Entrevistas

Glória Pires estreia como produtora em filme “policial introspectivo”

Por Alysson Oliveira

Publicado em 15/06/22 às 10h49

    Glória Pires e Pedro Peregrino no set de "A suspeita" (Foto: Divulgação/Desire?e do Valle)

“Esse não é um filme tiro, porrada e bomba”. Assim define Glória Pires, que protagoniza e assina como produtora o longa A Suspeita, que lhe rendeu o prêmio de interpretação feminina no Festival de Gramado de 2021. No filme ela é Lúcia, uma comissária da polícia civil que é diagnosticada com Alzheimer precoce e, ao mesmo tempo, se torna a principal suspeita num caso que seria seu último trabalho.
 
“É um filme mais introspectivo, usa elementos do gênero, mas surpreende o espectador com os caminhos inesperados do drama pessoal da própria personagem, que precisa lutar pela sua vida, sua sanidade”, explica a atriz em entrevista ao Cineweb.
 
Glória foi convidada para o filme em 2017, quando era apenas um argumento, nem havia roteiro havia. O convite partiu do diretor Pedro Peregrino, estreante em cinema com esse longa e com quem ela já havia trabalhado na novela Babilônia, em 2015. “Era uma personagem muito boa, muito desafiadora. Não é todo dia que aparece alguém como a Lúcia para a gente.”
 
Entre o convite e a filmagem, em 2018, a dupla conta que pode amadurecer o material e a personagem, enquanto o roteiro estava sendo feito. “Eu queria a participação dela em todas as etapas”, comenta Peregrino sobre quando Gloria entrou também como produtora no projeto. “Foi uma parceria muito grande. Ela tem muita experiência em cinema e televisão, e isso tinha de ser aproveitado ao máximo. Imagina você ter alguém como a Glória Pires te ajudando a criar um filme?”, diz o cineasta.
 
“Sendo atriz, você é a última a chegar e a primeira a sair, quando terminam as filmagens. Antes teve a pré-produção, depois tem todo o processo de montagem, que você não acompanha. Só vai ver o filme pronto. Como produtora, acompanhei tudo e gostei muito”, destaca a atriz.
 
Agora também produtora, Gloria confessa que sempre teve curiosidade sobre os bastidores de gravações, tanto da televisão como do cinema, e prestou muita atenção nas equipes técnicas ao longo de sua carreira, que já tem mais de 50 anos. Tanto gosto tomou pelos bastidores, que prepara seu primeiro longa como diretora. Ela diz que ainda é muito cedo para contar detalhes. “Eu já buscava projetos, mas acho que só agora encontrei um especial.”
 
“Um sopro de vida” – Lúcia, define Glória, é uma figura repleta de nuances e, por isso, foi necessário um trabalho bastante específico – especialmente por conta do Alzheimer, que ela descobre e coloca em xeque seu trabalho, e até a si mesma.
 
“Trabalhamos muito próximos, Pedro e eu, para encontrarmos essa mulher. Eu já tinha confiança nele desde a novela que fizemos em 2015. E depois do filme ainda fizemos Éramos Seis [que foi ao ar entre 2019 e 2020]”.
 
Ela explica que, em suas pesquisas para a personagem, descobriu que o Alzheimer se manifesta de maneiras muito diversas em cada pessoa. “Tivemos uma neurologista nos acompanhando, dando assessoria o tempo todo, para criar a Lúcia de maneira verossímil. Também ajudou muito o livro da Diana Friel [Mcgowin, Vivendo no Labirinto], que foi diagnosticada muito jovem. Esse relato em primeira pessoa, ela mesma contando suas experiências, foi fundamental para o filme. A toda hora, quando tinha uma dúvida, a gente recorria ao livro.”
 
Depois da rodagem, no final de 2018, A Suspeita ficou um ano no processo de pós-produção, que Glória define como perfeito para amadurecer a narrativa, que encontrou seu tempo certo nas mãos da montadora Joana Collier. Quando o longa estava pronto, veio a pandemia, o que adiou a estreia. A primeira exibição aconteceu no Festival de Gramado do ano passado, que foi de maneira remota, com as sessões dos longas em competição exibidas pelo Canal Brasil.
 
Nem Peregrino nem Glória vêem a estreia do longa numa sessão na televisão como um problema. “Para mim, foi incrível o convite para abrir o festival”, conta o diretor. “Além disso, o filme pode chegar a muito mais gente do que chegaria se estivesse sendo exibido presencialmente apenas em Gramado”.
 
Glória, por sua vez, ganhou pela primeira vez um Kikito como atriz em Gramado. Em 2013, ela ganhou um Troféu Oscarito no Festival, pelo conjunto de sua obra. “Receber o prêmio como atriz, por um trabalho específico que você fez, é uma alegria ainda maior. Foi uma surpresa muito grande, um sopro de vida.”
 
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Alysson Oliveira

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