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Festival É Tudo Verdade anuncia selecionados e nova competição latino-americana

Publicado em 05/04/17 às 08h54

De 19 a 30 de abril, o melhor do cinema documentário brasileiro e internacional ocupa as telas do Rio de Janeiro e São Paulo no É Tudo Verdade - 22o Festival Internacional de Documentários. Premiados e destaques participam a seguir de circuito de itinerâncias em Porto Alegre e Brasília.
 
“É um alento que seja tão vigorosa a produção de documentários nestes dias de ‘fatos alternativos’ e ‘fake news’”, comenta o fundador e diretor do festival, Amir Labaki. “Contra a confusão que desumaniza, nada melhor do que o olhar original sobre a realidade de um cineasta com sua câmera. É por meio deles que o É Tudo Verdade espelha o mundo”.
 
Sete produções nacionais inéditas no país estão selecionadas para a Competição Brasileira de Longas e Médias-Metragens e nove,sendo seis inéditas no Brasil, para a Competição Brasileira de Curtas-Metragens. Participam da Competição Internacional de Longas e Médias-Metragens 12 documentários inéditos no país, e da Competição Internacional de Curtas-Metragens, nove títulos igualmente aqui inéditos.
 
Pela primeira vez, o festival apresenta uma Competição de Longas Latino-Americanos, com sete produções.
As mostras informativas são: Projeções Especiais, O Estado das Coisas, Retrospectiva Internacional - 100: De Volta à URSS; Retrospectiva Brasileira: Sergio Muniz, Mostra É Tudo Verdade/BNDES,16a Conferência Internacional do Documentário É Tudo Verdade – Petrobras, É Tudo Verdade no Itaú Cultural.
 
O festival qualifica os curtas vencedores para inscrição direta junto a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood visando a disputa do Oscar de melhor documentário de curta-metragem.
 
Sessões de abertura
 
A estreia mundial de Eu, Meu Pai e os Cariocas - 70 Anos de Música no Brasil, de Lúcia Veríssimo, e a première latino-americana de Cidade de Fantasmas, de Matthew Heineman, farão as sessões de abertura do É Tudo Verdade 2017 – 22o Festival Internacional de Documentários, respectivamente no Rio de Janeiro (19/4) e em São Paulo (20/4).
 
“Há muitas celebrações na bela estreia na direção de Lúcia Veríssimo”, afirma Amir Labaki. “É um filme de amor: ao pai, à música brasileira, ao Rio de Janeiro, ao Brasil. Antecipamos nossa abertura para o Rio pelo privilégio de celebrar logo junto com ela”.
 
Segundo Amir Labaki, Cidade de Fantasmas, de Matthew Heineman, é um filme que encara de frente a brutalidade do Estado Islâmico e homenageia aqueles que o combatem com as armas do jornalismo. Nele vemos o que nunca gostaríamos de ter visto e o que esperamos ver e aplaudir todos os dias: a coragem cotidiana de jornalistas em busca do triunfo da informação”. Depois das sessões de abertura para convidados, ambos os filmes serão apresentados em projeções abertas ao público nas duas cidades que sediam o festival.
 
Abaixo, mais informações sobre os filmes de abertura e os títulos participantes das competições brasileira e internacional de longas e médias:
 
Sessão de Abertura – Rio de Janeiro
Eu, Meu Pai e os Cariocas - 70 Anos de Música no Brasil (Dir.: Lúcia Veríssimo, Brasil, 2017, 112 min.)
Revisita a história de Os Cariocas, um dos grupos mais importantes da música popular brasileira, pelo olhar de Lúcia Veríssimo, filha de um de seus principais expoentes, o maestro Severino Filho (1928-2016). A banda tornou-se conhecida em programas da rádio Nacional, notabilizando-se por arranjos vocais que marcaram seu estilo único.
 
Sessão de Abertura – São Paulo
Cidade de Fantasmas (Dir.: Matthew Heineman, EUA, 2016, 90 min.)
A câmera do premiado cineasta Matthew Heineman volta-se para os jornalistas ativistas do grupo Raqqais Being Slaughtered Silently (RBSS – Raqqa Está Sendo Assassinada Silenciosamente), que arriscam a vida diariamente para registrar em vídeos e fotos as atrocidades do Estado Islâmico, que tomou sua cidade, na Síria, em março de 2014, tornando-a sua “capital”.
 
COMPETIÇÃO BRASILEIRA: LONGAS OU MÉDIAS – METRAGENS
A Competição Brasileira de Longas ou Médias-Metragens apresentará sete filmes – todos em estreia no país. O título vencedor conquista o Prêmio É Tudo Verdade, no valor de R$ 110 mil, e um troféu criado pelo artista Carlito Carvalhosa.
 
Cidades Fantasmas (Dir.: Tyrell Spencer, Brasil, 2017, 70 min.)
Em Humberstone (Chile), pouco restou da prosperidade do salitre. Perto da antiga Fordlândia (PA), casas de posseiros são os últimos sinais da cidade construída por Henry Ford. Armero (Colômbia), teve a população dizimada pela erupção do vulcão Nevado del Ruiz, em 1985. Vinte e cinco anos depois de uma inundação, ruínas da Villa Epecuén (Argentina) expõem os restos da velha estação de águas.
 
Em um Mundo Interior (Dir.: Flavio Frederico e Mariana Pamplona, Brasil, 2017, 75 min.)
Alternando entrevistas de médicos, terapeutas e testemunhos de pais, o documentário retrata a complexidade do universo do autismo – uma disfunção neurológica que afeta a linguagem e a parte motora e, especialmente, a interação com os outros. Retratando diversos personagens, o filme cria condições para que o espectador possa compartilhar as situações.
 
Maria - Não Esqueça que Eu Venho dos Trópicos (Dir.: Francisco C. Martins, Brasil, 2017, 80 min.)
Escultora, gravurista, pintora, desenhista e escritora, Maria Martins (1894-1973) foi uma mulher que desafiou o conformismo. Estudando escultura na Europa com Oscar Jespers, em Bruxelas, desenvolveu um talento que a aproximou do surrealismo. Depois radicada nos EUA, conhece Marcel Duchamp, com quem manteria uma ligação amorosa e artística de mútuas influências.
 
Mexeu Com Uma, Mexeu Com Todas (Dir.: Sandra Werneck, Brasil, 2017, 71 min.)
Reunindo depoimentos de vítimas e sobreviventes, o documentário coloca em pauta o abuso sexual. Depoentes como a farmacêutica Maria da Penha – que empresta o nome à lei de 2006 que criminaliza a violência contra a mulher –, a nadadora Joana Maranhão, a ex-modelo Luíza Brunet, a escritora Clara Averbuck e várias outras mulheres constroem suas narrativas.
 
Quem é Primavera das Neves (Dir.: Ana Luiza Azevedo e Jorge Furtado, Brasil, 2017, 75 min.)
Em março de 2010, o cineasta Jorge Furtado escreve uma postagem em seu blog, indagando quem pode ter notícias sobre a tradutora Primavera das Neves, cujo nome o fascina. A busca o leva ao encontro deste documentário, em que é guiado por amigas de infância da tradutora, Eulalie Ligneul, e a artista plástica Anna Bella Geiger. 
 
A Terceira Margem (Dir.: Fabian Remy, Brasil, 2016, 56 min.)
Em 1953, treze anos depois do início da célebre “Marcha para o Oeste”, os indigenistas irmãos Villas-Boas encontram, entre os índios Caiapó, o jovem João Kramura, um branco roubado de seus parentes e criado na tribo. Através do índio Funi-ô Thini-á, reconstitui-se a história de João e também a do próprio Thini-á.
 
Tudo é Irrelevante. Helio Jaguaribe (Dir.: Izabel Jaguaribe e Ernesto Baldan, Brasil, 2017, 83 min.)
Nascido no Rio de Janeiro em 1923, Helio Jaguaribe é um dos cientistas políticos mais importantes do Brasil. Pertencente a uma geração de intelectuais devotados a repensar o Brasil desde meados dos anos 1950, ele é um dos expoentes do nacional-desenvolvimentismo, que formulou teorias para um capitalismo autônomo no Brasil, apoiado na integração latino-americana. 
 
COMPETIÇÃO INTERNACIONAL: LONGAS OU MÉDIAS – METRAGENS
Doze longas-metragens inéditos no Brasil participam da Competição Internacional de Longas ou Médias-Metragens. O vencedor receberá um prêmio no valor de R$ 15 mil e o troféu É Tudo Verdade, criado pelo artista plástico Carlito Carvalhosa.
 
Abacus: Pequeno o Bastante para Condenar (Dir.: Steve James, EUA, 2016, 88 min.)
Diretor do premiado “Basquete Blues” (1994), Steve James mergulha no singular processo da família Sung de imigrantes chineses, donos do banco Abacus Federal Savings, acusados de fraude hipotecária em 2012 pelo procurador-geral de Nova York, Cyrus Vance Jr., na esteira da grave crise financeira de 2008. 
 
Comunhão (Dir.: Anna Zamecka, Polônia, 2016, 72 min.)
Ola tem apenas 14 anos, mas é a chefe de uma pequena família disfuncional. Cuida de um pai destituído de senso de realidade, que só pensa em TV e cerveja, e de um irmão autista de 13 anos, Nikodem. A mãe vive com outro homem e um bebê. Ainda assim, Ola acredita que pode reunir sua família dividida. 
 
A Copa dos Trabalhadores (Dir.: Adam Sobel, Reino Unido, 2017, 89 min.)
Imigrantes asiáticos e africanos que constroem os estádios e instalações da Copa do Mundo de 2022, no Catar, participam, em 2015, de um torneio de futebol. Pensado como jogada de marketing pelas companhias contratantes dos operários, o evento torna-se uma oportunidade para que o documentário revele os bastidores de inacreditáveis condições de vida e de trabalho. 
 
Luz Obscura (Dir.: Susana de Sousa Dias, Portugal, 2017, 77 min.)
Assim como os filmes anteriores da diretora Susana de Sousa Dias, “Natureza Morta” (2005) e “48” (2010), a origem deste documentário encontra-se nos arquivos da PIDE, a polícia política portuguesa, que atuou de 1926 a 1974. Aqui, o ponto de partida é a fotografia de uma mulher com um bebê no colo, o que conduz a uma investigação sobre os familiares de Octavio Pato. 
 
No Exílio: Um Filme de Família (Dir.: Juan Francisco Urrusti, México, 2016, 124 min.) – première internacional
O cineasta Juan Francisco Urrusti resgata a memória de sua família, sobrevivente da Guerra Civil Espanhola e refugiada no México, em 1939. Seus pais, uma tia e os quatro avós vieram num barco de carga, desfrutando, como milhares de outros exilados espanhóis, de acolhida calorosa numa época em que o México era governado pelo presidente esquerdista Lázaro Cárdenas. 
 
No Tempo que Chegará (Dir.: Tan Pin Pin, Singapura, 2017, 62 min.)
Durante as comemorações do cinquentenário da independência de Singapura, a cineasta Tan Pin Pin acompanha a preparação de uma cápsula do tempo, que conterá objetos representativos desta era para o futuro. Ao mesmo tempo, processa-se a abertura de uma antiga cápsula, revelando artefatos de uma outra época que hoje exigem esforços de interpretação.
 
A Prisão em 12 Paisagens (Dir.: Brett Story, Canadá/EUA, 2016, 87 min.)
Recorrendo a situações filmadas em diversas regiões dos EUA, a cineasta canadense Brett Story compõe uma instigante reflexão sobre como a atual filosofia do encarceramento em massa naquele país – hoje com 2,2 milhões de detentos – penetrou cada aspecto da vida. 
 
Paris é uma Festa – Um Filme em 18 Ondas (Dir.: Sylvain George, França, 2017, 96 min.)
Em busca de traçar uma nova cartografia social de Paris, o diretor Sylvain George recorre a alguns adolescentes estrangeiros em seus percursos pelas ruas da capital francesa, após os atentados que a sacudiram desde o final de 2015. Passam pelo crivo destes jovens discriminados paisagens, canções, violência de Estado, a revolta, a busca de expressão. 
 
Perón, Meu Pai e Eu (Dir.: Blas Eloy Martínez, Argentina, 2017, 80 min.) – première mundial
Autor de livros como “Santa Evita” (1996), o escritor e jornalista argentino Tomás Eloy Martinez realizou, há 45 anos, uma mítica entrevista com o ex-presidente Juan Domingo Perón. Depois da morte do autor, em 2010, seu filho Blas Martinez recupera as gravações. Inicia, então, um mergulho não só na história de seu país como em sua própria vivência pessoal.
 
Relações Próximas (Dir.: Vitaly Mansky, Letônia/Alemanha/Estônia/Ucrânia, 2016, 112 min.)

De maio de 2014 a maio de 2015, o cineasta Vitaly Mansky viajou por diversas regiões da Ucrânia, visitando integrantes de sua família. A partir de conversas com a mãe, o avô e tias, aos poucos ele forma um mosaico das opiniões dos moradores do país sobre os desdobramentos da grave crise política que divide a nação desde novembro de 2013.
 
O Show da Guerra (Dir.: Andreas Dalsgaard e Obaidah Zytoon, Dinamarca/Noruega/ Síria, 2016, 100 min.)
Quando a Primavera Árabe chega à Síria, em 2011, a radialista e DJ Obaidah Zytoon e seus amigos começam a filmar, com suas câmeras e celulares, os protestos que tomam as ruas. Intuitivamente, captam em primeira mão os acontecimentos que iriam moldar a progressiva radicalização no país, finalmente destruído por uma guerra civil até hoje sem solução. 
 
Uma Vida Alemã (Dir.: Christian Krones, Olaf Muller, Roland Schrotthofer e Florian Weigensamer, Áustria, 2016, 113 min.)
Funcionária da máquina administrativa nazista, Brunhilde Pomsel (1911-2017) foi secretária e estenógrafa pessoal do ministro de Propaganda, Joseph Goebbels. Neste documentário despojado, em preto-e-branco, ela fala de seu trabalho, que incluía, entre outras coisas, maquiar estatísticas. Apesar disso, ela nega qualquer sentimento de culpa. 
 
É Tudo Verdade - Festival Internacional de Documentários
It’s All True – International Documentary Film Festival
etudoverdade.com.br / itsalltrue.com.br

 

 


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