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Crítica Cineweb

03/09/2003

Dentro de um típico formato de telefilme, com personagens bem-estereotipadas e um elenco encabeçado pelas estrelas australianas de fama internacional Geoffrey Rush e Judy Davis, recicla-se aqui um Carruagens de Fogo dentro da piscina. Trocam-se os corredores pelos nadadores e a diferença étnico-religiosa pela rivalidade entre irmãos e a fórmula é praticamente a mesma do vencedor do Oscar em 1981.

A história baseia-se nas memórias do campeão australiano de natação Tony Fingleton, que aqui funcionou como roteirista e produtor executivo. Curiosamente, em sua vida adulta, pós-piscinas (a partir dos anos 60), Fingleton vem exercendo outros talentos como roteirista e produtor de cinema (em filmes como Drop Dead, Fred e De Volta para o Presente) e autor da peça Over my Dead Body, além de produtor do musical Preppies, apresentado na Broadway em 1983. Este filme, porém, literalmente mergulha na infância e adolescência de Fingleton, colocando em primeiro plano o despertar de seu talento como nadador e a turbulenta família de onde veio o atleta.

Garoto ainda, Tony (interpretado aí por Mitchell Dellevergin) sofre a rejeição do pai estivador (Geoffrey Rush) porque não tem o menor talento em esportes másculos, como o futebol e o boxe. Harold, o pai, prefere abertamente o primogênito, o belicoso Harold Jr. (Kain O´Keefe), que adora espancar o irmão de gostos mais delicados, como a literatura e o piano. A situação fica assim até o dia em que Harold pai descobre que tem dois peixinhos em casa, Tony e um irmão menor, John (Thomas Davison).

Tornando-se o feroz treinador dos filhos, Harold passa a exercer uma outra preferência, agora por John. Tony continua na desvantagem, apesar de ter o afeto da mãe, Dora (Judy Davis). A rivalidade entre os irmãos será explorada ao nível do mau-caratismo pelo pai, que compõe um tipo traumatizado de infância e na vida adulta capaz de toda e qualquer vilania.

Muito aquém de outros trabalhos, especialmente o que lhe deu o Oscar de melhor ator (Shine - Brilhante), Rush corporifica um vilão irredutível, pai autoritário, marido beberrão e espancador. Judy Davis, outra atriz muito dotada, encontra-se aqui limitada a um papel unilateral, de mãe sofrida e esposa maltratada sem identidade fora deste casamento infernal - um caso clínico de auto-estima diminutiva.

O filme dirigido por Russell Mulcahy (das duas primeiras edições da franquia Highlander) satisfaz-se, então, em formular este compêndio modesto de emoções previsíveis, enfeitando-o com belas tomadas aquáticas, como seria de se esperar. Usa e abusa de todos os recursos para valorizar a filmagem subaquática, como câmeras presas ao corpo de nadadores, uma grua de cabeça remota capaz de saltar e mergulhar na água e um uso compulsivo de tela dividida. Um bom espetáculo para os olhos de quem gosta de esportes e nada mais do que isso.

Neusa Barbosa


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