Seja o que Deus Quiser

Ficha técnica


Avaliação do leitor

PéssimoRuimRegularBomÓtimo 0 votos

Vote aqui


País


Extras

Menu interativo


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

24/09/2003

Talvez a única boa notícia a respeito deste Seja o que Deus Quiser - título que traduz com rara perfeição os muitos equívocos de sua concepção -, seja marcar a volta à ativa, depois de seis anos, do diretor carioca Murilo Sales. Porém, longe de repetir o equilíbrio no tom de crítica social obtido no drama Como Nascem os Anjos (96), Sales aventura-se por uma São Paulo que não conhece para retratar o insólito encontro entre um pagodeiro carioca, MC PQD (Rocco Pitanga, filho de Antônio Pitanga), e um clubber paulistano, Nando (Caio Junqueira).

Um choque entre universos tão diferentes tem muito de atraente e promissor para um roteiro. Mas tudo que podia dar errado no filme, praticamente, deu. O enredo segue, basicamente, as desventuras do pagodeiro na capital paulistana, na tentativa de provar que não teve nenhuma culpa num assalto no Rio, contra Cacá (Ludmila Rosa), uma VJ de São Paulo, que é irmã do clubber. A moça tinha viajado à capital carioca para uma reportagem e se envolvido com o sensual MC PQD. Mas, depois de uma noite de amor, o rapaz sai para comprar ingredientes para um café da manhã e a acompanhante paulista sofre um espancamento e um seqüestro-relâmpago inesquecíveis.

Tudo indica que o pagodeiro está envolvido, mas é aparência. Procurado pela polícia, o carioca parte rumo a São Paulo para reencontrar Cacá e provar sua inocência.Estranho no ninho paulistano, assaltado também já na rodoviária, tudo o que MC PQD consegue é se envolver - de maneira bastante inverossímil - num falso seqüestro, forjado pelo clubber maneiroso e cheio de tiques, na tentativa de extorquir sua mãe, a quatrocentona Fernanda (Marília Pêra). Na pele de uma perua decadente e falida, aliás, a atriz é a melhor coisa do filme - porque parece ter escrito os próprios diálogos e dominado a personagem com as próprias técnicas de sua extensa bagagem profissional. Tudo o mais soa terrivelmente falso, caricato ao extremo - mesmo para uma comédia.

Caio Junqueira abraça a interpretação mais exagerada e histérica de sua carreira, candidatando-se mesmo a um troféu de pior do ano. O mais inquietante de tudo mesmo é o desfecho, maculado por um tom que deixa a porta aberta ao reforço de chavões e preconceitos, quando deveria esperar-se que pelo menos os colocasse em cheque.

Neusa Barbosa


Deixe seu comentário:

Imagem de segurança