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O nome é Connery, Sir Sean Connery

Publicado em 16/12/04 às 13h05

imagem Todas as verdades por trás do agente secreto mais famoso do mundo estão para ser reveladas. O astro escocês Sean Connery assinou, no final de 2004, um contrato de sete dígitos com a editora Harper Collins para publicar seu livro de memórias. Assunto não lhe falta - principalmente, porque pouco se sabe sobre a vida pessoal dele.

Aliás, nos últimos anos, Connery anda curtindo uma aposentadoria voluntária que parece andar muito bem, obrigado. E só pretende voltar ao cinema quando receber uma oferta irrecusável, conforme declarou numa entrevista publicada no jornal inglês The Guardian. Até lá, seu instrumento de trabalho será a sua memória. Certamente, um dos assuntos mais interessantes vai ser a polêmica em torno de Josiah´s Canon, uma produção que o ator abandonou durante as filmagens, em setembro passado, e pelo qual receberia US$ 17,5 milhões. Certamente não faltará um capítulo especial sobre A Liga Extraordinária, mais recente trabalho, e que lhe gerou muitos desentendimentos com o diretor, Stephen Norrington.

Após tantas caracterizações memoráveis, é curioso pensar que um dia Connery teve medo do estigma de James Bond, personagem que imortalizou em sete filmes. Sem dúvida, as populares aventuras do agente 007 são capítulo indissociável da carreira do ator, mas evidenciam apenas parte do enorme talento de uma das figuras mais carismáticas do cinema.

Thomas Connery nasceu em Edimburgo, Escócia e, desde jovem, sua nacionalidade foi muito mais do que uma informação adicional na carteira de identidade. Além de tatuar "Scotland Forever" no braço, ele viria a tornar-se um ativo cidadão, fazendo doações para educação de seus compatriotas e unindo-se ao Partido Nacionalista Escocês, cujos ideais separatistas contra a Inglaterra são bem conhecidos.

Filho de um motorista de caminhão e de uma faxineira, Connery teve, até os 21 anos, uma vida quase tão diversificada quanto sua galeria de personagens cinematográficos. Após abandonar a escola aos 15 anos, foi marinheiro, leiteiro, lustrador de caixões, pedreiro, salva-vidas, candidato a Mr. Universo e modelo, o que acabou rendendo-lhe trabalhos como uma ponta na montagem inglesa do musical South Pacific, entre outras modestas participações teatrais.

Foi a partir de 1954 que Sean (nome artístico inspirado por Shawn, seu apelido de infância), começou a trilhar realmente, na televisão e no cinema, uma carreira de ator. Após participar de filmes como A Maior Aventura de Tarzan, no papel de vilão, e A Lenda dos Anões Mágicos, fantasia da Disney, Connery teve sua grande chance em 1962, quando foi escolhido para viver James Bond nas telas do cinema.

Combinando o charme e a virilidade exigidos pelo papel, e adicionando o humor cínico que viria a integrar várias de suas interpretações, Connery ajudou a fazer do herói literário criado por Ian Fleming um dos ícones dos anos 60, década na qual também viu-se obrigado a começar a usar peruca. O galã, cercado de mulheres maravilhosas, começava a ficar calvo.

Depois de estrelar cinco filmes da série, como o clássico 007 Contra Goldfinger (1964), o ator ficou preocupado com um possível estigma, e só retornou ao papel sob condições financeiras irrecusáveis, em 1971 e 1983.

Durante os "anos 007", Sean Connery também atuou, por exemplo, em Marnie - Confissões de uma Ladra (1964), de Hitchcock, mas foi em A Colina dos Homens Perdidos (1965), de Sidney Lumet, que começou a demonstrar que seu potencial ia além das peripécias do agente secreto inglês.

De presença imponente, com rosto e voz altamente expressivos, Connery construiu uma filmografia de rara versatilidade, na qual, independe do tamanho de seu personagem, nunca ficou em segundo plano. Entre outros filmes, ele brilhou em Até os Deuses Erram (1973), O Homem que Queria Ser Rei (1975, aventura de John Huston), O Nome da Rosa (1986, papel de monge-detetive), Os Intocáveis (1987, vivendo um policial veterano), Indiana Jones e a Última Cruzada (1989, roubando a cena como pai de Indiana Jones), Caçada ao Outubro Vermelho (1990, comandante de um submarino russo), O Curandeiro da Selva (1992), Lancelot - O Primeiro Cavaleiro (1995, Rei Arthur), Encontrando Forrester (2000), em que faz um escritor recluso, mentor de um brilhante jovem negro e A Liga Extraordinária (2003), em que atua como um destemido aventureiro.

Connery também experimentou a direção com o documentário The Bowler and the Bonnet (1969), mas o filme nunca foi lançado.

Um astro discreto, imune às armadilhas do sucesso, sempre manteve sua vida particular protegida, mas sabe-se que ele é um dedicado homem de família, um apaixonado por golfe e tem predileção por residências à beira-mar.

Como se não bastasse toda a admiração profissional pela crítica e pelo público, ainda foi eleito, aos 69 anos, o homem mais sexy do mundo. Por outro lado, também já despertou a ira de algumas mulheres, indignadas com colocações tidas como machistas.

Sean Connery evoca aquela frase dita a respeito de Edward G. Robinson, a de que basta ele entrar numa cena para dominá-la. Como se viu, o rótulo de James Bond foi superado, mas sua reputação profissional sobreviveu.

Ficha do Astro
Nome: Thomas Connery
Data de Nascimento: 25 de Agosto de 1930
Local de Nascimento: Edimburgo, Escócia
Prêmios: Oscar e Globo de Ouro de Melhor Ator Coadjuvante por Os Intocáveis (1987), Prêmio da Academia Britânica por O Nome da Rosa (1986), Prêmio Cecil B. De Mille pela carreira.

Família: Sua primeira esposa (62-73) foi a escritora e atriz Diane Cilento (As Aventuras de Tom Jones), mãe do ator Jason Connery (A Vida Secreta de Ian Fleming) e de Giovana, filha adotiva do casal. Em 1975, Sean Connery casou-se com a pintora marroquina Micheline Roquebrune.

Cineweb 16-12-04

Alysson Oliveira


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