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Olhar de Cinema divulga novos títulos da mostra de Clássicos

Publicado em 29/04/19 às 16h04

A mostra Olhares Clássicos da oitava edição do Olhar de Cinema – Festival Internacional de Cinema de Curitiba complementa a lista dos filmes a serem exibidos neste ano. Serão diversas homenagens e celebrações que somam-se à primeira parte da programação divulgada anteriormente.
 
Uma das celebrações é o 50º aniversário de O Funeral das Rosas (1969), dirigido por Toshio Matsumoto (1932-2017), uma desconcertante obra-prima japonesa que desafia gêneros cinematográficos e cuja recente restauração pela Arbelos Films terá sua estreia brasileira no Olhar de Cinema. Matsumoto, hoje considerado uma figura-chave para o cinema experimental japonês, escalou não-atores que trabalhavam em bares e boates da cena LGBTQ local para uma releitura de Oedipus Rex transposto para a Tóquio contemporânea.
 
Recentemente, a série de filmes L.A. Rebellion tem sido exibida em diversas cidades brasileiras, trazendo consigo pérolas de cineastas independentes negros dos Estados Unidos e da África que trabalharam em Los Angeles entre os anos 1960 e 1990. Para homenagear a força duradoura dessas obras, o Olhar de Cinema apresentará um dos maiores filmes do movimento, Filhas do Pó (1991), o primeiro longa-metragem de sua mais importante realizadora, Julie Dash (nascida em 1952), recentemente restaurado pela Park Circus. Este filme mistura uma variedade de formas musicais, rítmicas e narrativas para apresentar as moradoras femininas de uma ilha ao largo da costa do sul dos Estados Unidos às vésperas de uma migração para o continente e suas tentativas de conciliar suas raízes na África Ocidental com a vida em um mundo novo.
 
O Olhar de Cinema também reafirma seu compromisso com o cinema africano, dando sequência à retrospectiva do ano passado que trouxe os filmes de Djibril Diop Mambéty. Neste ano, o festival homenageia outro grande cineasta do continente, o mestre mauritano Med Hondo (1936-2019), que faleceu em março último, deixando para trás uma pequena, porém fundamental filmografia repleta de uma justa indignação contra o impacto do colonialismo sobre a psique de seu povo. O primeiro longa-metragem de Hondo, o filme docu-ficcional Ó, Sol (1970) – restaurado pela Cineteca di Bologna como parte do recém-inaugurado African Film Heritage Project – acompanha um trabalhador imigrante africano na França que luta para manter suas forças em meio a visões macabras e injúrias diárias. O filme de Hondo, frequentemente surreal e se assemelhando a uma colagem, foi premiado com o Leopardo de Ouro em Locarno em 1970.
 
O festival também homenageia o recentemente falecido mestre italiano Bernardo Bertolucci com uma exibição de O Conformista (1970), seu quinto longa-metragem, também restaurado pela Cineteca di Bologna, em colaboração com a Minerva Pictures. uma das mais belas experiências fotográficas e cenográficas com O Conformista (1970), um filme de época que acompanha a trajetória entre as duas guerras mundiais a partir de um intelectual autopunitivo (Jean-Louis Trintignant), que busca eliminar todos os traços da sua criação familiar aliando-se com as exigências da polícia secreta de Mussolini.
 
Outra homenageada do Olhar de Cinema este ano é uma autora menos conhecida que faleceu no dia da abertura da edição de 2018 do festival. O público brasileiro teve poucas oportunidades de conhecer o trabalho da diretora russo-ucraniana Kira Muratova (1934-2018), cujo filme Conhecendo o grande e vasto mundo (1978) será exibido em um DCP restaurado fornecido pelo National Oleksandr Dovzhenko Film Center. Essa obra lírica e excêntrica retrata um triângulo amoroso entre pessoas itinerantes ao mesmo tempo que explora a paisagem rural que os rodeia.
 
Por fim, o Olhar de Cinema prestará homenagem a uma das verdadeiras gigantes do cinema, que nos deixou há poucas semanas: Agnès Varda (1928-2019), uma mestra sagaz e encantadora nascida na Bélgica, radicada na França, cujo último filme, Varda por Agnès (2019), será em breve lançado nos cinemas brasileiros. O festival exibirá uma cópia digital restaurada da mK2 Films de um dos seus filmes mais celebrados, Os Renegados (1985): um retrato áspero e melancólico de uma jovem mendiga (em uma atuação impressionante de Sandrine Bonnaire) cuja incansável busca por abrigo e amparo no interior da França é apresentado em flashbacks após sua morte.
 
Confira a programação completa da Mostra Olhares Clássicos:
 
O Funeral das Rosas (Funeral Parade of Roses, dir. Toshio Matsumoto, Japão, 1969, 105 min. )
Filhas do Pó ( Daughters of the Dust, dir. Julie Dash, EUA, 1991, 112min. )
Ó, Sol (Soleil Ô, dir. Med Hondo, Mauritânia, 1970, 98 min.)
O Conformista (Il conformista, dir. Bernardo Bertolucci, Itália, 1970, 113 min. )
Conhecendo o grande e vasto mundo (Getting to Know the Big Wide World, dir. Kira Muratova, União Soviética, 75min. 1978)
Os Renegados (Sans toit ni loi, dir. Agnès Varda, França, 105 min. 1985)
A Longa Caminhada (Walkabout, dir. Nicolas Roeg, Austrália/Reino Unido, 1971, 100min)
Cantando na Chuva (Singin’ in the Rain, dir. Stanley Donen, EUA, 1952, 103min)
Memórias do cárcere (dir. Nelson Pereira dos Santos, Brasil, 1984, 185min)
Programa Germaine Dulac
Celles qui s’en font (dir. Germaine Dulac, França, 1928, 6min)
La cigarette (dir. Germaine Dulac, França, 1919, 56min)
Danses espagnoles (dir. Germaine Dulac, França, 1928, 7min)
Reminiscências de uma Viagem à Lituânia (Reminiscences of a Journey to Lithuania, dir. Jonas Mekas, Lituânia/EUA, 1972, 82min)
 
Outras notícias sobre a edição deste ano do Olhar de Cinema podem ser encontradas no site olhardecinema.com.br.
 
 
SERVIÇO
 
8º Olhar de Cinema – Festival Internacional de Curitiba
De 5 a 13 de junho
 
1º Encontros de Cinema de Curitiba
De 9 a 11 de junho
A atividade paralela ao festival, voltada para o mercado.
 

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