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Na estrada, com Luiz Gonzaga

Publicado em 09/11/12 às 16h16

  Para quem nasceu em uma sexta-feira 13, tudo era lucro para ele. Depois de escapar da miséria no sertão pernambucano, das ameaças de morte por namorar a filha de um coronel, de ter de abandonar a família e tentar sobreviver sozinho, Luiz Gonzaga do Nascimento foi longe demais. No centenário de seu nascimento, comemorado no dia 13 de dezembro deste ano, Luiz Gonzaga até poderia ser homenageado com o nome de uma estrela por iluminar há mais de 70 anos cada cantinho deste país, com sua música cativante.
 
Gonzaga - de pai pra filho, o filme de Breno Silveira visto por mais de 580 mil pessoas (em duas semanas de exibição), mergulha fundo no coração e na alma desse sertanejo pernambucano que elevou o baião à categoria de música universal. Grande façanha, lembrando que nos anos 1940, quando começou a fazer sucesso, o samba também lutava com os fox, as valsas e até o tango para atrair a atenção do público. Música regional por excelência, sua entrada no cenário musical de Rio de Janeiro, então a capital do país, pelas mãos de um mulato vestido com roupa de vaqueiro sertanejo, é surpreendente. E permanece fonte de inspiração para músicos como Gilberto Gil, Dominguinhos e até Chico Buarque, que em seu último CD presta homenagem ao Rei do Baião.
 
Baseado na biografia escrita pela jornalista Regina Echeverria – “Gonzaguinha e Gonzagão: uma história brasileira” –, o filme de Breno Silveira é fiel à trajetória do músico, principalmente seu relacionamento difícil com o filho Luiz Gonzaga Jr., o Gonzaguinha, do qual não era pai biológico – quando passou a viver com a cantora Odaléia Guedes dos Santos, ela já estava grávida. Mesmo assim, assumiu a criança, mesmo não estando presente de forma constante em sua criação. Gonzaguinha foi criado por Leopoldina e Henrique Xavier Pinto, compadres de Gonzaga, que o ajudaram quando chegou ao Rio de Janeiro para tentar a vida.
 
A postura conservadora do músico também contribuiu para aumentar a distância com o filho. Durante a ditadura instaurada em 1964, Gonzaguinha estudava Economia no Rio de Janeiro e passou a frequentar o efervescente cenário político e cultural, despontando como um dos talentos da geração de compositores universitários, ao lado de Ivan Lins e Aldir Blanc. Se o sangue já dividia pai e filho, as opções políticas do rapaz aumentaram a combustão.
 
 Segundo a crítica e pesquisadora do cinema brasileiro Mário do Rosário Caetano, o diretor Breno Silveira fez um “filme popular de muita qualidade”: "Gonzaga - de Pai pra Filho é um filme digno, honesto, que recria uma história arrebatadora: um filho não biológico que cresce no morro/favela, longe do pai famoso. O filme trabalha com vigor e concisão o difícil relacionamento entre pai conservador e filho rebelde, sertão X favela, amor filial e bastardia etc, etc.”
 
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Luiz Vita


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