Seabiscuit - Alma de Herói

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Crítica Cineweb

13/11/2003

Filmes que reproduzem a técnica dos dramas da década de 50 parecem estar em voga nos últimos anos. Essa tendência pode explicar por que diretores como Frank Darabont, Todd Haynes (Cine Majestic e Longe do Paraíso, respectivamente) resgataram as raízes narrativas e estilísticas do cinema da época, utilizando-se até da mesma espeque emocional marcante no gênero. Essas produções geralmente vêm acompanhadas de baixos resultados financeiros, mas as mãos hábeis de seus diretores vencem o olhar sarcástico do público moderno, trazendo histórias sensíveis e intimistas.

A mesma linha vem sendo refinada pelo diretor americano Gary Ross desde 1998, quando deleitou público e crítica com o adorável Pleasantville - A Vida em Preto e Branco. E neste ano, confirma suas qualidades de contador de histórias ao dirigir Alma de Herói, uma dramatização da vida de Seabiscuit, cavalo de corridas que se tornou ícone nos EUA, e dos três homens que estiveram ligados a ele: seu dono Charles Howard (Jeff Bridges), seu treinador Tom Smith (Chris Cooper) e seu jóquei, Red Pollard (Tobey Maguire).

Em um clima de "todos merecem uma segunda chance", o filme mostra como tanto homens como cavalo conseguem superar os golpes do destino para realizar seus sonhos e ambições. E os problemas são inúmeros, diga-se. Seabiscuit não é o que se chamaria um puro-sangue: é menor do que a média, rebelde e não foi treinado para ganhar corridas. Já seu dono, apesar de rico, é infeliz depois da morte de seu filho em um acidente de carro. Por fim, há Red, que não apenas é mais alto do que se poderia desejar para um jóquei, como é cego de um olho.

Esse gênero água-com-açúcar, recheado de situações que parecem extraídas de um livro de auto-ajuda, pode parecer excessivo ou mesmo falso. No entanto, o desenrolar da história e o fato de se tratar de algo supostamente verídico dá crédito ao enredo, tornando-o mais digestivo. Some-se a isso a perícia de Ross na condução das cenas, o que evita o exagero dramático, e seu cuidado com a estética visual de toda a produção.

Grande parte do sucesso da produção deve ser creditado também à escolha do elenco, principalmente pelo trabalho de Chris Cooper, como o treinador. Apesar de seu papel ser relativamente pequeno (se comparado aos demais personagens centrais), cada detalhe de sua atuação explica a ideologia e as motivações de Tom Smith. Uma performance tão excepcional quanto a que apresentou em Adaptação, de Spike Jonze, no ano passado.

Apesar de tantos fatores positivos, Seabiscuit - Alma de Herói derrapa em um ponto fundamental: o ritmo lento em que a história avança. Problema causado pela tentativa de contextualizar a história do cavalo, durante o desespero americano com a quebra da Bolsa de Valores de Nova York.

No livro homônimo que inspirou o filme, a autora Laura Hillenbrand consegue desenvolver os assuntos paralelamente. Já nas mãos de Ross, essa união torna-se exaustiva, logo após as primeiras cenas mais documentais. Está bastante explícito porque Seabiscuit se torna um ícone americano, um exemplo a ser seguido pelo povo, que sofre as agruras de uma gigantesca recessão. Assim, os recortes jornalísticos, embora interessantes e bem-feitos, parecem realmente excessivos.

Apesar de estar longe de se tornar um clássico, Seabiscuit não deixa de ser uma história honesta e realmente traz uma mensagem cativante. Para aproveitar o filme, o melhor é deixar o sarcasmo em casa e aproveitar a sessão.

Rodrigo Zavala


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