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Críticos do RGS elegem seus melhores e pedem manutenção de gestora de emissoras públicas

Publicado em 24/01/17 às 17h20

A Associação de Críticos de Cinema do Rio Grande do Sul em voto de protesto sagrou a Fundação Piratini como o destaque mais importante do cenário cultural do Rio Grande do Sul em 2016. Sendo contrária ao Projeto de Lei (PL) 246, que foi aprovado e prevê a extinção da fundação, a ACCIRS reafirma a importância da comunicação pública para o desenvolvimento social dos gaúchos e defende a manutenção da gestora das emissoras públicas de TV e rádio - TVE e FM Cultura. Reconhecida com o Prêmio Luiz César Cozzatti, a fundação foi apontada ao lado dos filmes Aquarius, de Kleber Mendonça Filho, e Elle, de Paul Verhoeven, como os favoritos da mais recente temporada. Mais de quarenta críticos de cinema – entre jornalistas, pesquisadores e estudiosos – membros da entidade apontaram os melhores do último ano em três categorias: Destaque Gaúcho, Filme Nacional e Filme Internacional.
 
Tradicionalmente, a ACCIRS escolhe o filme, profissional, lugar ou evento que mais movimentou, contribuiu, colaborou ou incentivou o desenvolvimento, a fruição e a promoção da cultura cinematográfica no Rio Grande do Sul. Em 2016, os críticos de cinema dedicam o Prêmio Luiz César Cozzatti – Destaque Gaúcho à Fundação Piratini, que controla a TVE e FM Cultura. "A TVE e a FM Cultura sempre dedicaram espaços generosos à divulgação do cinema, seja em programas, entrevistas, coberturas ou exibição de filmes e séries. Com absoluta maioria dos votos dos seus associados, a ACCIRS escolheu entregar o Prêmio Luiz Cesar Cozzatti para estas duas emissoras públicas em reconhecimento ao seu apoio para o desenvolvimento e fortalecimento do nosso cinema e também de toda a produção cultural do Rio Grande do Sul", afirma Mônica Kanitz, vice-presidente da ACCIRS.
 
O longa-metragem Aquarius, de Kleber Mendonça Filho, foi o vencedor e consagrado como o melhor filme brasileiro do ano, de acordo com a votação. Além de ser selecionado para o festival de Cannes e Sidney em 2016, a produção recebeu o Prêmio do Júri como Melhor Filme no Festival de Amsterdam, na Holanda. Outro destaque é sua indicação para concorrer ao Spirit Awards, dos Estados Unidos, evento de premiação de filmes independentes que antecede ao Oscar. Aquarius, na disputa nacional, foi quase unanimidade, ainda que títulos como Boi Neon, de Gabriel Mascaro, e Ela Volta Na Quinta, de André Novais Oliveira, também tenham sido lembrados.
 
A coprodução França, Alemanha e Bélgica Elle, dirigida por Paul Verhoeven, conquistou, em 2017, o prêmio de Melhor Filme Estrangeiro e Melhor Atriz em Drama para Isabelle Huppert no Globo de Ouro. Também foi premiado no Critics Choice Awards 2016 como Melhor Filme Estrangeiro, além de ser selecionado para os festivais de Cannes, Londres, São Paulo e Lisboa. Na votação da ACCIRS, Elle foi consagrado como o Melhor Longa Estrangeiro do ano, vencendo uma disputa muito equilibrada que teve entre os concorrentes Oito Odiados, de Quentin Tarantino, e A Chegada, de Denis Villeneuve.
 
Aquarius e Elle foram, indiscutivelmente, os filmes de 2016. O primeiro foi a grande sensação do cenário nacional, desde a manifestação política que o diretor Kleber Mendonça Filho e os atores, entre eles a protagonista Sonia Braga, fizeram durante o Festival de Cannes, até a passagem pelo Festival de Gramado e pelas telas de todo o país, gerando uma comoção como há muito não se via relacionada a uma produção brasileira. Já Elle é uma obra polêmica, que tem dividido opiniões, porém todas muito apaixonadas e intensas. E isso é um caminho saudável para o cinema, provocando, mas não no vazio, e sim voltado à discussão e a reflexão. Por fim, é importante destacar que se tratam de dois longas bastante femininos, com mulheres muito fortes como protagonistas, o que representa uma mudança de visão mais do que necessária”, afirma o presidente da ACCIRS, Robledo Milani
 
 

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