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Crítica Cineweb

06/01/2003

Não dá para negar - foi o filme mais esperado do ano. Criou essa expectativa depois de ser aplaudido na mostra paralela Un Certain Regard, no Festival de Cannes/2000, emendando a boa recepção na França com dois prêmios no Festival de Karlovy Vary, na República Tcheca. Fora isso, teve uma campanha de lançamento milionária em termos nacionais - cerca de R$ 1 milhão, orçamento que muito filme brasileiro não alcança - distribuição internacional garantida por conta da co-produção com uma empresa estrangeira (Columbia/Sony) e um diretor de 30 anos, Andrucha Waddington, com todo o perfil para ser o novo enfant terrible do cinema nativo.

Nada disso adiantaria, claro, se o filme não tivesse uma boa história e sua realização não fosse competente. Felizmente, tem tudo isso, ou seja, os ingredientes ideais para unir o sucesso de crítica ao de público. O enredo já é conhecido: uma sertaneja, Darlene (Regina Casé), mãe solteira, volta à terra natal, casa-se com um homem bem mais velho e já assentado na vida, Ozias Linhares (Lima Duarte). O casamento dá à vida dela uma certa estabilidade, mas Darlene continua insatisfeita. Encontra no primo de Ozias, o doce Zezinho (Stênio Garcia), um complemento e amante mais ou menos clandestino. Um terceiro homem, o jovem e atraente Ciro (Luiz Carlos Vasconcelos), completa a trinca de maridos que, junto com filhos de todos eles e de alguns outros homens, completam um inusitado arranjo familiar, surpreendentemente pacífico num sertão nordestino machista e conservador.

Não é segredo que o filme foi feito à imagem e semelhança de Regina Casé, em grande forma como atriz depois de dez anos comandando programas de televisão. Toda a história caminha nos ombros dela, no seu rosto e corpo totalmente afinados com a personagem - um fato que até o público de Cannes intuiu. Os franceses chegaram a perguntar a Regina se era atriz profissional ou não - e isso não foi ofensa e sim um tributo à sua naturalidade. Essa naturalidade, aliás, flui de todo o elenco e é uma decorrência do método de trabalho do diretor, que insiste em ensaiar exaustivamente seus atores antes de filmar, o que lhe permite também incorporar sugestões ao roteiro.

Nessa "viagem coletiva" - como Andrucha definiu seu filme - não faltou nem mesmo uma pincelada de sua mulher, Fernanda Torres, de quem é a idéia do fim, que é muito bom, por sinal. Não é secundário o papel da trilha sonora, que amarra composições de Luiz Gonzaga (Juazeiro, Asa Branca, Qui Nem Jiló), da revelação Targico Gondim (autor da deliciosa Esperando na Janela) e Gilberto Gil - que assina o magnífico tema de Darlene, O Amor Daqui de Casa, e a direção musical.

Neusa Barbosa


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Comentários:
  • 18/06/2013 - 08h47 - Por ROSARIO ROSAL Assisti o filme,muito interessante,ótimo elenco,baseado em caso real e para completar,feito no meu querido Nordeste.
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