Histórias do Olhar

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Crítica Cineweb

11/09/2003

A diretora carioca Isa Albuquerque reuniu em Histórias do Olhar, concluído em 2002 mas só agora exibido comercialmente, quatro dramas pessoais unidos por uma tese provocadora: a beleza não é fundamental e, pior ainda, traz a infelicidade para homens e mulheres que se destacam por seus belos rostos e corpos.

São histórias curtas identificadas por quatro sentimentos: inveja, rancor, medo e amor, todos desencadeados pelo olhar despertado pela beleza. É possível identificar na construção do roteiro de cada história, a cargo da própria diretora e de Duba Elia e Ana Lúcia Andrade, ingredientes comuns do universo de Nelson Rodrigues e do contista curitibano Dalton Trevisan, sempre com alguma dose de crueldade. É o caso de Medo, a terceira história do filme, com algumas pitadas rodrigueanas, que mostra o pavor enfrentado pela adolescente Beatriz (Fernanda Maiorano), uma lolita morena, assediada pelo professor de português e namorado de sua mãe, pelo porteiro do prédio onde mora e por um fotógrafo. Mas, ao contrário da personagem de Nabokov, Bia não provoca deliberadamente os homens mais velhos para deles tirar proveito. No caso da menina carioca, sua beleza, que tanto desperta o olhar de homens mais velhos, é uma maldição que terminará em tragédia.

A Inveja, tema da história que abre o filme, tem como protagonistas uma bela jovem (Liliana Castro) que passa a ser seguida por uma mulher mais velha (Maria Lúcia Dahl) até sua entrada num salão de beleza. Essa mulher madura, que já foi muito bela, confronta a moça dizendo-lhe que a beleza não é eterna e que o tempo cobra seu preço.

O filme tem boa fotografia e trilha sonora e compensa a pouca experiência do elenco mais jovem com a participação de alguns atores tarimbados, como Walmor Chagas e Jonas Bloch.

Luiz Vita


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