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Itaú Cultural exibe ciclo online de curtas dirigidos por mulheres negras

Publicado em 10/09/20 às 11h38

De 12 a 26 de setembro, o Itaú Cultural exibe em seu site www.itaucultural.org.br, um ciclo de filmes que destaca a produção audiovisual de mulheres negras. No total, são sete curtas-metragens, com histórias registradas entre os anos de 2012 e 2020. A desigualdade social, o racismo estrutural, a falta de representatividade e a força do amor, são alguns dos temas presentes nas obras das cineastas Safira Moreira, Everlane Moraes, Elen Linth, Larissa Fulana de Tal, Larissa Nepomuceno, Taís Amordivino e Mariana Campos. Além de poder acompanhar os filmes, o público tem acesso a vídeos introdutórios sobre os processos de filmagens, contados pelas próprias diretoras.
 
Dirigido por Safira Moreira, Travessia é um registro real sobre a estigmatização da representação das famílias negras e como suas histórias vem sendo apagadas sistematicamente com o passar do tempo. Utilizando uma linguagem poética, a partir da procura de registros fotográficos dessas famílias, o filme ganhou destaque na programação da 17ª Mostra do Filme Livre, em 2018. No ano seguinte, foi exibido na abertura do Festival Internacional de Cinema de Rotterdam, na Holanda.
 
No documentário Caixa D’água: Qui-lombo é esse?, a premiada cineasta Everlane Moraes mostra, por meio de depoimentos de antigos moradores e de acervos fotográficos projetados em corpos negros e nas paredes da comunidade, a importância histórica e cultural de um bairro remanescente de quilombos. Neste filme, a ênfase é dada à cultura negra e à presença do escravo e seus descendentes, com o resgate de assuntos relacionados à origem, oralidade, localização geográfica e consciência de sua identidade racial. Apesar de a comunidade existir em uma área urbana, ela ainda mantém muitos aspectos da vida em quilombo dos antigos negros escravos do Brasil.
 
As angústias de uma mulher negra, que carrega consigo a dor da infância e o silêncio no medo, são mostradas no filme Entre Passos, da diretora Elen Linth. Utilizando uma simbologia de bailarinas jogadas no chão, a história leva a acreditar que é possível existir um refúgio dentro da própria memória. Por sua vez, a emocionante produção Seremos Ouvidas, dirigida por Larissa Nepomuceno, mostra a história de três mulheres surdas que, apesar de viverem em realidades distintas e em uma sociedade sexista e feita para ouvintes, compartilham suas lutas e trajetórias dentro de um movimento feminista surdo.
 
Em Cinzas, a cineasta baiana, Larissa Fulana de Tal, narra sobre a difícil realidade dos brasileiros que residem em comunidades afastadas, mostrando um retrato da desigualdade social que existe pelo país. Contando a história de Toni, o curta-metragem mostra a rotina de um homem que pega ônibus lotado, é cobrado por pontualidade no trabalho, recebe seu salário com atraso e é constantemente abordado nas ruas por policiais, que tem como cultura um racismo estrutural. Essa situação de solidão e abandono faz com que ele tenha crise psicológica, perca a vontade de estudar e passe a ter angústias.
 
Registrado no interior de Minas Gerais pela cineasta Taís Amordivino, o filme Motriz conta a história de Bete, uma mulher de olhos caudalosos e sorriso largo, que convive com a dor da distância das filhas. Apesar disso, mesmo vivendo em um lugar onde o tempo passa devagar e a saudade teima a andar depressa, ela encontra no amor a força motriz que precisa para se aproximar da sua felicidade.
 
O último filme da mostra, Minha História é Outra, de Mariana Campos, mostra como uma paixão entre mulheres negras se torna mais do que uma simples história de amor. Moradora do Morro da Otto, Niázia abre as portas de sua casa para reforçar essa teoria. Enquanto isso, Leilane apresenta os desafios e possibilidades de se construir uma jornada de afeto. A produção foi exibida no Berlin Feminist Film Week e premiado como melhor filme nacional pelo júri popular no Recifest - Festival de Cinema da Diversidade Sexual e de Gênero.
 
SERVIÇO:
 
Travessia (2017)
De Safira Moreira
Duração: 5 minutos
Classificação Indicativa: Livre
 
Seremos ouvidas (2020)
De Larissa Nepomuceno
Duração: 13 minutos
Classificação Indicativa: Livre
 
Motriz (2018)
De Taís Amordivino
Duração: 15 minutos
Classificação Indicativa: Livre
 
Caixa D’água: Qui-lombo é esse? (2012)
De Everlane Moraes
Duração: 15 minutos
Classificação Indicativa: Livre
 
Entre Passos (2012)
De Elen Linth
Duração: 9 minutos
Classificação Indicativa: Livre
 
Cinzas (2015)
De Larissa Fulana de Tal
Duração: 15 minutos
Classificação Indicativa: Livre
 
Minha história é outra (2019)
De Mariana Campos
Duração: 22 minutos
Classificação Indicativa: 16 anos (contém cenas de nudez)
 
 
Itaú Cultural
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