Hans Staden

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Crítica Cineweb

20/01/2003

Parece enredo de escola de samba, mas foi verdade: um alemão, Hans Staden, foi capturado pelos índios tupinambás em 1554. Inimigos dos portugueses, que os caçavam para escravizá-los, os indígenas eram antropófagos. Tanto pior para Staden, pois acreditavam que era português e queriam devorá-lo a todo custo. Mas ele passou nove meses e meio entre os índios, no litoral norte de São Paulo, e viveu para contar sua história num livro, quando retornou à Europa, trocado por um baú de quinquilharias com os franceses.

Saber de antemão o final feliz não tira o interesse de assistir a Hans Staden. Isto porque, em boa hora, o diretor Luiz Alberto Pereira decidiu que os diálogos fossem falados no idioma indígena do século XVI. Deu trabalho extra à produção, porque exigiu um esforço particular de resgate dos lingüistas Eduardo Navarro e Helder Ferreira e dos atores, que tiveram de decorar suas falas nessa língua. Mas, em compensação, o recurso coloca o espectador na pele de Staden (Carlos Evelyn), uma viagem que vale o filme. "Lá vem a nossa comida pulando"- era esse tipo de frases que o alemão ouvia no seu cotidiano na aldeia. Coisas de arrepiar os cabelos de qualquer um, ainda mais porque o estrangeiro entendia perfeitamente a língua local.

Saber a língua, em todo caso, foi o que lhe valeu a sobrevivência. Porque ninguém duvida da força de persuasão desse aventureiro branco, um precursor, quem sabe, do famoso jeitinho brasileiro. O fato é que, com muita lábia e um bocado de sorte, Staden aproveitou-se da enorme impressionabilidade mística dos índios, que terminaram por atribuir à raiva do Deus de Staden algumas desgraças que lhes sucederam, como doenças e uma chuva interminável. Convenceram-se de que ele tinha poderes mágicos e isto o salvou.

O diretor Luiz Alberto Pereira ainda conserva o espírito de documentarista, que o lançou na profissão, em 81, com Jânio a 24 Quadros. Além do esforço de resgatar a língua dos índios, observa-se o cuidado de recuperar os costumes, as pinturas nativas, os rituais e as posturas corporais tanto dos nativos quanto dos viajantes europeus que vagavam pelo Brasil naqueles dias. Esse empenho foi merecidamente premiado no Festival de Brasília/99, que deu ao filme os troféus de melhor direção de arte e melhor trilha sonora, esta a cargo de Marlui Miranda, uma conhecida amante dos sons e ritmos indígenas. Por tudo isso, Hans Staden parece uma aula de história, mas com a vibração de uma viagem no tempo. No elenco, as inspiradas participações de Stênio Garcia (como um pajé tupiniquim) e Sérgio Mamberti (um comerciante judeu).

Neusa Barbosa


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Comentários:
  • 25/09/2010 - 22h45 - Por Lucas Me interessei muito por este filme, alguém sabe onde posso compra-lo, ou se alguém tem pra enviar pra mim. me escrevam por email, obrigado.
  • 08/11/2012 - 15h33 - Por laryssa nao apareçeu nada do que eu queria mais o texto é otimo!!
  • 14/11/2018 - 10h32 - Por LORENA DANIN GALATI Muito difícil encontrar esse filme, estou procurando a trilha sonora e também não encontro. Achei no acervo da biblioteca da ECA-USP, mas nada além.
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