Celulóide Digital

Liberdade para Jafar Panahi

Por Neusa Barbosa em 22/12/2010

Jafar Panahi, o cineasta iraniano, foi preso novamente. Desta vez, condenado a 6 anos de prisão e 20 anos de silêncio artístico, impedido de produzir e dirigir filmes, o que é a sua vida e a sua profissão.
 
É inaceitável o que acontece em termos de liberdade de opinião no Irã. Não podemos nos calar diante deste crime, desta prisão, que lembra os piores momentos da história do mundo, de todas as ditaduras.
 
O autor de filmes como O Círculo (em que deu face à discriminação das destemidas mulheres iranianas, ameaçadas inclusive do primitivo apedrejamento); Fora do Jogo, em que mostrou que as mulheres sequer podem torcer em estádios de futebol naquele país (!); Ouro Carmim, em que revelou poderosas contradições sociais e econômicas num país em que o debate político é sufocado pelo fundamentalismo religioso; O Balão Branco, síntese poética na história de uma criança; este homem não pode ser calado à força, nem mantido prisioneiro, nem impedido de deixar o seu país, nem levado a repetir a greve de fome a que recorreu no primeiro semestre de 2010, quando já havia sido levado à prisão. E isto apenas por fazer parte do movimento de oposição ao atual governo Mahmoud Ahmadinejad, fantoche populista de um conselho de aiatolás reacionários.
 
Se os foros políticos hesitam (e aí o Brasil também pode ser cobrado), pelo menos os foros culturais já estão se mobilizando para que a prisão de Jafar não caia no esquecimento, nem ele seja vítima de uma conspiração do silêncio – fácil de acontecer num mundo em que a mídia é obcecada pelo imediato e a celebridade fútil.
 
O Festival de Berlim, que acontece em fevereiro de 2011, já convidou o cineasta para ser seu jurado. Seu provável impedimento se tornará, então, pedra de toque de uma movimentação internacional pela sua libertação imediata. Todos os outros festivais do mundo poderiam fazer o mundo. Todas as associações de diretores, atores, produtores, roteiristas, técnicos cinematográficos de todo o mundo deveriam pensar em como premiá-lo, lembrá-lo, homenageando-o com retrospectivas e o que mais se puder criar em favor de sua liberdade. Que é, afinal, a liberdade de todos nós.
 
Soltem Jafar já!

Deixe seu comentário:

Imagem de segurança