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23a Mostra de Tiradentes (MG) começa com homenagem à família Pitanga

Publicado em 25/01/20 às 15h35

“O cinema é uma chama na escuridão”. A citação do diretor francês Abel Gance (1889-1981) deu o tom da cerimônia de abertura da 23a Mostra de Cinema de Tiradentes, na noite de sexta-feira, dia 24. Num Cine-Tenda em lotação máxima, a Universo Produção apresentou a temática deste ano do evento, “A imaginação como potência”, e a dupla de homenageados, os atores Antonio Pitanga e Camila Pitanga. A performance audiovisual, dirigida por Chico de Paula e Grazi Medrado, se pautou pela valorização da cultura como setor estratégico da economia e da identidade de um país.
 
O tom esteve presente também no discurso de Raquel Hallak, coordenadora geral da 23ª Mostra de Cinema de Ouro Preto e diretora da Universo Produção, realizadora do evento, que proferiu o discurso inicial, lembrando os desafios para colocar o evento “de pé” a cada edição. “Erguer este complexo de tendas e toda a infraestrutura logística para sediar uma programação cultural abrangente e gratuita requer ousadia, persistência. É sinônimo de trabalho coletivo e determinação”.
 
A Mostra de Cinema de Tiradentes contrata, anualmente, 250 empresas mineiras e gera mais de 2,5 mil empregos diretos e indiretos, além de injetar cerca de R$ 10 milhões na economia local e beneficiar mais de 35 mil pessoas. “Essa Mostra tem patrocinadores e parceiros, tem o Governo de Minas Gerais, tem a cidade de Tiradentes, a iniciativa pública e privada, entidades de classe, lideranças que abraçaram nosso pleito e somam esforços para a viabilização desta edição”, agradeceu.
 
Homenagem aos Pitanga
 
Sob intensos aplausos, receberam o Troféu Barroco pela importância de suas trajetórias, Antonio e Camila Pitanga, pai e filha. Representantes de duas gerações e de dois caminhos singulares na produção de cinema e TV no Brasil, os artistas se emocionaram com a recepção calorosa do público. A deputada federal Benedita da Silva, esposa de Antonio Pitanga, que também subiu ao palco para a homenagem, deu início às falas: “A cultura nos deixa a todos mais ousados e foi a cultura que me aproximou do Pitanga, meu maridão, bonitão, o mais bonito do Brasil”, comemorou ela, para diversão do público.
 
Camila preferiu o improviso para seu discurso. “Eu escrevi um texto, mas deixa o coração dizer, esse coração transbordando de alegria”, disse a atriz, que agradeceu a homenagem e estendendo o reconhecimento à família, presente no Cine-Tenda, e à mãe, Vera Manhães. A atriz chamou atenção para a importância da valorização das carreiras de artistas e pessoas da cultura num Brasil “rachado”, que ainda lida com traumas do passado escravagista, mas que precisa seguir adiante e vencer o racismo e o machismo. “O mundo não está bonito, ele está escuro, mas cada um de nós é a luz e temos a urgência de olhar para a frente, de resistir como vem resistindo a ancestralidade preta há tantos séculos”, disse ela.
 
Na mesma toada, Antonio Pitanga frisou que o Brasil passa por “tempos difíceis” e que é preciso reforçar a cultura como instrumento de todas as civilizações ao longo da história. Para ele, o tributo à sua carreira e à da filha era um rasgo de alegria. “Isso só me faz dizer: belisca-me, que eu tô sendo homenageado em Tiradentes!”, brincou. O ator relembrou a geração do Cinema Novo com a qual trabalhou, citando nomes como Glauber Rocha, Joaquim Pedro de Andrade, Leon Hirszman e Carlos Diegues. “Foram os fundadores da originalidade brasileira no audiovisual”, afirmou. E finalizou num cumprimento à plateia: “A cultura está de pé pela presença de vocês”.
 
A cerimônia se concluiu na exibição do longa-metragem, em pré-estreia mundial, “Os Escravos de Jó”, do diretor cearense Rosemberg Cariry. Filmado na cidade de Ouro Preto, o filme tem Antonio Pitanga como um livreiro sobrevivente de campos de concentração da Alemanha nazista.
 
Eventos do sábado
 
Antonio Pitanga e Camila Pitanga têm um encontro marcado com o público neste sábado (25) no debate “Percurso de Antonio Pitanga e Camila Pitanga”, marcado para as 12h, no Cine-Teatro do Centro Cultural Yves Alves, local que concentra parte da programação do evento. O debate terá mediação do curador Pedro Maciel Guimarães.
A programação do espaço começa mais cedo, entretanto. A mesa “A imaginação como potência: Perspectivas das curadorias” traz a visão dos curadores, Camila Vieira, Lila Foster, Pedro Maciel e Tatiana Carvalho, sob a batuta do coordenador curatorial Francis Vogner dos Reis, para refletir sobre a temática escolhida para esta edição. O ideia é pensar sobre os caminhos estéticos, políticos e poéticos que os filmes têm tomado e como essas produções respondem ou indicam caminhos para a formulação das transformações necessárias no imaginário político e cinematográfico.
 
A série Encontro com os Filmes, que marca o terceiro e último debate do sábado, acontece a partir das 15h30, no Centro Cultural. Em foco estarão o diretor, Rosemberg Cariry, e o elenco de “Escravos de Jó” - o longa, rodado em Minas Gerais, abre oficialmente o evento. O debate será mediado pelo crítico Reinaldo Cardenuto.
 
A programação cinematográfica de sábado apresenta a uma parte da produção brasileira contemporânea. O Cine Teatro do Centro Cultural Sesiminas Yves Alves recebe a Mostra A Imaginação como potência, a partir das 17h30, com os curtas “A Felicidade Delas”, de Carol Rodrigues; “Pattaki”, com direção de Everlane Moraes; “O Verbo Se Fez Carne”, com direção de Ziel Karapotó e “Inabitáveis”, de Anderson Bardot.
 
A Mostra Foco Minas, que começa um pouco mais cedo, às 16h30, no Cine-Tenda, colocará em destaque a produção do estado, com os curtas “Angela”, de Marília Nogueira; “Nove Águas”, de Gabriel Martins e Quilombo Marques; “Estranho Animal”, de Arthur B. Senra; e “Diz que é Verdade”, de Claryssa Almeida e Pedro Estrada. A seleção traz ainda o longa “O Lodo”, de Helvécio Ratton e participação de Eduardo Moreira e Inês Peixoto, do Grupo Galpão, a partir das 20h.
 
O Cine-Tenda recebe ainda os longas “Eu Receberia as Piores Notícias dos Seus Lindos Lábios”, protagonizada por Camila Pitanga e dirigido por Beto Brant e Renato Ciasca, às 18h; e “Sofá”, dirigido por Bruno Safadi, em pré-estreia nacional, às 22h.
 
A estreia do Cine Copasa na Praça acontece às 21 horas, com a pré-estreia-nacional do filme "Três Verões", dirigido por Sandra Kogut. Após a sessão, o público terá a oportunidade de participar de um bate-papo com a presença da diretora e convidados.
 
Programação infantil
 
Crianças também têm programação especial na 23ª Mostra de Cinema de Tiradentes. A partir das 11h, a Mostrinha traz a pré-estreia nacional de “Osmar, A Primeira Fatia do Pão de Forma - O Filme”, animação dirigida por Ale McHaddo (SP). A exibição acontece no Cine-Tenda.
 
Já o tradicional Cortejo da Arte acontece às 16h30, saindo da Igreja do Rosário e seguindo pela Rua Direita com destino ao Largo das Fôrras. Participam do passeio 10 grupos: Banda Ramalho, Folia de Reis de São João del Rei, Guarda do Congado Nossa Senhora do Rosário Tia Anastácia, Palhaço Alegria, Spasso Escola Popular de Circo, Banda Inconfidentes, Bateria Treme Terra, Turma do Pipoca, Grupo Circolar e Batuque das Minas.

Videoarte
 
O público poderá conferir, das 10h à 0h30, a exibição de videoarte no Sesc Cine-Lounge. A apresentação traz o trabalho dos VJs Carou Araújo, Pedro Pedro e Romana.
 
O local recebe ainda o espetáculo “De Tempo Somos – Um Sarau do Grupo Galpão”, a partir de 0h30. Uma das companhias mais importantes do cenário teatral brasileiro, cuja origem está ligada à tradição do teatro popular e de rua, o Grupo Galpão recontextualiza e recorda músicas do repertório de espetáculos do grupo. Mais próximo de um sarau literário musical, o espetáculo traduz um antigo sonho do grupo de celebrar, em formato prático e reduzido, o encontro da música com o teatro, que se tornou a principal marca do Galpão em mais de 30 anos de trajetória.

Confira a programação completa da 23ª Mostra de Cinema de Tiradentes em www.mostratiradentes.com.br.


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