O que Elas Querem

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Crítica Cineweb

17/01/2003

Misture gim, chocolate, histórias de amores fracassados e três divertidas solteironas. O possível resultado para essa miscelânea é o filme O que Elas Querem, que já nos primeiros minutos sugere que estamos mais uma vez diante de uma cativante comédia romântica inglesa, ao estilo de Quatro Casamentos e um Funeral (1994). Essa promessa de humor inteligente se acentua no início da trama, quando as protagonistas relatam de forma hilária suas agruras afetivas, em um lampejo criativo
dos roteiristas.

No início da história, três mulheres modernas, solteiras e independentes, confessam, como o fazem semanalmente, suas últimas relações amorosas invariavelmente fracassadas. Tal como um jogo, a idéia do trio é saber quem, visto os relatos, é mais desafortunada. Afinal, apesar de bem-sucedidas, Kate (Andie MacDowell), Molly (Anna Chancellor) e Janine (Imelda Staunton) já sofrem com o peso da idade. Assombram-se com a idéia de que já ultrapassaram
os 40.

No entanto, as indicações de que O que Elas Querem seguirá o sucesso das produções conterrâneas não duram muito tempo. O filme toma rumos desconcertantes e difíceis de sustentar narrativamente logo após as geniais primeiras cenas. Simplesmente a história se perde na leviandade do roteiro e na surpreendente falta de perspicácia das personagens.

Tudo começa quando a má sorte de amores termina, pelo menos para uma delas, Kate, ao se envolver com um misterioso rapaz bem mais jovem, Jed (Kenny Doughty). A paixão dá lugar à insegurança de um relacionamento problemático (entenda-se aqui a diferença de idade). Por essa razão, Kate insiste em manter tudo em sigilo, até mesmo de suas amigas, que tomadas pelo rancor e inveja fazem de tudo para separar o casal.

A reprodução de um moralismo tosco de cidade provinciana que está acima de qualidades maiores, como a amizade e o respeito, só maculam a integridade dos envolvidos na história. Na linha de "os fins justificam os meios", o comportamento atroz e insensato de Molly e Janine traz prejuízos não apenas a Kate, mas também a todo o filme.

Não deixa de ser grave também o duvidoso tratamento de alguns valores humanos mais básicos, criando situações que beiram o mau gosto. A maioria carregada de lugares comuns machistas, que um olhar atento não pode deixar passar.

Como grande parte dos filmes do gênero, O que Elas Querem é também um tanto previsível. Mesmo quando o humor (tudo muito medido, tudo muito inglês) dá lugar ao melodrama, a história não engrena. O mesmo acontece aos demais personagens, como Gerald (Bill Paterson), o diácomo da escola de Kate, e a algumas situações adversas, como a viagem-relâmpago a Paris, que nada somam à trama.

Não deixa de ser triste que o talento, principalmente o de Andie MacDowell, seja desperdiçado por um roteiro simplório. Um trabalho mais minucioso faria do filme
um sucesso.

Cineweb-17/1/2003

Rodrigo Zavala


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