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Johnny Depp, o camaleão que salva bilheterias

Publicado em 19/04/04 às 16h32

imagem Vários adjetivos já foram usados para descrever Johnny Depp. Cool, o homem mais sexy do mundo, versátil, o Marlon Brando de sua geração são alguns dos termos que costumam acompanhar seu nome. Na verdade ele tem todas essas qualidades e mais algumas que o identificam como um dos mais criativos atores do atual cinema americano.

Nascido em 1963, na cidade de Owensboro, Depp abandonou a escola aos 17 anos para tocar rock. Depois de participar de algumas bandas de garagem, acabou entrando para o mundo do cinema após uma viagem a Los Angeles, onde sua mulher na época, Lori Anne Allison, o apresentou a Nicolas Cage. Sua estréia foi em 1984, no primeiro filme da série A Hora do Pesadelo. Vinte anos e muitos sucessos depois, Johnny continua com a mesma cara de adolescente quase imberbe que tem conquistado muitos corações.

No entanto, foi só na década de 1990, após várias incursões em filmes para adolescentes, que Depp conseguiu se estabelecer como um ator sério. Com Eduard Mãos de Tesoura (1990), firmou uma parceria com Tim Burton que renderia bons resultados para ambos. Foi sob a batuta do cineasta e seu amigo pessoal que Depp fez alguns de seus melhores trabalhos, como Ed Wood (1994) e A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça (1999).

Mas não é só com diretores que Depp costuma aprofundar seus laços de amizade. Quando trabalhou com Al Pacino, em Donnie Brasco (1998), os dois ficaram tão íntimos que passeavam juntos todas as noites após as filmagens. No ano seguinte, tornou-se amigo de um de seus maiores ídolos, o escritor outsider Hunter S. Thompson, autor do romance Fear and Loathing in Las Vegas, que serviu de base para o filme Medo e Delírio, dirigido por Terry Gillian. Nesse mesmo filme conheceu outro grande amigo, Benício Del Toro. Aliás, o trio Depp, Del Toro e Thompson vai se reunir mais um vez em breve. Del Toro estreará como diretor na adaptação de The Rum Diary, livro semi-biográfico de Thompson que terá, entre outros, Depp no elenco.

Outro astro de quem se tornou amigo foi Marlon Brando, quando trabalharam juntos em Don Juan de Marco (1995), filme, aliás, que acabou confirmando o status de Depp como sex symbol em todo mundo, no papel do conquistador enveterado. Uma das condições para Depp aceitar o papel foi ter Brando como o psiquiatra.

Sua estréia como diretor foi em 1997, no filme O Bravo, também escrito por ele e co-estrelado por Brando. O longa conta a história de um índio norte-americano, que após sair da prisão aceita trabalhar em um snuff movie (produção em que os atores participam de cenas de assassinato e são mortos de verdade) em troca de uma boa soma de dinheiro que deixará para sua família. O filme foi selecionado para participar do Festival de Cannes daquele ano.

Mais preocupado em trabalhar com diretores e atores conceituados e talentosos do que em filmes de alto orçamento, Depp já dividiu os créditos com nomes de peso do cinema mundial. Roman Polanski (O Último Portal), Emir Kusturica (Arizona Dream), Terry Gilliam (Medo e Delírio), Mike Newell (Donnie Brasco), Lasse Hallström (Gilbert Grape - Aprendiz de Sonhador e Chocolate) são alguns dos cineastas que o dirigiram. E em breve trabalhará novamente com seu amigo Burton. Os dois planejam para o próximo ano um remake de A Fantástica Fábrica de Chocolate.

Só em 2004, com vinte anos de carreira, o ator recebeu sua primeira indicação para o Oscar. Não que ele estivesse ligando muito para isso, até porque nem vive em Hollywood, mas bem longe da indústria - na França, ao lado da mulher, a também atriz Vanessa Paradis, e seu casal de filhos. Ironicamente, Depp, que fez diversos papéis dramáticos, foi indicado ao Oscar por um trabalho numa comédia de aventura, Piratas do Caribe: A Maldição da Pérola Negra. E o filme deu tão certo que arrecadou mais de 300 milhões de dólares, (custou apenas 125 milhões). Boa parte dessa bilheteria se deu ao talento de Depp, que com suas estripulias e cara-de-pau conquistou as platéias no mundo todo - tanto que o ator estrelou a seqüência em 2005.

Aliás, em 2004 e 2005, Depp foi presença quase constante nas telas. O primeiro filme a chegar foi A Janela Secreta, um suspense baseado numa novela de Stephen King. Ainda neste ano, fez o papel do célebre escritor J. M. Barrie, autor de Peter Pan, no novo drama de Marc Foster, diretor de A Última Ceia. Também participa de The Rum Diary, da produção francesa Ils se Marièrent et Eurent Beaucoup des Enfants, além do filme de época O Libertino, no qual trabalhou com John Malkovich e Samantha Morton.

Curiosidades:Pais: John Christopher e Betty Sue Palmer
Naturalidade: Nasceu no Kentucky, mas cresceu na Flórida
Ex-namoradas: Sherilyn Fenn, Jennifer Gray, Winona Ryder
Mulher: Vanessa Paradis

Alysson Oliveira


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