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Premiére do brasileiro"Ex-Pajé" em Berlim tem manifesto pró-indígenas

Publicado em 17/02/18 às 11h19

Ex-Pajé, documentário escrito e dirigido por Luiz Bolognesi (Uma História de Amor e Fúria), terá sua première mundial neste sábado (17-2), às 20h, no Festival de Berlim, como parte da mostra Panorama. Na sessão, será divulgado um Manifesto de Povos e Lideranças Indígenas do Brasil que propõe um país com mais tolerância e respeito e denuncia o etnocídio.  
 
Assinado por 28 lideranças e 15 organizações indígenas, um dos trechos do manifesto afirma: "Hoje atravessamos muitas crises, ecológica, econômica, política, a nossa frágil democracia foi atacada e os territórios indígenas estão sendo invadidos e saqueados. Junto com o ferro e o fogo, vem a conversão racista. Trocam as rezas pela bíblia e as medicinas por aspirinas. Epidemias de depressão provocam os maiores índices de suicídio do mundo, manchando de sangue as lindas florestas do Brasil".
 
Para o diretor e roteirista Luiz Bolognesi, "num momento em que as casas de reza indígenas estão sendo queimadas e os pajés demonizados pela violência evangélica, ter o filme Ex-Pajé estreando em Berlim significa levar as vozes dos espíritos da floresta mundo afora através do cinema".
 
O longa mostra o drama contemporâneo dos povos indígenas a partir da história de Perpera, um índio Paiter Suruí que viveu até os 20 anos num grupo isolado na floresta onde se tornou pajé. Após o contato com os brancos, um pastor evangélico afirma que os atos e saberes do pajé são coisas do diabo e Perpera passa a viver um conflito interno. Apesar de se dizer evangélico e se definir como ex-pajé, continua tendo visões dos espíritos da floresta.
 
"O mais comovente neste cinema-verdade que o Luiz Bolognesi se propôs a filmar com toda a delicadeza que o tema exige é a transformação de nós, espectadores, em testemunhas dos últimos minutos de existência de uma cultura milenar cheia de sabedoria, que não foi registrada na história deste planeta e nem passada para as novas gerações. O último suspiro", lamenta a produtora Laís Bodanzky.

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