Celulóide Digital

Os melhores de 2020, um ano em que vivemos em perigo

Por Neusa Barbosa em 31/12/2020

Então, chegamos ao último dia deste feroz 2020. A boa notícia é que sobrevivemos, nós que ainda estamos aqui. Bem a tempo de nos lembrarmos dos mais de 190.000 mortos pela covid-19 aqui no Brasil que não mais estão – um minuto de silêncio pra eles. E pra todos os que nos deixaram em 2020, como o Pantera Negra Chadwick Boseman. Wakanda Forever!
 
Mas o que todo mundo espera agora é o balanço deste ano tão atípico, em que as telas de cinema fecharam e os festivais se recolheram às plataformas online – que foram o refúgio das nossas retinas ávidas neste ano cruel e desafiador. Apesar de tudo, houve muitos filmes para ver nos festivais online – que, com o recurso, aumentaram seu alcance e seu público – e no streaming. Não foi tão bom ver tanta coisa nas telinhas da televisão ou do computador, mas o importante é que a arte audiovisual permaneça viva e forte.
 
Então, tem aquilo que todo mundo gosta, lista dos melhores do ano – eu, nem tanto, fico sempre aflita com essas listas, sempre acho que estou deixando algo importante de fora. Mas vamos a elas. Aquilo que mais me apaixonou neste ano em que vivemos em perigo e à flor da pele:
 
Brasileiros
Num ano em que o governo federal fez de tudo para prejudicar os artistas e castigou severamente o cinema nacional paralisando todas as políticas públicas que o mantiveram funcionando, sendo ativo, vigoroso e premiado mundo afora nas últimas décadas – sem contar o criminoso descaso com a Cinemateca Brasileira -, por incrível que pareça, os títulos nacionais foram muitos e muito bons. Aqueles que mais tocaram meu coração e minha cabeça estão aqui (15, como sempre, mais três menções, eu nunca consigo fechar só 10), e que felicidade que oito deles são dirigidos ou co-dirigidos por mulheres:
 
Pacarrete, de Allan Deberton
Sertânia, de Geraldo Sarno
Dentro da minha pele, de Toni Venturi e Val Gomes
Todos os mortos, de Marco Dutra e Caetano Gotardo
Emicida: AmarElo, é tudo pra ontem, de Fred Ouro Preto
Fim de festa, de Hilton Lacerda
Fico te devendo uma carta sobre o Brasil, de Carol Benjamin
Niède, de Tiago Tambelli
O barco, de Petrus Cariry
A febre, de Maya Da-rin
Mulher oceano, de Djin Sganzerla
Três verões, de Sandra Kogut
Maria Luiza, de Marcelo Díaz
Meio-irmão, de Eliane Coster
Alice Junior, de Gil Baroni
 
Menções honrosas: Indianara, de Marcelo Barbosa e Aude Chevalier-Beaumel, Vaga Carne, de Grace Passô e Zona Árida, de Fernanda Pessoa
 
 
Estrangeiros
Aí, selecionei 15, seis dirigidos ou co-dirigidos por mulheres, inclusive uma promissora estreia vinda da Costa Rica (O despertar das formigas), país de produção pequena e que a gente não costuma ver nas telas:
 
Você não estava aqui, de Ken Loach
Amazing Grace, de Alan Elliott e Sidney Pollack
Honeyland, de Ljubo Stefanov e Tamara Kotevska
Corpus Christi, de Jan Komasa
Alice Guy-Blaché, de Pamela Green
O despertar das formigas, de Antonella Sudassassi Furniss
O pai, de Petar Valcharov e Kristina Grozeva
A portuguesa, de Rita Azevedo Gomes
Uma vida oculta, de Terrence Malick
Retrato de uma jovem em chamas, de Céline Sciamma
A voz suprema do blues, de George C. Wolfe
Doce entardecer na Toscana, de Jacek Borcuch
Swallow, de Carlo Mirabella-Davis
Crip Camp, de Nicole Newton e James Lebrecht
Meu extraordinário verão com Tess, de Steven Woudelood

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