Entrevistas

Animação chama a atenção para identidade brasileira e importância da memória

Por Alysson Oliveira

Publicado em 16/03/22 às 10h48

 
 
A obra da pintora modernista Tarsila do Amaral tem, por natureza, algo de lúdico, o que propicia um diálogo com o público infantil. Seu colorido quente e as figuras divertidas parecem pedir para ganhar vida na tela de cinema – e é o que acontece na animação brasileira Tarsilinha, dirigida por Celia Catunda e Kiko Mistrorigo. A ideia para o longa partiu de Tarsilinha do Amaral, sobrinha-neta da artista e, desde 2006, a diretora e o diretor trabalham no filme.
 
“Fizemos uma ampla e minuciosa pesquisa sobre a obra da Tarsila, desconstruindo as principais obras das fases Pau-Brasil e Antropofágica. Ficamos diante de uma série de elementos e personagens, o que nos trouxe uma enorme responsabilidade para usar toda essa matéria-prima incrível”, explica Mistrorigo sobre como o início do projeto.
 
Catunda, por sua vez, recorda que a ideia sempre foi fazer um filme que levasse a obra de Tarsila para o cinema e chegasse ao púbico infantil. Para isso, contavam com várias possibilidades. “A obra da Tarsila tem um lado muito lúdico e inspira diversas narrativas. Isso por si só já atrai as crianças e as aproxima do universo das artes. Nós tivemos a sorte e o privilégio de contar com essa matéria-prima para o filme! Justamente por isso, quisemos ir muito além da ideia de animar os quadros. Nossa intenção foi dar vida a este universo, criar personagens fortes e uma história instigante, conectada ao pensamento modernista, à valorização da memória, da brasilidade e da nossa identidade.”
 
Tarsilinha conta a história de uma menina, cuja mãe perde a memória depois de um vendaval que carrega diversos objetos da infância e juventude da mulher. Tentando recuperar as coisas, para que a mãe volte a se lembrar inclusive dela, a menina vai parar numa terra encantada, habitada por figuras peculiares – as mesmas que povoam diversos quadros de Tarsila, como um sapo redondinho, uma lagarta, um macaco falador, o Saci Pererê entre outros seres.
 
 
     Kiko Mistrorigo e Celia Catunda assinam a direção de "Tarsilinha". (crédito: Carol Moraes/Divulgação)

 
“A intenção sempre foi criar uma aventura onde vários conceitos e os ideais ligados ao Modernismo e, principalmente à vida da artista, estivessem presentes. A história foi tomando corpo e os conceitos de memória, identidade e coragem foram se entrelaçando. O filme é uma grande homenagem à artista. É uma jornada onde o público vai se divertir, se emocionar e poder mostrar às crianças que temos um Brasil muito bonito, que anda escondido e que precisa voltar a aflorar. A nossa cultura precisa ser muito mais valorizada e devidamente apresentada às novas gerações”, complementa o diretor.
 
Parceiros em diversos trabalhos, como em O Peixonauta e o televisivo Show de Luna, Catunda e Mistrorigo veem como natural o trabalho a quatro mãos. “A direção de um filme é um processo quase infinito de escolhas. Quando são duas cabeças, estas escolhas sempre levam a debates e argumentações enriquecedoras. Não basta você tomar uma decisão, você precisa comparar com outros caminhos e olhar as coisas com o olhar do outro. Muitas vezes são as discordâncias que nos levam às soluções mais inusitadas e originais”, declara a diretora.
 
Atualmente, a dupla está na fase inicial da produção de Nihonjin, adaptado do livro de mesmo nome de Oscar Nakasato que se transformará em longa. “O filme conta a história de uma família de imigrantes japoneses no Brasil, do ponto de vista de uma criança. É um filme sobre imigração e identidade cultural. Além disso, estamos iniciando a temporada 8 do Show da Luna! e em breve vamos começar a segunda temporada da série Charlie, o Entrevistador de Coisas.”
 
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Alysson Oliveira

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