Notícias

Centro da Terra programa mostra de curtas, inclusive "Rã", que vai a Berlim

Publicado em 03/02/20 às 16h28

Depois de exibido e premiado no mais recente Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, em novembro de 2019, o curta-metragem “Rã”, dirigido por Julia Zakia e Ana Flávia Cavalcanti, que está na Mostra Geração do Festival de Berlim 2020, faz sua estreia paulista dia 5 de fevereiro, quarta-feira, às 20h, no Centro da Terra. A exibição conta com mais quatro curtas de Julia Zakia, que participa de bate-papo com o público após a sessão e  inaugura um espaço destinado aos curtas e médias metragens no espaço cultural, localizado em Perdizes, zona oeste de São Paulo.
 
Com curadoria de Ananda Guimarães (curadora e diretora da MOSCA – Mostra Audiovisual de Cambuquira e especialista em mídia, informação e cultura), a programação de cinema do Centro da Terra acontece todas quartas-feiras, às 20h. Será exibida em mostra permanente, valorizando uma produção que muitas vezes só é apresentada em festivais. A ideia é que cada sessão destaque um profissional do cinema, valorizando funções diversas, além da direção, como roteiro, montagem, atuação, direção de fotografia, direção de arte, som direto, desenho de som, trilha sonora original e produção. Sempre que possível haverá uma conversa com o artista convidado.
 
A programação de fevereiro conta com filmes de Julia Zakia, Leandro Goddinho e André Bomfim. Curtas e médias metragens de Tila Chitunda, Roney Freitas, Thais Fujinaga, Safira Moreira, Amir Admoni e Ana Julia Travia devem ganhar exibições ao longo de 2020.
 
Todas as apresentações e sessões do Centro da Terra contam com ingresso consciente, uma parceria entre os espectadores e os artistas para viabilizar as atrações, sem abrir mão da democratização da cultura, onde o público, consciente do trabalho envolvido para realização do espetáculo, e do valor que ele dá para vivenciar esta experiência, escolhe quanto acha adequado pagar pelo seu ingresso, de acordo com sua condição financeira. Para 2020, além da programação de cinema, o Centro da Terra dá continuidade aos shows musicais às segundas e terças-feiras com assinatura do curador Alexandre Matias. O bailarino e diretor Diogo Granato será o responsável pelas apresentações de dança, que ocupam o palco todas as quintas e sextas-feiras.
 
 
Programação:
 
JULIA ZAKIA
Dia 5 de fevereiro, quarta-feira, às 20h, no Centro da Terra.
Sessão de curtas metragens dirigidos por Julia Zakia, que participa de bate-papo com o público após a sessão. O destaque da mostra fica por conta da estreia paulista do filme Rã, dirigido por Júlia e Ana Flávia Cavalcanti.
Duração – 86 minutos. Recomendado para maiores de 12 anos. Ingressos – Ingresso consciente.
 
Tarabatara, Julia Zakia, Doc, SP, 2007, 23’
O documentário é um chamado ao cotidiano e aos encantos de uma família cigana do sertão de Alagoas. O curta apreende momentos de um período de pausa no nomadismo desses ciganos. Na figura do mais velho e suas memórias, nas mulheres e crianças do grupo, com suas falas e gestos, com seus olhares e afazeres.
 
O Chapéu do Meu Avô, Julia Zakia, Doc, SP, 2004, 29’
O filme mostra a aproximação entre a documentarista e seu avô chapeleiro. Entre visitas a velhos operários, o revirar de gavetas e armários do avô, roldanas de máquinas e narrações e imagens de histórias antigas, o documentário capta a passagem do tempo, os sentimentos e sutilezas das relações familiares e das relações construídas naquela antiga fábrica.
 
Pedra Bruta, Julia Zakia, Exp, SP/Mostar- Bósnia, 2009, 8’
Há lugares onde a arte tem que se tornar uma forma de combater a guerra.
 
Planeta Fábrica, Julia Zakia, Doc, SP, 2019, 11’
O documentário registra os últimos tempos de uma tradicional fábrica de chapéus que está sendo demolida e resgata o material de arquivo de Chapeleiros, filmado no auge da produção dessa mesma fábrica. 100 anos em 11 minutos. Um velho planeta está sendo extinto e novos habitantes ganham vida.
 
Rã, Julia Zakia e Ana Flávia Cavalcanti, Fic, SP, 2019, 15’
Val e suas duas filhas vivem numa casa de 16 metros quadrados. Em uma madrugada, mãe e filhas são subitamente acordadas com palmas e alguém chamando por Val no portão. A voz é de Neném Preto, amigo de Val e funcionário do mercadinho. No portão, Val ouve dele um estranho pedido: usar seu quintal para colocar uma carga exótica. Mãe de família, ela hesita, mas acaba cedendo. 
 
LEANDRO GODDINHO
Dia 12 de fevereiro, quarta-feira, às 20h, no Centro da Terra.
Exibição dos curtas metragens mais recentes dirigidos por Leandro Goddinho. Destaque para Lolo, dirigido na Alemanha por Leandro em parceria com o diretor brasileiro Paulo Menezes e indicado ao Prêmio Unicef em 2019. A sessão terá a presença e bate-papo com o ator Marcos Oliveira, de Antes Que Seja Tarde e o diretor de arte Rafael Blas, de Piscina.
Duração – 87 minutos. Recomendado para maiores de 12 anos. Ingressos – Ingresso consciente.
 
Piscina, Leandro Goddinho, Fic, SP, 2016, 29’,
Claudia decide investigar o passado de sua avó recém-falecida. Através de uma carta, ela conhece Marlene, uma velha alemã que vive no Brasil e mantém suas memórias dentro de uma piscina desativada. “Piscina” fala sobre a perseguição aos gays durante o período nazista e das recentes conquistas dos direitos civis da comunidade LGBTQ+.         
 
Positive Youtubers, Leandro Goddinho, Doc, Online (São Paulo, Berlim, Curitiba, Brasilia, Recife), 2017, 15’,
Filmado inteiramente online, o documentário retrata quatro youtubers que criaram canais para falar sobre viver com HIV de uma forma positiva.
 
O Mundo é Redondo para Ninguém se Esconder nos Cantos – Parte I: Refúgio, Leandro Goddinho, Doc, Alemanha, 2017, 10’.
A jornada de um refugiado gay africano que procura asilo em Munique, Alemanha.
 
O Mundo é Redondo para Ninguém se Esconder nos Cantos – Parte II: O Beijo, Leandro Goddinho, Exp, Alemanha, 2017, 5’.
Um refugiado gay africano visita o Memorial do Holocausto Gay em Berlim.
 
Antes que Seja Tarde, Leandro Goddinho, Fic, SP, 2019, 15’.
Brasil, primeira semana de 2019. Um novo presidente toma posse num cenário de fanatismo, preconceitos e violência. Trancados em um quarto de hotel, dois jovens decidem mudar o rumo de suas vidas, antes que seja tarde demais.         
 
Lolo, Leandro Goddinho e Paulo Menezes, Fic, Alemanha, 2019, 13’.
Lolo é um menino gay de 11 anos tentando finalmente convencer Max, seu primeiro amor, a tornar público seu namoro.
 
ANDRÉ BOMFIM
Dia 19 de fevereiro, quarta-feira, às 20h, no Centro da Terra.
Sessão com documentários de André Bomfim, cineasta que está em finalização de Ainda Estou Vivo, seu primeiro longa-metragem como diretor.
Duração – 52 minutos. Recomendado para maiores de 12 anos. Ingressos – Ingresso consciente.
 
As Incríveis Histórias de um Navio Fantasma, Doc, SP, 2015, 26’.
Los Angeles, 1932. Em meio à Grande Depressão, a terra do cinema prepara-­se para sediar uma Olimpíada dos sonhos. Mas longe dos holofotes uma delegação tropical faz de tudo para entrar em cena. Viagem em um navio carregado de café, falta total de recursos, despreparo técnico e emocional, esforço sobre-humano de superação: eis alguns dos destaques. Mesmo não ganhando a Olimpíada, nossa participação deu muito o que falar.        
 
Seguindo a Linha, a História de Ricardo Prado, Doc, SP, 2016, 26’.
Não existe natação sem dor. Assim Ricardo Prado define o esporte que o tornou ídolo na década de 80. Campeão mundial aos 17, medalha de prata aos 19 nas Olimpíadas de Los Angeles, durante quatro anos ele teve que penar para ser o melhor do mundo. Sozinho e longe de casa, suportando uma disciplina quase militar e dividido entre a natação e o cotidiano de uma universidade americana, não foram raros os momentos de dúvida para o atleta adolescente. 
 
Sobre o Centro da Terra
O Centro da Terra é um espaço cultural independente brasileiro, sem fins lucrativos, mantido por Keren e Ricardo Karman. Com programação dirigida a todos os públicos, tem como foco produções, apresentações e ações de formação em Música, Cinema, Artes Cênicas e Visuais que priorizem a linguagem contemporânea, e que dialoguem com a pesquisa da Kompanhia do Centro da Terra.O espaço foi criado e é gerido pela Kompanhia do Centro da Terra, associação sem fins lucrativos fundada em 1989 por Ricardo Karman que, além de produzir e apresentar seus espetáculos, apoia e incentiva artistas emergentes, projetos independentes e grupos que dialogam com sua produção e pesquisa. A escolha da programação é feita por uma equipe de curadores que, a partir de suas pesquisas autorais, trazem para o Centro da Terra trabalhos experimentais de artistas emergentes e/ou consagrados, lançamentos, remontagens, temporadas pós-estreia e projetos especiais.
 
O local abriga a escola de Arte Grão do Centro da Terra, que desenvolve um curso livre em que crianças e adolescentes participam de experiências nas diversas linguagens artísticas e que tem como fundamento a liberdade de criação, a ludicidade e a participação coletiva em percursos singulares. As instalações do Centro da Terra abrangem um teatro com palco italiano, um ateliê, uma praça de convivência com um café, além de um terraço e salas multiuso. O teatro está situado doze metros abaixo da superfície. Foi inaugurado no dia 3 de setembro de 2001, após dez anos de obras e escavações no quarto e quinto subsolos de um edifício, no bairro do Sumaré. Seu nome vem da sua localização subterrânea e é, também, uma homenagem ao espetáculo “Viagem ao Centro da Terra”, realizado, em 1992, pela Kompanhia do Centro da Terra.
 
CENTRO DA TERRA – Rua Piracuama, 19 – Perdizes. Telefone – (11) 3675-1595. Capacidade – 100 lugares. centrodaterra.org.br.

Café do Centro da Terra – de segunda a sexta-feira, das 12h às 21h.


Outras notícias