seus prêmios, concedendo dois para diversos filmes (Meu PaiA Voz Suprema do BluesSoul, Mank - que havia sido campeão de indicações, com 10 - Judas e o Messias Negro e O Som do Silêncio, marcando um equilíbrio e também uma atenção especial na diversidade, o que pode ser um sinal de que uma ampliação qualificada do corpo de votantes esteja dando resultados. Observa-se, por exemplo, que, dos quatro atores premiados, quatro são estrangeiros,  um inglês (Daniel Kaluuya), um galês (Anthony Hopkins) e uma sul-coreana (Yuh-Jung Youn, primeira vez na história, embora não a  primeira asiática); um deles é negro (Kaluuya), outra, asiática (Youn);  e não se temeu premiar atores mais velhos – Frances tem 63 anos, Yuh-Jung, 73 e Hopkins, 83.
 
Das surpresas, talvez a maior foi a não-premiação póstuma para Chadwick Boseman como melhor ator, que acabou ficando para o octogenário Anthony Hopkins, vencendo uma estatueta 20 anos depois de O Silêncio dos Inocentes.  
 
Além da vistosa premiação para a diretora Chloé Zhao que, aos 39 anos e no terceiro longa (antes, assinou Songs my brothers taught me e Domando o Destino, disponíveis no streaming), ganha um poderoso estímulo à sua carreira, as mulheres também marcaram presença em outras estatuetas. A de roteiro original ficou para Emerald Fennell, por Bela Vingança, também ainda inédito);  o de figurino, para Ann Roth (A Voz Suprema do Blues); as duas compositoras da letra da vencedora canção original, Fight for You, H.E.R. e Tiara Thomas (compartilhando a música com D’Mile); a codireção do documentário em longa Professor Polvo, de Pippa Ehrlich e James Reed; duas das três integrantes do time vencedor de Cabelo e Maquiagem pelo filme A Voz Suprema do Blues, pela primeira vez duas mulheres negras, Mia Neal e Jamika Wilson, ao lado do latino Sergio López Rivera.
 
 
Abaixo, a premiação completa desta edilção:
 
Melhor filme: Nomadiland
Melhor direção: Chloé Zhao (Nomadland)
Melhor atriz: Frances McDormand (Nomadland)
Melhor ator: Anthony Hopkins (Meu Pai)
Melhor ator coadjuvante: Daniel Kaluuya (Judas e o Messias Negro)
Melhor atriz coadjuvante: Yuh-Jung Youn (Minari – em busca da felicidade)
Melhor roteiro adaptado: Meu Pai (Christopher Hampton e Florian Zeller)
Melhor roteiro original: Bela Vingança (Emerald Fennell)
Melhor filme internacional: Druk – Mais uma rodada, de Thomas Vinterberg (Dinamarca)
Melhor cabelo e maquiagem: A Voz Suprema do Blues (Mia Neal, Jamika Wilson e Sergio López Rivera)
Melhor figurino: A Voz Suprema do Blues (Ann Roth)
Melhor som: O som do silêncio
Melhor curta live action: Dois estranhos, de Travon Free e Martin Desmond Roe
Melhor curta de animação: Se algo acontecer... te amo, de Will McCormack e Michael Govier
Melhor curta documentário: Colette, de Anthony Giacchino
Melhor animação: Soul, de Pete Docter
Melhor documentário: Professor Polvo, de Pippa Ehrlich e James Reed
Melhores efeitos visuais: Tenet
Melhor desenho de produção: Mank
Melhor fotografia: Mank
Melhor montagem: O som do silêncio
Melhor trilha original: Soul
Melhor canção original: Fifght for You (Judas e o Messias Negro)
Oscar honorário: Tyler Perry
 
(Texto atualizado em 26/4/2021, às 10h59)
 
 
Imagem: Chris Pizzello-Pool/Getty Images

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