Entrevistas

Ugo Giorgetti entre o documentário e a ficção

Por Alysson Oliveira

Publicado em 22/09/21 às 13h04

 Ugo Giorgetti, no cinema Petra Belas Artes, em São Paulo (Crédito: Marcos Finotti/Divulgação)

Apesar da forte presença de São Paulo, quase como um personagem em alguns de seus filmes, o cineasta Ugo Giorgetti não se considera um cronista da cidade. Para ele, a importância dela está no fato de ser onde situa seus personagens no mundo. Estreando essa semana nos cinemas com a ficção Dora e Gabriel, no entanto, duas dessas figuras estão situadas mais precisamente no porta-malas de um carro, onde são confinadas, durante um assalto. Nessa entrevista, o diretor e roteirista fala sobre esse filme, e também sobre Paul Singer – Uma utopia militante, que estreou no Festival É Tudo Verdade, em abril passado, e se tornou um dos maiores sucessos do evento. O documentário sobre o professor austríaco radicado no Brasil e fundador da economia solidária busca agora um canal para ser exibido.
 
Em seus filmes, o senhor é praticamente um cronista da cidade de São Paulo. Como vê a cidade atualmente, comparada com quando o senhor começou a fazer cinema?
Não me considero, nem sou, um cronista da cidade de São Paulo. Ela é importante pelo fato de que é nela  que situo meus personagens. De qualquer maneira, teria de situá-los no mundo e na história.  Por que não em São Paulo, cidade na qual vivo desde que nasci?
 
A ideia para “Dora e Gabriel”  veio de alguma situação real?
Em parte veio de uma situação real, que me contaram há uns 40 anos, mais ou menos. Ficou vagando pela minha cabeça desde então e acabou tomando forma em 2019, com alguma colaboração da  minha imaginação.
 
Como é a questão técnica de rodar um filme no qual, em boa parte do tempo, os personagens estão fechados num porta-malas?
A questão técnica de filmar não é complicada. O roteiro é. É  lá, no roteiro, que está o fundamental  para um filme especial e diferente do usual. Isso me deu muito trabalho. As dificuldades eventuais da filmagem foram solucionadas pela confecção de um falso porta-malas, preparado especialmente para a filmagem.
 
Como foi a preparação do elenco para esse filme? Em especial a situação de atuar em um espaço tão fechado?
Nada de muito especial. Oitenta por cento da preparação de um elenco depende da escolha dos atores. Não adianta preparar atores errados para o papel, por melhores que sejam. É preciso ter os atores certos o que é outra coisa. Acho que acertei nos dois atores, e no que podiam dar ao filme.
 
 Natalia Gonsales e Ary França, em cena, no porta-malas, em Dora e Gabriel (Crédito: Divulgação)
 
Agora, falando sobre o documentário “Paul Singer – Uma Utopia Militante”, o quanto o senhor conhecia o Singer, sua obra e seu pensamento antes de fazer o filme?
Não conhecia o professor pessoalmente e nunca cheguei mesmo a conhecê-lo propriamente. O filme é baseado numa longa entrevista que concedeu anos atrás a um grupo de admiradores. Conhecia seu pensamento de forma geral, como todo cidadão medianamente preparado.
 
O documentário fez um enorme sucesso no festival “É Tudo Verdade”, inclusive foram liberados mais acessos do que o previsto. O senhor ficou surpreso com a procura pelo filme? Imaginava que havia tanta gente interessada na figura do professor?
Esperava exatamente o que aconteceu. Estamos nesse momento lutando com canais de televisão, streaming  etc, para fazê-los ver o que o público do festival já indicou. 
 
O que o senhor descobriu sobre o Brasil fazendo esse filme?
Descobri certos eventos do passado que conhecia pouco. O maior mérito desse filme é ser uma história do século XX político e social, visto a partir de S.Paulo.
 
Está trabalhando em algum próximo projeto?
Estou trabalhando, ainda de forma inicial, num grande documentário sobre a Portuguesa de Desportes, tradicional clube de São Paulo, precioso para se entender a cidade e suas transformações ao longo do século XX.
 
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Alysson Oliveira

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