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8o. Slow Filme reúne cinema e gastronomia em Goiás

Publicado em 06/09/17 às 18h03

De 14 a 17 de setembro de 2017, realiza-se em Pirenópolis (GO) o 8º Slow Filme – Festival Internacional de Cinema, Alimentação e Cultura Local. Serão quatro dias de exibição de filmes, palestras, oficinas e degustações com especialistas, realizadores e chefs. Pela tela do festival vão passar títulos que revelam como a intolerância separa e como a comida é capaz de unir os povos.
 
Na programação, com curadoria do cineasta e crítico Sérgio Moriconi, serão exibidos cerca de 20 filmes, entre longas, médias e curtas-metragens, de ficção, animação e documentários. Em 2017, o festival vai se concentrar no tema das diásporas contemporâneas. Desde o primeiro título a ser projetado – Walachai – até os episódios da série The Perennial Plates e o longa-metragem de produção espanhola The Turkish Way, o festival quer reforçar a importância do respeito à diversidade.
 
A programação segue com títulos como o argentino Tudo sobre o assado, de Gastón Duprat e Mariano Cohn que, com ironia e longe do politicamente correto, promove uma viagem à Argentina profunda para apresentar o churrasco como comida que identifica o país, desde seus aspectos rituais e rurais até o refinamento da cozinha contemporânea. Exibirá também a bem humorada produção italiana Quando a Itália comia em branco e preto e o inédito documentário francês A horta do meu avô.
 
A grade inclui ainda o australiano Faça homus, não faça a guerrade Trevor Graham, que mostra como o amor a uma comida – o homus – une povos que vivem em guerra constante no Oriente Médio. Após a exibição, haverá uma conversa com Maria Conceição Oliveira, representante do projeto Comida de (I)migrante, de São Paulo, para revelar o trabalho junto a populações de migrantes, imigrantes e refugiados.  
 
O encontro depois da sessão também terá uma degustação de homus especialmente preparado por Yasmin e Ammar Abou Nabout, refugiados sírios que estão vivendo em Brasília e de petiscos típicos da Costa do Marfim, produzidos durante oficina que a cozinheira Fatoumata Aboua vai ministrar na UEG – Universidade Estadual de Goiás. Tanto o casal Yasmin e Ammar quanto Fatou sobrevivem no País graças à culinária. Eles também conversarão com a plateia, revelando um pouco de suas experiências.
 
De Trevor Graham, a programação apresenta ainda Senhor Maionese, sobre as façanhas de Georges Mora na Resistência Francesa ao nazismo, durante a Segunda Guerra Mundial, quando, com a ajuda do lendário mímico Marcel Marceau, salvou milhares de vidas de judeus enchendo de documentos secretos da Resistência baguetes com maionese garlicky, que os guardas nazistas se recusavam a tocar.
 
O espanhol Sagardoa Bidegile – Histórias de Sidra, 2015, apresenta o trabalho da diretora Bego Zubia Gallastegi sobre o costume basco de, durante quatro meses por ano, consumir tortilha, bacalhau e queijo, acompanhados da tradicional sidra, aos gritos de “txotx!’. Ao final da exibição, a plateia será convidada a experimentar rótulos de sidra basca especialmente trazidas para o evento. Ainda em parceria com a Embaixada da Espanha e Instituto Cervantes, Slow Filme exibirá o bem humorado curta-metragem Dois tomates, dois destinos.
 
A programação reserva também filmes como Pelos Caminhos da Turquia/The Turkish Way, do espanhol Luis Gonzalez, que, como num livro de viagem, conta as experiências dos três irmãos Roca – do célebre restaurante El Celler de Can Roca, considerado o melhor restaurante do mundo – em sua viagem pela Turquia. O filme mostra o processo de aprendizagem sobre uma das cozinhas mais desconhecidas, poderosas e antigas do mundo. Após a projeção do filme, serão servidas iguarias turcas generosamente cedidas pela Embaixada da Turquia.
 
O festival também dará continuidade à parceria com o projeto norte-americano O Prato Perene/The Perennial Plate, lançado no Brasil pelo Slow Filme, exibindo cinco episódios da série. O Prato Perene é um projeto dedicado à alimentação socialmente responsável e sustentável. O chef e ativista Daniel Klein e a cineasta Mirra Fine viajam pelo mundo explorando maravilhas, complexidades e histórias humanas.
 
Dentre as atividades paralelas ao cinema, o festival destaca o almoço especial que será preparado pela cozinheira Fatou Aboua, da Costa do Marfim, no restaurante Montserrat, de propriedade do chef Juan Pratginestós, em Pirenópolis, no domingo, 17 de setembro.
 
O 8º Slow Filme está sendo realizado graças à parceria com sete embaixadas, que se dispuseram a pagar custos com direitos de exibição e legendagem, assim como auxiliar na promoção de degustações. Representações diplomáticas de Espanha, França, Turquia, Argentina, Itália e Austrália, no Brasil, possibilitaram uma programação de oferece filmes em sua maioria inéditos no País.
 
Oficina
 
Como ação de democratização, o festival vai reforçar sua parceria com a UEG – Universidade do Estado de Goiás, que tem acolhido oficinas e programado idas dos alunos ao festival como parte do conteúdo didático dos cursos de gastronomia. A Universidade vai acolher a oficina “Comida de Imigrante e Refugiado”, a ser ministrada pelos cozinheiros Yasmin e Ammar Abou Nabout, da Síria, e Fatou Aboua, da Costa do Marfim. Aberta a estudantes e público em geral, a oficina vai ensinar receitas tradicionais dos dois países. Os participantes irão preparar o tradicional homus, sob a coordenação de Ammar, e bolinhos de fubá com iogurte natural, com orientação de Fatou. Os quitutes serão depois servidos na degustação da noite, no Cine Pireneus.

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