Simplesmente Amor

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Crítica Cineweb

01/12/2003

Nove histórias de amor misturam-se em Londres a uma semana do Natal. É o filme romântico da temporada. Dá para esperar clichês? Um bocado. A boa notícia é que Richard Curtis - estreando na direção - não se rende a eles, nem deixa que governem a sua imaginação.

O nome de Curtis pode não chamar a atenção à primeira vista, mas ele é indiscutivelmente do ramo. Assinou os roteiros de três dos maiores sucessos românticos dos últimos anos, Quatro Casamentos e um Funeral (94), Um Lugar Chamado Notting Hill (99) e O Diário de Bridget Jones (2001). Neste filme, a história também é de sua autoria e não nega a filiação. Para começar, pela presença de Hugh Grant, presença obrigatória como nos três filmes anteriores. Aqui, ele entra na pele de ninguém menos do que o primeiro-ministro da Inglaterra. Bonito e solteirão, o governante desperta suspiros por onde passa. Mas acaba se encantando mesmo com a sua camareira (Martine McCutcheon). Um escândalo em potencial, especialmente quando chega o presidente americano (Billy Bob Thornton) assedia a moça com o mesmo ímpeto belicista do governo Bush no Iraque.

A irmã do primeiro-ministro (Emma Thompson) vive um momento de crise no casamento de 15 anos com um advogado (Alan Rickman) - um lobo de meia-idade insistentemente paquerado pela secretária mais jovem e sensual. No mesmo escritório, rola o mais intenso caso de paixão não-declarada, entre uma das assistentes do advogado (Laura Linney) e um colega bonito e tão tímido quanto ela (Rodrigo Santoro).

Em seu segundo papel internacional - o primeiro foi em As Panteras Detonando -, Rodrigo Santoro mostra não só sua figura como seu talento. Este caso de amor, aliás, é um dos mais sensíveis do filme. Há também a situação de um viúvo (Liam Neeson) que é forçado a sair do isolamento para dar uma força ao seu enteado de nove anos (Thomas Sangster) - que vive seu primeiro amor. O humor entra em cheio na figura de um roqueiro decadente (Bill Nighy), obrigado a regravar um velho sucesso repaginado como musiquinha natalina e que não perde uma oportunidade de envergonhar seu empresário (Gregor Fisher) com seu comportamento inconveniente.

Também não falta graça à paixão entre um escritor (Colin Firth) e sua empregada portuguesa (Lúcia Moniz). Perdidos na tradução, um sem falar a língua do outro, eles se reencontram tempos depois numa situação hilariante, em que Firth tem a oportunidade de demonstrar o português macarrônico que aprendeu só por amor. E dá para rir também do otimismo folclórico do inglês (Kris Marshall) que embarca para Wisconsin cheio de amor para dar, crente de que seu sotaque o salvará da solidão na América. Mas o casal que se conhece na situação mais insólita é mesmo o par jovem (Martin Freeman e Joanna Page) que conversa durante a gravação das cenas de um filme pornô.

É uma mistura perigosa e, com certeza, nem todas as histórias são ótimas - de mais, inevitável quando são tantos os personagens e situações. Mas o melhor de tudo é que não se idealiza além da conta. Ninguém aqui é bom nem bonito demais, nem tem a vida toda resolvida. Deixando brotar defeitos e conflitos, muitos deles nada pequenos, fica muito melhor para o espectador se identificar. E a trilha pop também é legal para se deixar embalar.

Neusa Barbosa


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