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Olhar de Cinema encerra sétima edição com documentário autobiográfico

Publicado em 13/06/18 às 12h26

Curitiba – Está terminando hoje (13) a sétima edição do festival Olhar de Cinema. A atração de encerramento é o documentário Meu nome é Daniel, relato autobiográfico do jovem diretor Daniel Gonçalves sobre seu enfrentamento pessoal com uma deficiência física de diagnóstico impreciso. A partir das 21h, no Espaço Itaú Crystal, acontece a premiação do festival.
 
Alguns pontos altos desta edição devem ser reafirmados – como a retrospectiva que apresentou o trabalho singular da realizadora norte-americana Janie Geiser; a retrospectiva Jean Rouch, que permitiu lançar um novo olhar sobre a sua muito especial etnoficção; e mais ainda a retrospectiva do senegalês Djibril Diop Mambéty, que trouxe a Curitiba o encanto do mundo que este cineasta foi capaz de criar numa vida curta, apenas 53 anos. Uma última oportunidade de ir ao encontro da obra de Mambéty ocorre no início desta tarde, às 14h, quando serão apresentados seus dois médias, A pequena vendedora do sol e Vamos conversar, vó. Os dois serão exibidos no Espaço Itaú Crystal 1.
 
Competição
Ontem foram exibidos os dois últimos longas da competição, o belga A Floricultura, de Ruben Desiere, e a animação chilena A Casa Lobo, de Cristóbal León e Joaquín Cociña.
 
Em A Floricultura, a narrativa gira em torno de uma espera, o preparo de um assalto, que é também uma metáfora do impasse existencial de três eslovacos de origem cigana, que não encontram lugar em parte alguma, nem na terra natal, nem na Bélgica de sua imigração – aparentemente mais tolerante do que outro país em que estiveram antes, a República Tcheca, onde, segundo um deles, pululam skinheads. Mas o fato é que eles também não estão inseridos ali.
 
Eles escavam um buraco e exploram um túnel para chegar a um banco – que se torna o símbolo do capitalismo financeiro mundial e seu sufocamento de identidades e países em prol de exploradores sem rosto. Afinal, o filme pode ser visto como uma espécie de atualização de Esperando Godot, de Beckett, dos novos tempos, em que os deserdados nem nutrem mais esperanças de aguardar nada mesmo, nem ninguém.
 
A Casa Lobo, uma animação stop motion de grande complexidade técnica e visível ambição estilística, realizada por integrantes do coletivo chileno Diluvio (o mesmo que apresentou, no ano passado, a produção Rey, premiada neste festival), flertou com a fábula e o discurso político, de maneira nem sempre orgânica.
De todo modo, é o tipo de filme que funciona como um gatilho à imaginação e manifesto em favor da liberdade criativa.

Neusa Barbosa, de Curitiba


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