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Centro Cultural S. Paulo sedia festival voltado à inserção feminina

Publicado em 19/09/19 às 17h15

Um festival com programação ampla e gratuita, que vai dos debates às festas sound system, do esporte à mentoria de projetos, e das performances artísticas ao cinema. Tudo com o objetivo de promover a inserção da mulher nas instâncias de poder. Esse é o Festival #Agora, que nasceu da plataforma do #AgoraÉQueSãoElas e acaba de divulgar a programação de sua 2ª edição. O evento será no CCSP (Centro Cultural São Paulo), em 21 e 22 de setembro, com algumas atividades iniciando antes e outras se encerrando em outubro.
 
“O eixo principal do festival é a mulher nas instâncias de poder, então todas as áreas de conhecimento e atividades entram no nosso escopo, para aumentarmos a representatividade feminina em posições de destaque”, comenta Antonia Pellegrino, idealizadora e curadora do evento.
 
Várias atividades abertas e gratuitas vão se desenvolver ao mesmo tempo, das 14h às 22h, no sábado, e das 14h às 21h30, no domingo.
 
“Na hora em que a pessoa chegar vão ter várias atividades acontecendo ou prestes a começar. O início de cada uma pode variar entre 15 e 20 minutos e a entrada é sujeita à lotação,” alerta.
 
Para participar das mesas de debates, masterclass, oficinas e mentoria, abrindo o verbo e o monólogo da atriz Mariana Ximenes, é necessário se inscrever no site do evento: www.festivalagora.com.br .
 
Esporte
Uma mesa de conversa sobre a visibilidade da mulher no esporte vai reunir a ex-ginasta Daiane dos Santos, a ex-jogadora de basquete Janeth Arcain e Neide Santos, criadora do projeto Vida Corrida, com mediação da jornalista Carol Barcelos.
 
“A visibilidade da mulher no esporte se extrapola e atinge a mulher em toda a sociedade” diz Daiane, sobre a representatividade feminina no esporte. “Ainda tem mulheres que ganham menos do que homens exercendo a mesma função. Se for mulher negra, ainda menos. A sociedade é muito machista e ainda tem mulher com esse pensamento de que lugar de mulher é restrito. A gente está aqui para mostrar que o mundo mudou e feminismo não é estar acima dos homens, é ter igualdade”, afirma a campeã mundial.
 
Haverá oficina de Krav Maga, a arte marcial israelense, e um relato do Movimento Toda Poderosa Corinthiana, coletivo de feministas torcedoras do Timão.

Literatura, teatro e poesia
Mariana Ximenes levantou o público com uma performance baseada em “Profissões Para Mulheres”, de Virginia Woolf, na 1ª edição do festival. Em 2018, ela levou ao palco do evento “o anjo do lar”. Agora, a atriz traz uma visão ampliada a partir da obra da escritora inglesa.
 
Sentadas em cadeiras de praia, quatro poetas vão ler junto ao público, ininterruptamente e em voz alta, um livro por dia. No sábado, as poetas Ana Beatriz Domingues, Cecília Floresta, Helena Zelic e Joana Côrtes se revezam na leitura de “Uma paciência selvagem”, de Adrienne Rich (Ed. Livros Cotovia).
 
No domingo, "Reino dos bichos e dos animais é o meu nome", de Stela do Patrocínio (Azougue Editorial), será lido por Ana Beatriz Domingues, Cecília Floresta, Natasha Felix e Priscilla Campos.
 
Historiadora e ex-empregada doméstica, Preta Rara vai abordar seu livro, que está em lançamento, “Eu, empregada doméstica” (Ed. Letramento). O trabalho reúne relatos que ela recebeu em uma página nas redes sociais. “Resolvi escrever para mostrar essas histórias, assim como a minha, a da minha mãe e a da minha avó. Trabalho doméstico é hereditário, para as mulheres pretas”, declara.
 
Música
Os dois dias do festival serão repletos de música, com duas festas sound system no lineup. No sábado, o coletivo Feminine Hi Fi comanda o set. No domingo, é a vez do Ruído Rosa Aparelhagem trazer o som dos bailes jamaicanos nos vinis.
 
A rapper Preta Rara vai formar o bonde Pesadona no sábado, com um potente diálogo rimado para desconstruir padrões e fortalecer a presença feminista no rap. No palco, ela se junta a nomes de destaque na cena paulistana como Rap Plus Size, Maboo e DJ Kmina.
 
Quem acompanhar Karol Conká na Caminhada das Mulheres vai ouvir seu relato e suas considerações sobre sua trajetória. A compositora de “Tombei” também vai cantar três de seus sucessos.
 
Feminismo negro
Preta Rara vai participar da Caminhada de Mulheres contando sua história e também vai dar oficina de turbantes, com uma conversa sobre a estética preta no Brasil. Na atividade, a rapper e historiadora vai apresentar texturas e cores e a diversidade de amarrações tradicionais e seus significados.
 
Éthel Oliveira, que vai participar da mesa O Legado de Marielle ao lado de Mônica Benício, companheira em vida da vereadora assassinada, vai abordar seu filme Sementes. O documentário acompanha seis mulheres negras que entraram na política após o crime contra Marielle e o motorista Anderson Gomes. “Foi uma insurgência dessas mulheres”, destaca a diretora.
 
Ancestralidade e gênero rendem debate com a pós-doutoranda em Comunicação Kenia Freitas, especialista em Afrofuturismo, e a historiadora Angélica Ferrarez.
 
A atriz Cris Vianna, a rapper MC Soffia e a atriz Izzy Gordon discutem as vozes negras nas artes, mediadas pela escritora Stephanie Ribeiro.
 
A ativista Monique Evelle fará mentoria sobre formatação de negócio e estratégia de comunicação e marketing.
Na sessão Caminhada, o festival trará relatos de mulheres como Adriana Barbosa, fundadora da Feira Preta, que compartilhará sua trajetória de empreendedorismo social. A funkeira carioca MC Carol e Eliane Dias, advogada e empresária da Boogie Naipe, produtora dos Racionais MC’s, também estarão na atividade.
 
Diversidade
O evento também trará a experiência de Paula Beatriz de Souza, primeira diretora trans de uma escola pública em São Paulo.
 
Flora Braga, ex-prisioneira e integrante da Casa Flores, vai compartilhar suas experiências na Caminhada de Mulheres, no domingo. Ela é integrante da Casa Flores, que atua no desenvolvimento, empoderamento e reinserção de mulheres egressas do sistema penitenciário. Nas prisões brasileiras, há mais de 42 mil encarceradas, a maior parte negras, jovens e mães.
 
Os códigos sociais que propõem o que é ser mulher, incluindo papeis binários ou não, também estarão no centro da discussão na Exposição “Mulheres na arte-brasileira: entre dois vértices”, que terá vídeos, fotografias e performances. A exposição continua após o festival, com performances e conversas aos sábados, até 19 de outubro.
 
A mesa As Mulheres Como Expressão da Potência das Periferias terá a participação de Selma Dealdina (CONAQ – Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas), Gilmara Cunha (Grupo Conexão G de Cidadania LGBT de Favelas) e Thaís Scabio (cineasta, sócia da produtora Cavalo Marinho, e ativista do cinema na periferia). A mediação será de Erica Peçanha, autora de “Vozes marginais na literatura.”
 
Cinema
O Corpo Não É Metáfora é a primeira mostra dedicada à cineasta e artista plástica Barbara Hammer, em São Paulo. O valor político e a inovação cinematográfica da norte-americana, morta em março, serão representados em 15 filmes, sendo doze exibidos em 16mm, formato comum entre os independentes e que apresenta característica granulada.
As sessões das obras de Barbara Hammer serão precedidas de filmes da paulistana Rita Moreira, conhecida por seu ativismo em causas políticas e sociais, principalmente ligadas ao feminismo e ao lesbianismo. Entre eles, estão os recentes “Caminhada Lésbica por Marielle” (2018) e “Ti-Grace Atkinson – uma biografia de ideias” (2019), sobre a renomada feminista norte-americana.
 
O festival terá mentoria em audiovisual em parceria com a Hysteria, hub de conteúdo formado por mulheres dentro da Conspiração Filmes. Dos cinco projetos de autoria feminina selecionados para participar do processo, um será premiado com R$ 2 mil.

Violência política de gênero
A violência política de gênero será o tema das oito mesas de debate. Antonia Pellegrino, curadora das mesas, defende que é hora deste tema ser pautado no Brasil. “A violência política de gênero é um atentado à democracia. Precisamos entender com mais clareza as múltiplas formas como essa violência acontece, impedindo que as mulheres acessem e permaneçam nos espaços de poder político,” diz. 
 
A ex-senadora e ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva (Rede) vai abrir a programação na mesa “Relatos do Front: Ser Mulher no Poder”.
 
O legado de Marielle Franco será um dos destaques dos debates, com a viúva da vereadora assassinada, Mônica Benício, e a cineasta Éthel Oliveira, diretora de documentário sobre seis mulheres negras que se lançaram na política após o crime.
 
A deputada federal Joênia Wapichana (Rede-RR), primeira mulher indígena na Câmara Federal, e Helena Vieira, do Núcleo de Políticas de Gênero e Sexualidade da Universidade Federal da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab), compõem a mesa Interseccionalizando as Violências na Política. A conversa será mediada pela jornalista Paula Cesarino Costa.
Os desafios e as soluções para elevar a representatividade na política serão o tema da mesa que reúne a ex-candidata à vice-presidência da República Manuela D’Ávila (PC do B-RS) e a advogada e assessora parlamentar Roberta Eugênio, integrante do Instituto Alziras.
 
Lígia Fabris, professora de Direito da FGV-RJ, e Teresa Sacchet, professora do programa de pós-graduação em Estudos Interdisciplinares em Mulheres, Gênero e Feminismos da UFBA (Universidade Federal da Bahia), traçam comparações internacionais, mudanças e efeitos no campo do sistema eleitoral.
 
As campanhas de candidatas mulheres serão o foco da discussão entre Dríade Aguiar, ativista negra e fundadora do Mídia Ninja, Maíra Saruê, do Instituto Locomotiva, e a deputada federal Margarete Coelho (PP-PI). A mediação será da jornalista Patrícia Campos Mello.
 
A escritora e pesquisadora Debora Thomé, da UFF (Universidade Federal Fluminense), e Hildete Pereira, ex-coordenadora dos Programas de Educação e Ciência da Secretaria de Políticas Para a Mulheres da Presidência da República, vão debater o viés inconsciente de eleitores.
 
Jolúzia, do Centro Feminista de Estudos e Assessoria, e a socióloga Jaqueline Pitanguy, coordenadora da ONG Cepia e ex-presidente do Conselho Nacional dos Direitos da Mulher vão discutir como as mulheres têm feito política, ao longo da história. Uma das pioneiras no feminismo brasileiro, ao lado de Heloísa Buarque de Holanda, que também estará no festival na sessão Caminhada, Jacqueline liderou os trabalhos para inserir a mulher na Constituição de 1988.
 
Meio ambiente e economia
O festival terá um encontro especial com Alyssa Battistoni, professora de teoria política de Yale. A americana defende a intersecção das agendas feminista e ambientalista. Suas pesquisas buscam lançar luz para o que pode ocorrer com as mulheres em um contexto de crise mundial, econômica e ambiental, e discutir propostas para enfrentá-la.
 
Feira e inscrições
Uma edição especial da Feira Preta vai reunir, no fim de semana do festival, empreendedoras negras em moda, cosméticos e gastronomia, entre outras áreas.
 
As inscrições para as mesas de debates, oficinas e mentorias, masterclass, Abrindo o Verbo e o monólogo da atriz Mariana Ximenes, também gratuitas, estarão disponíveis no site www.festivalagora.com.br, a partir de sábado, 14 de setembro. Todas as atualizações podem ser acompanhadas por meio do Instagram @agoraequesaoelas_ e na página do Facebook www.facebook.com/agoraequesaoelas.
 
O Festival #Agora é uma produção da D+ Projetos. Além da Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo, o jornal Folha de S.Paulo a Eletromidia também apoiam o evento, que conta ainda com patrocínios de Uber, Nike e Google. A Sympla é a empresa de credenciamento do Festival.
 
Serviço: Festival #Agora
21/09 e 22/09
O que: mesas de debates, relatos, oficinas, mentoria, música, poesia, cinema, performance e artes plásticas
Todas as atividades são gratuitas
- Exposição “Mulheres na arte brasileira: entre dois vértices”: de 21 de setembro a 22 de outubro, com rodas de conversa com as artistas aos sábados
- Mostra “O Corpo Não É Metáfora”: de 19 a 22 de setembro
Inscrições para algumas atividades do evento: www.festivalagora.com.br
Onde: CCSP (Centro Cultural São Paulo) – Rua Vergueiro, 1000, próximo à estação Vergueiro do Metrô (Linha 1-Azul)


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