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Sonhos viram realidade nas mãos de Steven Spielberg

Publicado em 13/01/03 às 10h39

imagem Steven Spielberg é o mago do cinema. Mantém um contato imediato com a imaginação coletiva e, não raro, advinha seus sonhos. Completando o feitiço, tem um apurado talento para materializá-los. Aos 53 anos, aceitou o desafio de dirigir o último projeto do diretor Stanley Kubrick, A. I. - Inteligência Artificial. Desafio natural para o mais bem sucedido dos diretores, o único a ter sete filmes entre as maiores bilheterias americanas de todos os tempos. Dois deles estão entre os mais lucrativos: E. T. - O Extraterrestre (de 1982, renda acumulada de US$ 1,28 bilhão) e Tubarão (de 1975, US$ 1,54 bilhão). Se somadas às rendas internacionais, as cifras destes filmes aumentam para algumas centenas de bilhões de dólares.

Hoje, Spielberg é um homem realizado e não apenas em termos financeiros. Depois de anos de frustração com a acolhida de suas obras de temática adulta, ele finalmente somou o prestígio ao êxito comercial com A Lista de Schindler (93), uma obra-prima sobre o Holocausto, que lhe garantiu o sonhado Oscar de melhor diretor, além de outras seis estatuetas.

O sucesso incomparável de Spielberg invariavelmente leva à pergunta: afinal, de que material é feito esse gênio? A receita começa numa família comum em Cincinatti, Ohio, onde ele nasceu, filho de um engenheiro eletrônico e de uma pianista. Muito pequeno, mudou-se para Phoenix, Arizona, onde, aos 12 anos, já se revelava um prodígio. Numa idade em que os coleguinhas ainda brincavam com carrinhos, ele fez seu primeiro filme, com a câmera 8mm do pai, já com roteiro e "atores". Aos 14, ganhou um concurso com um filme de 40 minutos, Escape to Nowhere.

Diante desses sinais, não precisou de teste vocacional: entrou direto na escola de cinema da California State College. De lá, saltou para um emprego na TV, recomendado pela premiação de seu curta Amblin (69) - que acabou lançado em dobradinha nos cinemas com o campeoníssimo e lacrimoso Love Story (70), com Ryan O'Neal e Ali McGraw. Dois anos depois, ainda na televisão, assinou o filme que virou um clássico e lhe garantiu o passaporte para o cinema: Encurralado (71).

Não dá para dizer que o jovem Steven não teve uma tremenda sorte, mas só isso não explica sua trajetória. Se há dois adjetivos que podem aplicar-se a Spielberg, estes são disciplinado e perfeccionista. Ele trabalha muito e exige tudo de si e de seus associados, que sabe escolher com um faro invejável. À sua sombra cresceram parceiros como George Lucas, o pioneiro dos efeitos especiais, Joe Dante, Robert Zemeckis e Don Bluth.

Se nos filmes de aventura e fantasia o diretor arrasou a concorrência, o mesmo não pode ser dito de quase todas as suas obras adultas. A Cor Púrpura (85), O Império do Sol (87) e Além da Eternidade (89) penaram nas bilheterias e receberam críticas das mais ácidas. A Academia de Artes e Ciências de Hollywood, por sua vez, teimava em esnobar Spielberg até nas indicações. Colou em sua imagem o estigma de um adulto que, como Peter Pan (que atualizou em Hook - A Volta do Capitão Gancho , de 91), não sabia crescer.

Depois de Hook, também uma bilheteria modesta, parecia que sua carreira entrara em declínio. A vingança veio em 1993, em dose dupla. Foi quando Spielberg assinou Parque dos Dinossauros - que arrecadou US$ 200 milhões em apenas 23 dias em cartaz, só nos EUA - e A Lista de Schindler, que lhe deu o fecho de ouro do prestígio profissional.

Mas, mesmo reconhecido como um bom diretor de filmes com temática adulta, Spielberg não poderia fechar os olhos para a fantasia. Todos queriam e ele atendeu: em 1997 voltou com O Mundo Perdido - Jurassic Park, com efeitos especiais que tornaram os dinossauros ainda mais horripilantes. Também no mesmo ano ousou com o drama de época Amistad, sobre uma história verídica, ocorrida no navio Amistad, durante uma revolta de escravos, em 1839. De quebra, pôs a mão num vespeiro, pois parte da comunidade negra não gostou de ver um diretor branco apropriar-se de um episódio tão dramático em sua história, que ainda não é ensinado na maioria das escolas.

Em 1998, Spielberg desembarcou nas praias da
Normandia, na França, com O Resgate do Soldado Ryan, que lhe valeu cinco Oscar (Diretor, Direção de Arte, Montagem, Som e Efeitos Sonoros), um bem realizado drama de guerra, que será sempre lembrado pelas extraordinárias cenas iniciais do desembarque das tropas na costa francesa.

O novo século chegou para o diretor com uma infinidade de projetos. Primeiro foi o mergulho de cabeça em A. I - Inteligência Artificial, sua menina dos olhos, que lhe foi confiado por Stanley Kubrick (falecido em 99). Para 2002, a agenda de Spielberg como diretor inclui Minority Report (com Tom Cruise), e Prenda-me se For Capaz (aventura com Tom Hanks e Leonardo DiCaprio). Em 2004, ele se uniu novamente a Tom Hanks para filmar o drama Terminal. Para 2006, a atração prometida é o esperadíssimo quarto capítulo de Indiana Jones, com Harrison Ford e Kate Capshaw retomando seus papéis originais e roteiro escrito a quatro mãos por M. Night Shyamalan (o diretor de O Sexto Sentido) e Stephen Gaghan (o roteirista dono de um Oscar por Traffic).

Curiosidades:
Mulher: Kate Capshaw. Divorciado de Amy Irving
Ocupação: Roteirista, diretor
Principais prêmios: Oscar de melhor diretor, em 1994, por A Lista de Schindler; Oscar de melhor diretor, em 1999, por O Resgate do Soldado Ryan.

Neusa Barbosa


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