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Saudades de Lina

Por Neusa Barbosa em 09/12/2021

Lina Wertmuller partiu nesta quinta-feira (9/12), aos 93 anos e deixou como legado muito mais do que a façanha de ter sido a primeira mulher indicada ao Oscar de direção, em 1975, pelo magistral Pasqualino Sete Belezas, um mergulho doce-amargo nos meandros do fascismo italiano. Ela não ganharia nem esse Oscar, nem o de roteiro original, para o qual foi também indicada, mas isso não a impediu de tornar-se uma grande cineasta, com assinatura e personalidade, que foi assistente de Fellini em sua obra-prima, 8 e1/2 mas saiu-lhe da sombra e percorreu seu próprio caminho.
 
Percorrer seus filmes, desde o primeiro e ainda pouco conhecido I Basilischi (1963), que lhe valeu um prêmio de direção em Locarno, é frequentar um universo com carne, sangue, humor e inteligência. Amor e Anarquia, Por Um Destino Insólito, Dois Perdidos numa Noite de Chuva, todos esses títulos formam parte da melhor herança ficcional da inquieta diretora.
 
As mulheres, como ela bem sabia, mas nunca lamentava, costumam ser invisibilizadas nesta arte, como em outras. Ela preferia continuar trabalhando, produzindo 33 longas em 60 anos de carreira. Seu último trabalho, em 2014, foi um curta documental (Roma, Napoli, Venezia…. in un crescendo rossiniano). Agora, ela ocupa seu merecido lugar no céu de estrelas onde a receberá de braços abertos outro anjo do cinema, Agnès Varda.

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