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Crítica Cineweb

27/08/2003

Para quem está acostumado a ver os adolescentes pela ótica de Hollywood, o novo filme de Roger Avary será uma surpresa. O padrão Beavis e Butt-head de jovem descerebrado, chapado de maconha, ao estilo American Pie, passa longe dos personagens desestruturados, sem horizontes, que habitam o universo criado por Avary.

Aqui o diretor que também assinou o roteiro de Pulp Fiction (que lhe rendeu o Oscar) demonstra seu talento na direção de atores e na condução de uma história aparentemente simples, que avança e recua no tempo de forma criativa e instigante, como se fosse possível impedir que determinadas tragédias pudessem ser evitadas, bastando apenas acionar o botão rewind de nossa consciência e impedir que as imagens atuais progridam de forma inexorável no rumo da catástrofe.

Avary mostra o cotidiano de um grupo de estudantes universitários em meio à baladas movidas a muito álcool e droga pesada. Uma das primeiras personagens apresentadas é a exótica Lauren (Shannyn Sossamon), presente a uma festa na qual estão outros colegas da faculdade, cujas trajetórias estarão sempre interligadas à sua. É o caso de Sean Bateman (James Van Der Beek, do seriado de TV Dawson's Creek), pequeno traficante do campus que vende drogas aos amigos, mas está sem dinheiro para pagar ao fornecedor, e que se interessa por Lauren, inicialmente sem ela perceber.

Lauren é virgem e passa o tempo folheando um manual de medicina com fotos horripilantes de órgãos genitais atingidos por doenças venéreas. Na festa, assediada por um rapaz chato que só fala sobre cinema, decide, mais por tédio do que por desejo, ir para o quarto com ele. Completamente bêbada, descobre-se minutos depois no meio de uma orgia filmada pelo estudante.

É quando a ação volta no tempo, com o efeito de uma imagem rebobinada, com os personagens andando para trás, para retomar a história sob o ponto de vista de outro participante da festa: Paul (Ian Somerhalder), um jovem bissexual que já se envolveu uma vez com Lauren, mas que agora só tem olhos para Sean.

Nesse universo, a presença dos pais é inexistente. Uma das poucas cenas em que a mãe de Paul aparece na companhia de outra amiga demonstra como suas fúteis preocupações não incluem a vida do rapaz. Ela e a amiga estão mais interessadas em discutir a cor do próximo carro que comprarão do que entender o que se passa pela cabeça de seus filhos. Os gestos de rebeldia são interpretados apenas como o stress decorrente da dedicação excessiva aos estudos.

Com recuos e avanços no tempo, tendo sempre como ponto de encontro a festa agitada, ficamos conhecendo a história de cada um e como ela se relaciona com as demais. São vários triângulos amorosos explícitos ou imaginados que apenas reforçam a sensação de vazio que parece caracterizar toda uma geração.

Luiz Vita


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