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No Cine BH, debate focalizou incertezas da produção audiovisual no Brasil

Publicado em 19/09/19 às 10h38

Em intensa discussão sobre a temática da 13ª CineBH (Internacionalização do Cinema Brasileiro e os Desafios para o Futuro) durante a tarde de quarta-feira, 18/9, no Teatro João Ceschiatti, o produtor Rodrigo Teixeira, da RT Features, a curadora e pesquisadora Janaína Oliveira e o crítico de cinema e ex-assessor da Ancine Eduardo Valente apresentaram suas reflexões sobre o atual cenário do audiovisual brasileiro. A mesa teve como ponto de partida a internacionalização do cinema do país e acabou por se tornar uma conversa sobre os desafios e incertezas diante de um governo federal cujas políticas (ou o encerramento das mesmas) ameaçam a indústria audiovisual.
 
“Apesar das promessas de extinção da Ancine, uma possibilidade real de paralisar uma atividade como a do cinema brasileiro é a inanição, é o impedimento de que essa atividade opere, e isso esse governo pode fazer”, disse Valente. “O setor audiovisual lida muito mal com a ideia de incerteza. No mês que vem, ano que vem, daqui a dois anos... Não é possível saber qual será a situação do cinema brasileiro. Por isso, é difícil discutir estratégias para o futuro”.
 
Rodrigo Teixeira, produtor de A Vida Invisível – premiado no Festival de Cannes e exibido na abertura da CineBH –, demonstrou pessimismo ao relatar reuniões das quais participou com representantes do Ministério da Cidadania. “Eles são confusos, não fazem a menor ideia do que estão fazendo. Existe uma ignorância muito grande sobre o impacto dos filmes brasileiros no exterior”, comentou.
 
Para Rodrigo, o resultado da paralisação pela qual passam as políticas públicas do setor em 2019 já será sentido na menor presença brasileira em eventos de cinema no ano que vem. “Não tem tantos filmes em produção nesse momento no Brasil, muitos projetos estavam aguardando um dinheiro que não entrou. Estávamos num período de entressafra e agora eles não estão sendo feitos”.
 
Para Janaína Oliveira, a luta do setor precisa passar por outras frentes, entre elas a definição sobre que tipo de conquistas se está buscando. Ela defendeu maior inclusão e atenção a realizadores que não estão inseridos dentro de uma estrutura de produção que passa por editais, fundos, laboratórios e outras iniciativas – em especial cineastas de periferia. “Talvez a crise desse momento seja um momento oportuno para que possamos rever um pouco as coisas”, disse Janaína.


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