Tudo Que Uma Garota Quer

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Crítica Cineweb

18/09/2003

Contos de fadas modernos nunca são muito fáceis de criticar. Até porque a originalidade fica sempre de fora, seja para quem os produz, seja para quem os analisa. As mesmas tramas, os mesmos comentários. E Tudo o que uma Garota Quer não é diferente. Sua história previsível, repleta de clichês, hermética em seu melodrama juvenil, em que a explosão de sentimentos salva os protagonistas da infelicidade, promete pouco mais do que uma tarde no cinema para meninas que queiram se distrair e comer pipoca.

No entanto, seria simplista e até injusto reduzir este filme a apenas mais uma história para adolescentes sonhadoras. A produção conta com uma série de qualidades, que a faz dar um passo à frente de suas companheiras de gênero. Da escolha das locações ao elenco, é visível seu zelo pela eficiência técnica. Some-se a isso, sua inspiração: a comédia romântica The Reluctant Debutante, com Rex Harrison e Sandra Dee, de 1958, o que dá uma certa aura nostálgica à história.

Desta forma, algo que poderia passar como desinteressante, ganha nova cara. A começar pela escolha da atriz principal, Amanda Bynes. Vinda diretamente do canal infantil Nickelodeon, a adolescente dá graça ao filme, com sua sensualidade bem comportada e seu humor juvenil.

Em sua primeira incursão no cinema, Amanda dá vida a Daphne Dashwood, uma adolescente de Chinatown, NY, fruto de uma aventura romântica entre um lorde inglês, Henry Dashwood (Colin Firth), e uma liberal cantora americana de festas de casamento (Libby), interpretada pela atriz Kelly Preston. Mesmo contra a vontade da mãe, que não quer ver a filha sofrer nas mãos da conservadora sociedade inglesa , a garota atravessa o Atlântico e encontra não só o pai, mas o amor e uma rede de intrigas políticas que abastecem os conflitos morais dos personagens.

A atriz é mais do que certa para o papel da jovem norte-americana em busca de sua identidade e história. Mais: é símbolo de uma geração em que a irreverência transborda para o deboche. Que sofram os ingleses, alvo das mais deselegantes ironias tão caras ao cinema americano e ao mundo em geral. Afirmações como: "os ingleses só podem demonstrar afeição por seu chá e seus animais", abundam nos diálogos um tanto indecorosos.

O filme ainda guarda surpresas como a participação do ator Jonathan Pryce, aqui fazendo o papel de vilão ao lado de Anna Chancellor (O que Elas Querem). Na verdade, suas personagens apenas servem para atestar o quão vil pode ser a sede pelo poder, o quão espantosamente os ingleses podem ser frios e maquiavélicos e, claro, servir de antagonistas para abrilhantar ainda mais o espírito gracioso de Daphne e sua mãe.

Em somatória, algumas qualidades tornam o programa atrativo não apenas para o público adolescente, mas para uma faixa etária um pouco menos jovem. Essa versatilidade, não grande, claro, é na verdade um traço singular da diretora Dennie Gordon, acostumada com séries televisivas, que atiram para todos os públicos.

Rodrigo Zavala


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