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Matthew McConaughey: um galã tentando subverter as leis de Hollywood

Publicado em 14/03/13 às 19h10

 Normalmente as pessoas fazem um balanço do passado e tomam resoluções para o futuro quando fecham um novo ciclo de vida. Pena que, muitas vezes, essas decisões caem no esquecimento. Para alguns, no entanto, as mudanças são constantes. É o caso de  Matthew McConaughey  que, meses depois de lançar a comédia romântica Minhas Adoráveis Ex-Namoradas (2009), chegou aos 40 e, coincidentemente ou não, não voltou mais ao gênero que consagrou a sua imagem de galã e mudou o foco do seu trabalho. Desde então, tem feito escolhas diferentes, mas tão eficientes que fizeram com que seu desempenho fosse novamente aclamado pelo público e pela crítica, como no seu início de carreira no cult Jovens, Loucos e Rebeldes (1993) e no sucesso Tempo de Matar (1996).
 
Entre seus primeiros trabalhos e O Poder e a Lei – filme de 2011 que foi o divisor de águas dessa nova fase –, a sua filmografia foi recheada por filmes que não chegaram a ser blockbusters (vide a tentativa em Sahara, de 2005), mas consolidaram sua carreira em Hollywood.
 
Entre os mais marcantes estão Ed TV (1999), O Casamento dos Meus Sonhos (2001), Como Perder um Homem em 10 Dias (2003), Armações do Amor (2006) e Um Amor de Tesouro (2008), comédias românticas que fizeram alguns fãs suspirarem. Mas para a tristeza destes, o galã, que já namorou algumas colegas de profissão como Sandra Bullock e Penélope Cruz, casou, no ano passado, com a modelo brasileira Camila Alves, com quem tem três filhos: Levi, de 4 anos; Vida, de 3 anos; e Livingston, de apenas 2 meses de vida. No início do relacionamento, McConaughey e a mulher moraram em um trailer e, ainda hoje, fazem algumas viagens com o motorhome pelos Estados Unidos.
 
O ator norte-americano mantém fortes relações com a sua terra natal, o que fica evidente no seu marcante sotaque texano. Nascido em 4 de novembro de 1969, na cidade de Uvalde, ele cresceu em Longview, ambas no estado do Texas, como o caçula de uma mãe professora e de um dono de posto de combustível e tubulações de petróleo. Durante a juventude, porém, seu pai jogou no time de futebol-americano Green Bay Packers, esporte que seria tema de dois filmes do filho: Tudo Por Dinheiro (2005), em que Matthew vive um jogador frustrado por uma lesão, e We Are Marshall (2006), no qual é um treinador que tenta salvar uma equipe universitária. O lado esportista também apareceu em outras produções, a exemplo do receptor de basebol em Os Anjos Entram em Campo (1994) e do surfista de Surfer, Dude (2008).
 
Entretanto, a temática mais recorrente nos trabalhos em que participa é a lei. O curioso é que, antes de pensar em ser ator, ele queria ser advogado e até começou a estudar Direito na Universidade do Texas, em Austin. Mas, segundo o próprio Matthew, a ideia de trabalhar com isso a vida inteira “pareceu um pouco chato”. Depois de ler o livro de auto-ajuda O Maior Vendedor do Mundo, de Og Mandino, decidiu desistir do Direito e se matricular no curso de Rádio, TV e Cinema da faculdade.
Mesmo assim, ele pôde realizar o seu sonho anterior e usar o talento para o debate em vários longas. Em Tempo de Matar, McConaughey está na pele de um jovem advogado que tem em mãos o caso da sua vida. Na produção de Steven Spielberg, Amistad (1997), ele encarna Roger Sherman Baldwin ,  defensor dos africanos neste caso histórico. Não tão correto é Mick Haller, seu personagem em O Poder e a Lei, que não mede esforços para libertar seus clientes. No recente Bernie (2011), ele está do outro lado do tribunal, como o promotor Danny Buck, em outro filme inspirado em um caso real.
 
Além dos personagens que estão ao lado da lei, o ator também interpreta alguns tipos que tentam burlá-la. Já fez um psicótico em O Massacre da Serra Elétrica – O Retorno (1994) e um dos responsáveis pelo maior assalto a um trem dos EUA, em Newton Boys – Irmãos Fora-da-Lei (1998). Nos últimos tempos, tem voltado ao papel como o assassino que dá título ao recém-lançado no Brasil, Killer Joe – Matador de Aluguel (2011) – última obra de William Friedkin –, e o fugitivo que protagoniza Mud (2012), ainda inédito no circuito comercial. O próprio intérprete também teve problemas com a justiça, quando foi preso por posse de maconha e resistência à prisão, em 1999.
 
Contudo, sua maior subversão é mais atual e diz respeito à mudança no rumo de sua carreira. Sair do estereótipo de galã que o consagrou e partir para um cinema mais independente e autoral é algo impensável para muitos astros de Hollywood. Mas a sua ousadia tem sido reconhecida e agraciada em diversas premiações. Como o dono da boate de strip-tease masculino de Magic Mike (2012), ganhou o Independent Spirit Awards de melhor ator coadjuvante. Por este trabalho e por Bernie, foi condecorado na mesma categoria pelos críticos de Nova York e pela associação nacional de críticos (National Society of Film Critics). Pelas duas interpretações e pelo desempenho em Killer Joe – Matador de Aluguel e Paperboy (2012) – último longa de Lee Daniels sem estreia prevista nos cinemas brasileiros –, foi considerado o Ator do Ano pelos críticos de Ohio e recebeu um prêmio honorário de seus conterrâneos de Austin.
 
Mesmo com um ano tão bom quanto 2012, Matthew McConaughey ainda não foi lembrado pela Academia. Mas uma indicação ao Oscar não deve tardar a vir. Além da participação no próximo filme de Martin Scorcese, The Wolf of Wall Street (2013), o ator estará nas telonas em Dallas Buyers Club (2013), no qual teve de perder 15 quilos para viver um portador de HIV, prometendo mais uma atuação impressionante.

Nayara Reynaud


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