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Documentário "Sem Pena" inicia com força competição em Brasília

Publicado em 18/09/14 às 13h22

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Concorrente inaugural da seleção de longas, o documentário paulista Sem Pena (foto), de Eugênio Puppo, se arriscou a superar o tradicional modelo de entrevistas com imagens dos rostos dos depoentes – as chamadas “cabeças falantes” – ao assinar um longa que se apoia nas vozes dos entrevistados, com imagens de instituições, ruas e fragmentos de imagens de pessoas ou roupas para deflagrar uma contundente discussão sobre uma das mais dramáticas mazelas nacionais – a situação da justiça criminal no País.
 
Se o tema é recorrente no cinema nacional, inclusive em documentários como Justiça, de Maria Augusta Ramos, à ficção De Menor, de Caru Alves, Puppo, um notório estudioso do cinema marginal, autor do recente documentário Ozualdo Candeias e o Cinema, talvez mesmo por não ser um habituê desse universo dos chamados “filmes sociais”, conseguiu injetar-lhe oxigênio. Em primeiro lugar pelas opções estéticas. Além da opção de ocultar os rostos dos entrevistados (só identificados no final), o diretor fez um uso original da edição de som, um belo trabvalho de Fabio Gonçalves com ruídos diretos e sua manipulação, além de melodias de John Cage.
 
Do ponto de vista do conteúdo, ou seja, das ideias discutidas, valeu muito a Puppo a parceria com o IDDD – Instituto de Defesa do Direito de Defesa, entidade que garantiu o acesso a muitos locais normalmente impermeáveis à presença das câmeras. Uma invisibilidade que impede um debate mais livre sobre as soluções para o inegável problema do aumento da criminalidade no País.
 
Sem Pena, que estreia em circuito em 12 cidades no próximo dia 2 de outubro, com distribuição da Espaço Filmes, felizmente não se dispõe a esgotar seu tema, um cipoal de dramas, frases feitas e fracassos de abordagens. A pior delas, segundo um dos entrevistados do filme, Luiz Soares, o frenético encarceramento de suspeitos e jovens pobres, fenômeno que nega o surrado chavão de “país da impunidade” – ou pelo menos define que a impunidade é relativa apenas a algumas classes sociais.
 
Curtas
Foram bem igualmente os dois primeiros concorrentes da seção de curtas, como o pernambucano Loja de Répteis, em que o diretor Pedro Severien adapta um conto de sua autoria, criando suspense psicológico e horror num mergulho nas obsessões de um casal – uma história com um fundo social evidente, que se vale muito bem das ferramentas do cinema de gênero.
 
O outro curta foi o paulista Bashar, em que o diretor Diogo Faggiano reúne imagens de três origens para criar um pequeno caleidoscópio da crise síria: imagens de uma longa entrevista do presidente Bashar Al-Assad à Fox americana; entrevistas feitas por sua equipe no Egito; e também imagens filmadas por um amigo cineasta sírio nos bastidores da guerra civil, entre rebeldes opositores do governo, muitos dos quais já foram mortos. Também sem pretender esgotar as visões sobre uma situação em rápida mudança, Faggiano traz a crise síria para mais perto do espectador brasileiro. 
 
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Neusa Barbosa


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