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Oi Futuro, no Rio, expõe videoinstalações sobre cineasta Chantal Akerman

Publicado em 26/11/18 às 16h20

Consagrada internacionalmente, a cineasta Chantal Akerman (1950-2015) realizou mais de 40 filmes, alguns dos quais com lugar assegurado entre os clássicos de todos os tempos. Para celebrar seu legado, o Oi Futuro inaugura em 26 de novembro a primeira exposição no Brasil sobre a obra da artista e sua inserção no universo das artes visuais. Dona de um olhar singular sobre o universo feminino e construtora de um ritmo que rompeu com vários dos cânones do cinema de seu tempo, Chantal ocupará, com quatro videoinstalações, três andares do centro cultural no Flamengo.
 
Chantal Akerman – Tempo Expandido é uma mostra inédita, que conta com a curadoria de Evangelina Seiler e tem sua montagem supervisionada por Claire Atherton, uma das colaboradoras mais próximas de Akerman. O objetivo é aproximar o público brasileiro da estética, do estilo e sobretudo da visão particular da artista sobre o universo feminino. Beto Amaral, da Cisma, idealizou a exposição em 2014, em parceria com a galeria Marian Goodman. Daniela Thomas e Felipe Tassara assinam a expografia da mostra.
 
A mostra
 
As experiências de Chantal Akerman no terreno das videoinstalações a levaram a participar de algumas das mostras mais importantes do mundo, como a Documenta de Kassel (2000) e a Bienal de Veneza (2001 e 2015), entre outras. Suas obras nessa área foram desenvolvidas com base em alguns de seus próprios filmes – aos quais acrescentou material de novas filmagens que realizou.
 
O Oi Futuro receberá quatro videoinstalações da cineasta: In the Mirror (1971-2007) exibe uma cena de um dos primeiros filmes da cineasta (L’Enfant Aimé ou Je joue à être une femme mariée, 16mm, de 1971), na qual uma jovem nua, em frente a um espelho, examina o próprio corpo detalhe por detalhe.
 
La Chambre (2012) foi criada a partir de imagens do filme homônimo de 16mm, lançado em 1972. No artigo “Chantal Akerman: autorretrato da cineasta”, de 2004, a revista Cahiers du Cinéma, editada pelo Centre Pompidou, resume assim o filme: “Uma longa e lenta panorâmica descreve repetitiva e continuamente o espaço de um quarto. No leito, Chantal Akerman – primeiro sentada e imóvel e, quando a câmera retorna, comendo uma maçã. Trata-se tanto de um autorretrato misterioso da cineasta em seu lugar previsível, quanto o equivalente, para o seu cinema, a uma natureza morta: reunir seus motivos pessoais em uma descrição repetitiva para melhor descartá-los em seguida.”
 
Maniac Summer (2009) é composto por imagens e sons gravados em Paris, no verão de 2009.
 
É um tríptico abrangente, sem começo nem fim, sem um assunto ou tema específico. A câmera é posicionada na frente de uma janela e fica ali rodando. Observa movimentos, registra ruídos que vêm da rua ou do parque próximo, capta Chantal Akerman em suas rotinas normais no apartamento: fumando, trabalhando, falando ao telefone. Fragmentos da vida cotidiana da artista são apresentados no vídeo central da instalação, enquanto os painéis auxiliares mostram um material mais simbólico, composto de imagens do vídeo principal que foram isoladas, modificadas e repetidas várias vezes.
 
A quarta obra será Tombée de Nuit sur Shanghai (2009), com projeções de imagens do episódio homônimo dirigido por Chantal Akerman para o filme O Estado do Mundo, que reuniu seis diretores de vários países e foi produzido em comemoração aos 50 anos da Fundação Calouste Gulbenkian, de Portugal.
 
É uma instalação single channel, que evoca a arte da direção e da observação. As imagens estáticas características do estilo de Akerman captam o porto, os barcos que cruzam o rio, as pessoas que passam, o horizonte da megalópole, os gigantescos anúncios iluminados e o cair da noite em tempo real. Tombée de nuit sur Shanghai tem pouco ou nenhum enredo, mas uma poderosa atmosfera que lhe faz as vezes. O burburinho natural de um hotel-restaurante serve de trilha sonora para esse devaneio visual sem um sentido aparente.
 
Serviço
 
Chantal Akerman – Tempo Expandido
Abertura: 26 de novembro às 19h
Visitação: 27 de novembro 2018 a 27 de janeiro 2019
 
Curadoria: Evangelina Seiler
Coordenação artística: Beto Amaral
Assessoria artística: Claire Atherton
Produção executiva: Julia Borges Araña
Expografia: Daniela Thomas e Felipe Tassara
Idealização e produção: Cisma Produções
Realização: Oi Futuro
Parceria: Marian Goodman Gallery
Patrocínio: Governo do Estado do Rio de Janeiro, Secretaria Estadual de Cultura,
Lei de Incentivo à Cultura
Oi Futuro
Rua Dois de Dezembro, 63 – Flamengo, Rio de Janeiro
Níveis 2, 4, 5 e vitrais
Terça a domingo, das 11h às 20h
Entrada Franca – Classificação etária: livre

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