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Olhar de Cinema apresenta retrospectivas de Diop Mambéty e Jean Rouch

Publicado em 03/05/18 às 10h27

Em sua sétima edição, que acontecerá de 6 a 14 de junho, o Olhar de Cinema - Festival Internacional de Curitiba faz sua primeira retrospectiva dupla. A mostra Olhar Retrospectivo deste ano apresenta um diálogo entre dois influentes realizadores da história do cinema: Djibril Diop Mambéty e Jean Rouch. Em comemoração ao vigésimo aniversário de seu falecimento – algumas semanas após a exibição na mostra Cannes Classics da nova restauração digital de seu filme Hienas (1992), será apresentado um conjunto quase completo de filmes do mestre senegalês Mambéty, e um recorte de filmes de Rouch, que contará com oito cópias restauradas em homenagem ao seu centenário.
 
Nascido na França em 1917, Jean Rouch faleceu em 2004 em um acidente automobilístico no Níger, país que tomou como seu lar e que visitou pela primeira vez em 1941, enquanto engenheiro de hidrologia supervisionando uma construção. Rouch ficou fascinado pelos rituais e cerimônias locais que passaria a registrar, criando uma série de filmes no país e em outras colônias e ex-colônias francesas da África Subsariana ao longo de mais de meio século. Grande parte de seus filmes foram considerados documentários na época do lançamento, como Os mestres loucos (1955), Eu, um negro (1958) e muitos outros, embora resultassem de uma elaborada mescla de cenas roteirizadas e reencenações com registros captados em estilo vérité. Rouch dirigiu mais de 100 trabalhos nesse estilo, os quais denominou “etnoficções”, filmados tanto em paisagens africanas quanto em seu país de origem – país no qual passou a se sentir como um estrangeiro, conforme afirmou em entrevistas.
 
Djibril Diop Mambéty nasceu no Senegal, em 1945, e faleceu prematuramente de câncer de pulmão na França, em 1998. Ele foi poeta, artista do teatro, orador e músico, além de diretor de sete filmes marcantes ao longo de 30 anos. Vários de seus filmes são ficções alegóricas, tragicômicas por natureza, realizados com atores do Senegal em seus locais de origem. Os protagonistas dos filmes de Mambéty, como em A Viagem da Hiena (1973) e Le Franc (1994), são cidadãos autônomos que transitam entre visões de utopia e distopia, à medida que lutam contra o sentimento de serem sujeitos do colonialismo. Eles sonham em deixar seus lares para fazer fortuna na Europa, assim como em levar para casa a riqueza acumulada no estrangeiro. Os filmes testemunham como eles intercalam os papéis de colonizadores e colonizados sem com isso emitir um julgamento moral; ao contrário, as obras de Mambéty evidenciam personagens livres para escolher ser o que desejarem.
 
A carreira de Rouch teve início duas décadas antes dos primeiros trabalhos de cineastas da África subsariana. O filme inaugural de Mambéty, o curta anárquico “Contras’city” (1968), foi realizado oito anos após o governo do Senegal ter declarado independência e dois anos após a estreia de “Garota Negra” (1966) de seu compatriota Ousmane Sembène, frequentemente considerado o primeiro longa-metragem da África subsariana. Rouch se tornou uma importante referência para Jean-Luc Godard e os demais integrantes da Nouvelle Vague francesa, assim como para cineastas africanos, dentre os quais a senegalesa Safi Faye, estrela do filme de Rouch “Pouco a pouco” (1969). Mambéty também é tido como uma potente influência para realizadores africanos, como Souleymane Cissé e Abderrahmane Sissako, e para cineastas contemporâneos de outros continentes, incluindo o estadunidense Billy Woodberry e sua própria sobrinha Mati Diop, diretora e atriz de origem francesa.
 
As atividades da retrospectiva incluem uma mesa de debate acerca dos legados das obras de Djibril Diop Mambéty e Jean Rouch, além de debates com convidados após algumas sessões. Os colaboradores na realização da retrospectiva incluem a empresa norte-americana Icarus Films (http://www.icarusfilms.com/if-rouch) e Teemour Diop Mambéty, filho de Djibril Diop Mambéty e fundador da empresa MD Crossmedia (https://vimeo.com/mdcrossmedia).
 
A programação completa da mostra Olhar Retrospectivo, contendo exibições e atividades complementares, será anunciada em breve. Maiores informações sobre a mostra e os demais programas da 7ª edição do Olhar de Cinema – Festival Internacional de Curitiba estarão disponíveis no site do festival: https://www.olhardecinema.com.br/.

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