Devorador de Pecados

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Crítica Cineweb

23/10/2003

Os roteiristas americanos sempre encontraram nos mistérios católicos fontes caudalosas para abastecer suas produções. Haja visto a quantidade impressionante de filmes que encenam a decadência da Igreja, batalhas sagradas entre anjos e demônios ou mesmo corações puros que decidirão, em meio à escuridão, o futuro da humanidade.

De gosto absolutamente duvidoso, esses filmes têm como principal alvo a própria religião católica, em que o conhecimento é uma arma fatal para a fé. Uma tentativa de criticar, talvez, o que se tornou o Santo Império Romano - que, por sinal, não era santo, nem um império e nem mesmo romano.

E um dos grandes problemas encontrados nessas produções não são as supostas críticas, discussões ou constatações que escritores fazem, mas a falta de qualidade do que é apresentado ao espectador. Exceto por O Exorcista (1973) e A Profecia (1976), dificilmente um filme do gênero conseguiu tocar no tema de forma satisfatória.

Nos últimos anos, grande parte desses erros, além de um roteiro fraco e irregular, se deveu à escolha do elenco. E inúmeros filmes sofreram com essa falha: A Filha da Luz (com Kim Basinger e Rufus Sewell), O Fim dos Dias (Arnold Schwarzenegger), Stigmata (embora o problema maior aqui seja mais a trama do que a atuação de Patricia Arquette) e O Corpo (Antonio Banderas).

Mais uma vez, um filme desse gênero chega aos cinemas, acompanhado dos mesmos problemas técnicos - que parecem ter se tornado maldições quando se fala de suspenses religiosos. Devorador de Pecados sofre nas mãos do ator Heath Ledger, protagonista da produção, que em seu currículo consta desde filmes premiados como A Última Ceia, mas também bobagens como Coração de Cavaleiro.

O ator simplesmente não consegue convencer como Alex, jovem padre ortodoxo, que vai a Roma solucionar a morte de seu mentor e sacerdote máximo de uma irmandade católica quase extinta: carolíngios (ou algo assim). Durante sua investigação encontra outra ordem ecumênica, esta secreta, chamada de Devoradores de Pecados. Tudo isso com a ajuda de seu amigo, padre Thomas (Mark Addy, outro que não engana ninguém) e a misteriosa e futura-amante Mara, interpretada pela atriz Shannyn Sossamon (Regras da Atração).

Apesar do elenco, a idéia é realmente interessante. Afinal por meio de um desses devoradores qualquer pessoa poderia entrar no paraíso sem precisar se confessar para um padre. Por isso, a Igreja faz questão de esconder a presença dessa "alternativa" aos seus devotos, e cria uma série de ciladas para os protagonistas. Tudo isso em meio a muitos fantasmas, demônios e todo o tipo de situação sobrenatural, muitas sem qualquer ligação com a trama central.

Desta forma, o filme tem muito pouco a oferecer para seus espectadores. Mesmo parte do filme sendo passada na Itália, a fotografia não coopera. Possivelmente pela escolha do diretor em recriar ambientes à penumbra para climatizar as cenas. Resta apenas a discussão sobre o papel da Igreja hoje. Mas isso é melhor fazer no bar.

Rodrigo Zavala


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