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Retrospectivas do Olhar de Cinema exibem filmes de Raul Ruiz e diretores brasileiros

Publicado em 24/04/19 às 17h27

Oito filmes do grande diretor chileno Raúl Ruiz (1941-2011) farão parte da mostra Olhar Retrospectivo do festival Olhar de Cinema, marcad entre 5 e 13 de junho. A maioria destes títulos foram realizados durante o período da ditadura militar do Chile (1973-1990). O período de realização de tais filmes também coincide com o da própria ditadura militar do Brasil (1964-1985), período que será representado pelo outro lado da retrospectiva, onde se exibirá 10 filmes realizados durante o período do governo ditatorial por diretores brasileiros em passagens pelo exílio.
 
Participações especiais de convidados e debates complementam as exibições dos filmes e auxiliar o público a refletir sobre os significados desse legado transnacional, dentro do contexto de uma mostra cujo nome se inspira no filme Diálogos dos exilados, o primeiro longa-metragem de Ruiz concluído na França após sua fuga do Chile para a Europa.
 
“Talvez há um ano uma mostra em torno desse tema pareceria algo que remetesse a um passado mais distante de nossa história”, diz o diretor geral e diretor de programação de Olhar de Cinema, Antônio Júnior. “Contudo, hoje essa mostra reflete um momento em que o exílio, infelizmente, passa a fazer parte do nosso presente. Assim, se a mostra Olhar Retrospectivo surge com a vontade de homenagear o Raúl Ruiz, ao buscar um recorte dentro da obra dele, até por sua enorme magnitude, nos deparamos com um momento que ela estava intimamente ligada com a realidade da América Latina de golpes de estado e ditaduras de 1960-1990, momento em que diversos cineastas se encontravam produzindo fora de seus países, exilados. Com isso, surgiu um anseio de estabelecer um diálogo de Ruiz com uma lista relevante de cineastas brasileiros – Helena Solberg, Glauber Rocha, Cacá Diegues, Ruy Guerra, Silvio Tendler, Júlio Bressane, Lúcia Murat, Murilo Salles, Luiz Sanz e Pedro Chaskel – em forma de diálogos de exílio.”
 
Raúl Ernesto Ruiz Pino nasceu em Puerto Montt, Chile, em 1941, e morreu em Paris em 2011. Dirigiu mais de 100 filmes em vários países, com uma ênfase especial em seu país sul-americano de origem – que ele deixou para o exílio em decorrência do golpe de estado de 1973 – e do país europeu onde ele adotou residência. A obra de Ruiz reinventou o cinema ao romper as fronteiras das formas narrativas tradicionais através de uma busca incansável por novas formas de contar histórias, muitas vezes sob a perspectiva de personagens que se consideravam exilados.
 
Os oito filmes a seguir, dirigidos por Raúl Ruiz, foram confirmados para a Retrospectiva. Eles serão exibidos em novas cópias em DCP:
 
 
Três tristes tigres (Tres tristes tigres, 1968, Chile, 98 min, cópia restaurada fornecida pela Cineteca Nacional de Chile)
Diálogos dos exiliados (Diálogos de exiliados/Dialogue d’exilés, 1975, Chile/França, 104 min, cópia restaurada fornecida pela Cineteca Nacional de Chile)
A vocação suspensa (La vocation suspendue, 1977, França, 95 min, cópia restaurada fornecida pela INA)
A hipótese do quadro roubado (L’Hypothèse du tableau volé, 1978, França, 64 min, cópia restaurada fornecida pela INA)
As divisões da natureza (Les divisions de la nature: Quatre regards sur le château de Chambord, 1978, França, 31min, cópia restaurada fornecida pela INA)
Dos grandes eventos e pessoas comuns (De grands événements et des gens ordinaires, 1979, França, 61min, cópia restaurada fornecida pela INA)
O teto da baleia (Het dak van de walvis, 1982, Holanda, 90 min, cópia restaurada fornecida pela Cinémathèque française)
As três coroas do marinheiro (Les trois couronnes du matelot, 1983, França, 117 min, cópia restaurada fornecida pela INA)
 
 
Os 10 filmes a seguir, dirigidos por cineastas brasileiros exilados, também foram confirmados para a Retrospectiva. Os filmes serão exibidos em suas cópias digitais:
 
Meio-dia (dir. Helena Solberg, 1970, Brasil, 11 min, cópia digital fornecida pela Filmes de Quintal)
Un séjour (dir. Carlos Diegues, 1970, França, 56min, cópia digital fornecida pela Luz Mágica)
O Leão de Sete Cabeças (Der Leone Have Sept Cabeças, dir. Glauber Rocha, 1970, França/Itália/Brasil, 99 min, DCP restaurado fornecido pela Copyrights, com agradecimentos ao Cine Humberto Mauro)
Não é hora de chorar (No es hora de llorar, dir. Luiz Alberto Barreto Leite Sanz e Pedro Chaskel, 1971, Chile, 36 min, cópia digital fornecida pela Cineteca Universidad de Chile)
Memórias de um estrangulador de loiras (dir. Júlio Bressane, 1971, Inglaterra/Brasil, 71 min, cópia remasterizada fornecida pela TB Produções)
A dupla jornada (dir. Helena Solberg, 1975, Argentina/Bolívia/México/Venezuela, 54 min, cópia digital fornecida pela Filmes de Quintal)
Estas são as armas (dir. Murilo Salles, 1978, Moçambique, 56 min, cópia digital fornecida pela Cinema Brasil Digital)
Mueda, memória e massacre (dir. Ruy Guerra, 1979, Moçambique, 75 min, cópia remasterizada fornecido pela Arsenal – Institüt fur film und videokunst e.V.)
O pequeno exército louco (dir. Lúcia Murat e Paulo Adário, 1984, Brasil/Nicarágua, 52 min, cópia em alta resolução fornecida pela Taiga Filmes)
Fragmentos de exílio (dir. Sivio Tendler, 2003, Brasil, 6 min, cópia digital fornecida pela Caliban Produções Cinematográficas)
 
 
SERVIÇO
 
8º Olhar de Cinema – Festival Internacional de Curitiba
De 5 a 13 de junho
http://olhardecinema.com.br
 
1º Encontros de Cinema de Curitiba
De 9 a 11 de junho
A atividade paralela ao festival, voltada para o mercado.
http://encontrosdecinema.com

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