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Antonio Banderas, paixão latina de Hollywood

Publicado em 11/11/03 às 19h29

imagem Um pé quebrado aos 14 anos tirou Antonio Banderas dos campos de futebol e o adolescente, que adorava interpretar as histórias que sua mãe lhe contava, começou a sonhar com os palcos. Chuteiras penduradas, o mundo ganhou um ator.

Mesmo contra os pais, que imaginavam uma carreira mais comum para o filho, Banderas ingressou na Escola de Arte Dramática de Málaga. Ao se formar, juntou-se a um grupo de amigos e passou a trabalhar em teatro de rua, percorrendo boa parte da Espanha antes de chegar a Madri.

Para sobreviver, fez o caminho que todo candidato ao estrelato comumente faz. Trabalhou como garçom e também como modelo, até conseguir entrar para o Teatro Nacional da Espanha. No início dos anos 80, freqüentando o meio artístico, foi apresentado para um jovem e audaz diretor, o que mudaria sua vida para sempre - Banderas encontrou o mestre, Pedro Almodóvar.

O cinema espanhol começava a respirar mais liberdade após a morte do ditador Francisco Franco e o polêmico Almodóvar levava para as telas as produções mais instigantes. Banderas tornou-se o ator preferido do diretor, ajustando-se perfeitamente aos personagens que representavam de maneira definitiva a visão de Almodóvar sobre a busca de liberdade, principalmente na questão sexual, como os papéis interpretados em Matador (1986) e A Lei do Desejo (1987).

A fama internacional acontece para Banderas com dois dos mais cultuados filmes de Almodóvar, Mulheres à Beira de um Ataque de Nervos (1988) e Áta-me! (1990). Nesta fase, o ator começa a perceber que a Espanha é muito pequena para os seus sonhos e aceita um convite para filmar em Hollywood. Esta decisão o levaria a entrar em conflito com o diretor, rompendo uma seqüência de filmes de sucesso. Dupla desfeita e depois de passar Na Cama com Madonna (1991), o ator transformou-se no novo latin lover da indústria americana de cinema.

Impossível de escapar do estereótipo e Banderas começou a trilhar o mesmo caminho de outros tantos latinos em Hollywood - produções que valorizavam seu lado sensual, deixando de lado o talento que Almodóvar lapidou com todo o cuidado. Em Os Reis do Mambo (1992), sua estréia numa grande produção americana, Banderas interpreta um músico cubano, sensual e romântico, mas sem maior consistência. Em 1993, um filme polêmico para os rígidos padrões americanos, Filadélfia, apontava a necessidade do ator em interpretar papéis mais consistentes. Banderas dá alma a um personagem atípico interpretando o namorado de Tom Hanks, um advogado aidético que luta contra o preconceito.

Mas sobreviver dentro de um esquema tão fechado quanto este não é nada fácil. O ator começa a enfrentar altos e baixos, trabalhando em produções românticas de sucesso comercial como em Quero Dizer que Eu te Amo (1996) - foi durante as filmagens que começou seu romance com Melanie Griffith -, Balada para um Pistoleiro (1995) e A Máscara do Zorro (1998) ao lado de outras pretensiosas, mas com resultado pífio nas bilheterias como Evita (1996) - onde tornou a encontrar Madonna.

Período conturbado inclusive na vida pessoal. Banderas enfrentou um processo de Ana Leza, sua ex-mulher, mas conseguiu consolidar a relação com Melanie, apesar do ceticismo de muitos. O nascimento da filha Stela contribuiu para isto e, talvez, também para amadurecer seus planos de arriscar-se atrás das câmeras. Em 1999, consegue dirigir seu primeiro e até agora único filme, a comédia Loucos do Alabama - sua filha faz sua primeira aparição no cinema numa pequena ponta. Mas seu grande projeto como diretor e ator continua sendo o filme sobre a vida do piloto brasileiro Ayrton Senna, cuja produção vem sendo trabalhada durante os últimos anos.

Mesmo trabalhando com grandes diretores como Brian De Palma, em Femme Fatale, e sua pretensão em firmar-se como produtor e diretor, o público continua alimentando o sonho de ver Banderas em alguma nova produção de Almodóvar - uma ótima oportunidade de avaliar o desempenho das duas maiores estrelas do cinema espanhol contemporâneo depois de longos anos de amadurecimento.

Enquanto esse dia não chega, Hollywood continua a fornecer-lhe os papéis de caliente galã latino. Em 2003 estrelou o terceiro episódio de Pequenos Espiões e o épico de Roberto Rodriguez, Era Uma Vez no México.

Curiosidades:
Ocupação: ator e diretor
Pais: José (funcionário público) e Ana (professora)
Irmão: Francisco Javier (economista)
Ex-mulher: Ana Leza (atriz)
Atual: Melanie Griffith (atriz)
Filha: Stela del Carmen (com Melanie)
Prêmios: Indicado ao prêmio Goya de melhor ator por Áta-me! (1990) e Quero Dizer que Eu te Amo (1996) e como melhor ator coadjuvante por Matador (1986). Indicado ao Globo de Ouro como melhor ator por Evita (1996) e A Máscara do Zorro (1998).

Cineweb - 11/11/2003

Ana Vidotti


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