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Uma viagem no tempo com Keira Knightley

Publicado em 09/04/13 às 09h06

 Quando você pensa na atriz Keira Knightley, qual é a primeira imagem que lhe vem à cabeça? Não é preciso ser telepata para saber que o público irá imaginá-la com figurinos de época em meio de cenários históricos, pois foram as produções desse gênero que mais marcaram a sua carreira. Reforçando ainda mais esta ideia, Anna Karenina (2012), que mistura teatro e cinema para recontar a história do clássico de Tolstói nas telonas, a traz novamente como protagonista de um filme de época.

Raramente vista interpretando personagens contemporâneos, o primeiro papel dela em Hollywood foi uma viagem ao passado de uma galáxia muito distante... Mais exatamente em 32 ABY, na Era Clássica da República no Calendário Padrão Intergalático de Star Wars. Talvez só um espectador muito atento perceba que ela era Sabé, a sósia da Rainha Padmé Amidala, interpretada por Natalie Portman em Star Wars: Episódio 1 – A Ameaça Fantasma (1999). O que não é problema algum: reza a lenda que a semelhança entre as duas era tão grande que até as mães das atrizes tinham dificuldades em reconhecer suas filhas quando estavam maquiadas no set.

Voltando ao calendário gregoriano, sua incursão mais distante foi no século V, encarnando Guinevere em Rei Arthur (2004). O longa pretendia contar a “verdade” sobre a figura lendária britânica, porém não obteve muitas críticas positivas, para tristeza da inglesa nascida em Teddington, subúrbio de Londres. Ainda na Idade Média, mas 700 anos depois, ela está na pele da filha de Robin Hood no telefilme A Princesa dos Ladrões (2001). Na vida real, a segunda atriz mais bem paga em 2007, segundo a Forbes, também faz trabalhos humanitários e demostra certo desprendimento com o dinheiro. Um exemplo é o processo que ela ganhou contra o jornal The Daily Mail, por ter divulgado uma foto dela de bíquini em uma reportagem de uma mãe que culpava a magreza das celebridades pela morte por anorexia de sua filha; a quantia que a artista recebeu por danos morais foi doada para uma ONG que apoia pessoas com distúrbios alimentares.

 No entanto, Keira se estabeleceu no mundo do cinema e ganhou o público “vivendo” no século XVII, com a franquia Piratas do Caribe. Como a corajosa dama Elizabeth Swann, ela se transformou em uma it-girl após Piratas do Caribe – A Maldição do Pérola Negra (de 2003, foto ao lado), e se tornou uma corsária nas telas e uma estrela em Hollywood com as duas sequências da primeira trilogia: Piratas do Caribe: O Baú da Morte (2006) e Piratas do Caribe: No Fim do Mundo (2007).

Passando para o período histórico seguinte, um dos seus primeiros papéis foi na atmosfera oitocentista do filme para TV The Treasure Seekers (1996). Além disso, Keira dá voz à fada Sininho na minissérie Neverland (2011) e vida à Georgina Cavendish em A Duquesa (2008), ambos ambientados na mesma época. Falando na duquesa de Devonshire e ancestral da Princesa Diana, Georgina ficou famosa por sua beleza e estilo, atributos que sua intérprete também possui e fizeram com que a atriz conquistasse o posto de garota-propaganda do Coco Mademoiselle, perfume da grife Chanel.

 Outros quatro trabalhos dela mostram diferentes cenários do século subsequente: a França e o Japão oitocentistas de Paixão Proíbida (2007), a Rússia czarista de Anna Karenina (foto ao lado), as mazelas da Revolução Industrial sobre as cidades inglesas na minissérie Oliver Twist (1999) versus a sociedade rural da Inglaterra em Orgulho e Preconceito (2005). Aliás, o último filme foi importantíssimo para a sua carreira. Vivendo novamente uma Elizabeth, mas agora a Elizabeth Bennet do clássico inglês de Jane Austen, Keira Knightley teve seu desempenho reconhecido com indicações para o Globo de Ouro e o Oscar, como melhor atriz. Nas gravações, ela conheceu o ator Rupert Friend, com quem teve um relacionamento até 2010. Antes, ela namorou por dois anos o colega de profissão Jamie Dornan – mais conhecido pela badalada série Once Upon a Time (2011-) – e, atualmente, é noiva de James Righton, co-vocalista e tecladista da banda de new rave Klaxons.

 No entanto, o século XX é o mais presente no contexto das produções em que participou. Os primeiros anos do período são retratados em Mentiras Inocentes (1995) e Um Método Perigoso (de 2011, na foto ao lado). No primeiro, a atriz, que completou 28 anos no dia 26 de março, aparece ainda menina na história; enquanto no segundo filme, ela, que já foi eleita uma das mulheres mais sexys do mundo, atua nas tão famosas cenas de sexo do diretor David Cronenberg, no longa sobre a relação de Sigmung Freud, Carl Jung e Sabina Spielrien, pioneiros da psicanálise. Mais adiante, a Revolução Russa serve de pano de fundo para o telefilme britânico Doutor Zhivago (2002).

É claro que não poderiam faltar as histórias sobre a Segunda Guerra Mundial, tema constante no cinema. Suas personagens vão da mera espectadora do conflito em Amor Extremo (2008) até a enfermeira no campo de batalha em Desejo e Reparação (2007). O primeiro filme teve o roteiro escrito por sua mãe, a antiga atriz e hoje escritora de peças de teatro, Sharman Macdonald. Já o segundo trabalho, uma elogiada adaptação do romance de Ian McEwan, foi realizado por Joe Wright, o diretor com quem Keira mais trabalhou na sua carreira –anteriormente eles fizeram juntos Orgulho e Preconceito e estão em Anna Karenina – e que, antes da boa relação que mantém com a atriz, possui algo em comum com ela: ambos são disléxicos, mas superaram suas dificuldades com a leitura e os problemas decorrentes disso por meio da arte. A parceria rendeu bons frutos aos dois: Desejo e Reparação ganhou o Globo de Ouro e o BAFTA de melhor filme e Keira concorreu na categoria de melhor atriz nestes prêmios.

 Caminhando para a segunda metade do século XX, temos o passado ficcional de Não Me Abandone Jamais (de 2010, na foto ao lado), que discute o sentido da humanidade e da vida em uma 1967 distópica. Em Domino – A Caçadora de Recompensas (2005), ela volta em flashbacks aos anos 1990 para relembrar os dramas familiares, vícios e aventuras reais da “menina rica” que resolveu virar caçadora de recompensas. Com o eixo central da trama ambientado no início da mesma década, mais exatamente na época da Guerra do Golfo, Camisa de Força (2005) faz o caminho inverso, utilizando os flashforwards como principal chamariz da trama. São justamente nessas projeções que a vemos no papel de Jackie no futuro/presente.

Contudo, ela atuou, sim, em filmes com histórias contemporâneas, embora seja um número pequeno em relação a toda a sua filmografia. Mas, nem por isso, foram menos importantes em sua carreira. Um exemplo é o seu primeiro papel de destaque no cinema, em O Buraco (2001), que levou um ano para ser lançado, na espera que a jovem completasse 16 anos para poder exibir as cenas de nudez do suspense. No ano seguinte, o sucesso do longa sobre futebol Driblando o Destino (2002) tornou conhecida no Reino Unido a imagem dessa torcedora do West Ham – time londrino de futebol, retratado em Hooligans, de 2005. Na sequência, ela também participou de um dos segmentos da comédia romântica Simplesmente Amor (2003).

 Em O Último Guarda-Costas (de 2010, na foto ao lado), interpreta uma atriz, profissão que quis seguir desde criança. Em uma família da área artística – seu pai, Will Knightley, também é ator –, já aos 3 anos de idade desejava ter um agente assim como os seus pais, pedido que só foi realizado quando ela completou 6 anos e pôde fazer pequenas participações em séries da televisão britânica. Cerca de 20 anos depois, aquela menina protagonizaria filmes como o romance dramático Apenas uma Noite (2010) e a dramédia apocalíptica Procura-se um Amigo para o Fim do Mundo (2012). E seja nas produções de época – há rumores de uma possível volta para a quinta sequência da franquia Piratas do Caribe – ou nas histórias contemporâneas – seus próximos trabalhos oficiais, que devem ser lançados em 2013, são o musical Can a Song Save Your Life? e o blockbuster Jack Ryan –, Keira pretende continuar seguindo com seu sonho durante muito tempo

Nayara Reynaud


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